O que é Renovaré / a Bíblia de Formação Espiritual Renovaré / a Bíblia Vida com Deus?

O que é Renovaré / a Bíblia de Formação Espiritual Renovaré / a Bíblia Vida com Deus?

Como muitas ideias atualmente, a filosofia Renovaré parece inócua – até mesmo profundamente espiritual – mas alguns elementos desse movimento despertam preocupação. A organização foi fundada em 1988 pelo teólogo quaker Richard J. Foster, após o sucesso de seu livro Celebration of Discipline: The Path to Spiritual Growth. Nele, Foster descreve como praticar as “doze disciplinas espirituais” – meditação, oração, jejum, estudo, simplicidade, solidão, submissão, serviço, confissão, adoração, orientação e celebração.

Renovaré (do latim “renovação”) propõe trabalhar pela renovação da Igreja, concentrando-se na “formação espiritual” dos cristãos individuais. Essa formação envolve seguir determinadas práticas e tradições, com o objetivo de permitir que a vida de Cristo se forme no interior do cristão. Essa vivência sacramental – uma interação constante com Deus – é o que Foster chama de “vida com Deus”.

Embora tornar-se similar a Cristo e desenvolver a pessoa interior deva ser o objetivo de todo cristão, surgem sinais de alerta ao se examinar os fundamentos do movimento Renovaré. Primeiramente, Renovaré é abertamente ecumênico. A “sabedoria” é extraída de fontes católicas, episcopais, místicas e protestantes, sem a devida consideração pelas sérias diferenças teológicas existentes entre esses grupos. O Cristianismo bíblico e o Catolicismo Romano são religiões distintas, que ensinam e praticam coisas diferentes acerca da salvação, da autoridade da Bíblia, do sacerdócio dos crentes, da natureza humana, do trabalho de Cristo na cruz e da veneração e oração a Maria. Tais diferenças irreconciliáveis tornam qualquer missão conjunta entre os dois modelos impraticável. Quem nega essa realidade não se mantém fiel ao que professa, independentemente do lado adotado.

Em segundo lugar, Renovaré enfatiza o misticismo em detrimento de uma teologia sólida. O lançamento da Bíblia de Formação Espiritual Renovaré, em 2005, reuniu o pensamento místico dos estudiosos do movimento em “notas de estudo” para a própria Bíblia (publicada posteriormente como a Bíblia Vida com Deus). Além de Foster, os editores incluíram nomes como Dallas Willard, Walter Brueggemann e Eugene Peterson. Em uma edição inicial de Celebration of Discipline, Foster aconselha o leitor a imaginar seu corpo espiritual, iluminado, elevando-se acima do corpo físico, para depois retornar, em um movimento de comunhão silenciosa, semelhante à projeção astral e a experiências fora do corpo – práticas que se aproximam do ocultismo.

A Bíblia Renovaré / Bíblia Vida com Deus também levanta as seguintes preocupações para os cristãos:

  1. Inclusão do Apócrifo: Os editores sugerem que o Apócrifo não deve ser considerado igual à Bíblia; entretanto, também afirmam que “a maior parte da Igreja durante boa parte da história aceitou os Deuterocanônicos como Escritura”. Isso não corresponde à realidade, pois a Igreja Católica passou a aceitar o Apócrifo como Escritura somente a partir do Concílio de Trento, e Israel nunca o considerou Sagrada Escritura.
  2. Autor da criação do Gênesis: A Bíblia Renovaré ataca a autoria divina do Gênesis, afirmando em sua Introdução Geral que Moisés não o escreveu, que seu conteúdo é mitológico e que ele se formou ao longo do tempo, à medida que contos de outras religiões eram adaptados com um toque monoteísta. Essa abordagem contraria diversas passagens bíblicas que afirmam que Moisés, inspirado por Deus, escreveu o Pentateuco, e nega a própria autoria atribuída por Jesus, que se referiu a Moisés como o autor do Pentateuco. Aceitar tais ensinamentos implica, também, rejeitar a autoridade e a infalibilidade das Escrituras.
  3. Negação da natureza profética do livro de Daniel: Nas notas introdutórias ao livro de Daniel, a Bíblia Renovaré declara que “não sabemos quem o escreveu ou exatamente quando foi escrito”, e o editor James M. Rand situa sua composição por volta de 167 a.C. Essa conclusão contradiz o próprio autor de Daniel – que se apresenta como tal –, o qual afirma ter escrito o livro “no primeiro ano de Dario” (538 a.C.).
  4. Desconstrução da profecia messiânica: Em Isaías 9:6–7, o Messias é descrito como “Deus poderoso, Pai eterno”, mas as notas de estudo Renovaré atribuem essa descrição a “agentes humanos”. Além disso, o próprio livro de Isaías é rotulado como “tradição” e “imaginação poética”, com afirmações de que Isaías não seria seu verdadeiro autor, desacreditando assim as profecias messiânicas.
  5. Interpretação das profecias sobre o futuro de Israel: Profecias claras, como Jeremias 31:7–14, que assegurariam a reunião e restauração de Israel, são reinterpretadas por Renovaré como promessas de Deus para pessoas desabrigadas em geral. Do mesmo modo, a profecia dos “ossos secos” em Ezequiel 37, que especifica “toda a casa de Israel”, é distorcida para se referir ao início da Igreja no Pentecostes.

Por essas e outras razões, Renovaré se revela um movimento teologicamente perigoso. Assim como muitos aspectos da espiritualidade contemplativa, Renovaré se aproveita da sede espiritual das pessoas, direcionando-as não para a cruz de Cristo ou para a Palavra inerrante de Deus, mas para tradições humanas e experiências emocionais. O cristão sábio e discernente examinará cuidadosamente todas as reivindicações deste movimento, comparando-as com as Escrituras. Aquela que contradizer a Palavra de Deus deve ser rejeitada.

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