O que é Landmarkismo? O que é a teologia da “Noiva Batista”?

O que é Landmarkismo? O que é a teologia “Noiva Batista”?

A teologia landmark, ou teologia da herança, é a crença entre algumas igrejas batistas independentes de que somente as congregações batistas locais e autônomas podem verdadeiramente ser chamadas de “igrejas” no sentido do Novo Testamento. Defendem que todos os outros grupos – e até a maioria dos batistas – não constituem verdadeiras igrejas, pois se desviam dos princípios essenciais do landmarkismo.

Esses princípios essenciais são:

1) Sucessão eclesiástica – uma igreja batista landmark traça sua “linhagem” de volta à época do Novo Testamento, geralmente à convocação dos discípulos por Jesus na Galileia;

2) Uma igreja visível – a única igreja é um corpo local (batista) de crentes; não existe um Corpo Universal de Cristo;

3) Oposição ao “pedobatismo” (aspersão de bebês) e à “imersão alheia” (qualquer batismo realizado fora dos moldes de uma igreja batista landmark) – todos esses batismos são considerados nulos e sem efeito.

Outra crença correlata é que somente os batistas landmark fiéis comporão a Noiva de Cristo. Outros cristãos (não batistas) serão vistos como convidados ou servos no banquete matrimonial do Cordeiro. Esses demais cristãos são chamados de “família de Deus” ou, às vezes, de “reino de Deus”. Assim, no céu estarão todos os redimidos (a “família de Deus”), mas somente aqueles devidamente batizados por imersão – em uma igreja batista independente – terão a honra especial de serem a Noiva de Cristo. Os batistas landmark utilizam a história da escolha da esposa de Isaque para ilustrar a escolha de Deus quanto à Noiva de Cristo (Gênesis 24).

Os batistas landmark consideram a filiação a uma igreja como uma das maiores prioridades na vida; de fato, ser membro de uma igreja batista landmark é importante apenas em segundo lugar, depois do relacionamento pessoal com Cristo. Em razão da ênfase na membresia local (e da negação da existência de um Corpo Universal de Cristo), esses batistas praticam a comunhão restrita; ou seja, somente os membros oficiais de sua própria igreja podem participar da ordenança da ceia. Ninguém, nem mesmo um batista, pode participar da ceia do Senhor fora de sua igreja de origem.

O landmarkismo teve seu início em 1851, quando um grupo de batistas do Sul se reuniu para se opor ao liberalismo que começava a permear sua denominação. Em discussão estava o púlpito “aberto” versus o “fechado”. Seria correto receber pregadores não batizados de outras denominações como convidados em seus púlpitos? “Aqui estão homens,” diziam, “que não foram batizados de acordo com o modelo do Novo Testamento, homens ordenados por igrejas que não ensinam a salvação pela graça mediante a fé, e ainda assim os convidamos a pregar como se fossem verdadeiros ministros cristãos do evangelho.” Dessa reunião surgiram as Resoluções de Cotton Grove, a primeira articulação dos princípios do landmarkismo.

O termo landmarkismo deriva de Provérbios 22:28 (“Não removas o antigo marco, que os teus pais firmaram”). Os batistas landmark também recorrem a Levítico 25:23-34 para fundamentar sua doutrina. Assim como os israelitas não deviam “remover o antigo marco” ou vender, negligenciar ou ceder sua propriedade, os batistas de hoje não devem eliminar os “pormenores” teológicos que separam a igreja do mundo. “A fé que uma vez foi entregue aos santos” (Judas 1:3) é a herança que defendem. Esses batistas se veem como guardiões da pureza da igreja, estabelecida originalmente no Novo Testamento – pureza que lhes garantirá a recompensa de serem escolhidos como a Noiva.

O objetivo original dos batistas landmark – conter o avanço do liberalismo – era admirável. O problema é que o landmarkismo, em sua tentativa de combater o erro, acabou caindo em um equívoco ainda mais grave: a má interpretação das Escrituras. Alguns pontos que a teologia landmark deixa de reconhecer são:

  • O “um batismo” de Efésios 4:5 não se refere a um batismo com água, mas a um batismo espiritual.
  • A igreja não teve início com João Batista, mas com o batismo no Espírito no Dia de Pentecostes (Atos 11:15-16).
  • O batismo de João não é suficiente para a igreja do Novo Testamento (Atos 18:24-28; também Atos 19:1-7).
  • A igreja não se resume a um corpo local, mas é uma entidade mundial composta por todos os crentes, tendo Cristo como sua Cabeça (Efésios 1:21-22).
  • As Escrituras distinguem três categorias de pessoas: judeus não salvos, gentios não salvos e a igreja (1 Coríntios 10:32). Portanto, a “família de Deus” não é separada da igreja.

As igrejas “Noiva Batista”, com sua ênfase na ordenança do batismo, acabam perdendo o sentido expresso em 1 Coríntios 1:10-17. Nesse trecho, Paulo repreende a igreja pelos cismas decorrentes das disputas sobre quem batizou quem, chegando a afirmar: “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar o evangelho.” Palavras realmente curiosas, se considerarmos que o batismo com água seria o que integraria alguém à Noiva de Cristo.

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