Quem é a Rainha do Céu?

Quem é a Rainha do Céu?

A expressão rainha dos céus aparece em dois trechos da Bíblia, ambos no livro de Jeremias. No primeiro trecho, observa-se que os israelitas se envolveram em práticas idólatras que provocaram a ira do Senhor. Famílias inteiras participavam da idolatria: as crianças recolhiam lenha, os homens a utilizavam para construir altares com o intuito de adorar falsos deuses, e as mulheres se dedicavam a amassar a massa e preparar bolos para a “Rainha dos Céus”. Esse título remete à deusa Ishtar, cultuada pelos assírios e babilônios – também conhecida como Ashtoreth ou Astarte por outros povos. Ela era considerada esposa do falso deus Baal, também identificado como Moleque. A motivação para venerar Ashtoreth estava ligada à sua reputação como deusa da fertilidade, fato de extrema importância em uma época em que a capacidade de gerar filhos era muito valorizada nas sociedades pagãs, propagando assim o culto à “rainha dos céus” entre esses povos. Infelizmente, essa prática acabou se infiltrando também entre os israelitas.

O segundo trecho que menciona a “rainha dos céus” encontra-se em Jeremias 44:17-25, no qual o profeta transmite a mensagem do Senhor. Ele lembra ao povo que sua desobediência e idolatria despertaram uma grande ira divina, e os adverte de que punições ainda maiores os aguardam se não se arrependerem. Contudo, o povo responde afirmando que não abandonará o culto dos ídolos, comprometendo-se a continuar oferecendo libações à “rainha dos céus”, Ashtoreth, chegando ao ponto de atribuir a ela a causa da paz e prosperidade que antes desfrutavam sob a graça e misericórdia de Deus.

A origem da ideia de que Ashtoreth seria uma “companheira” de Yahweh não é clara, mas é fácil perceber como a fusão do paganismo, que exalta uma deusa, com o culto ao verdadeiro Rei dos Céus pode levar à associação errônea entre Deus e Ashtoreth. Como o culto a Ashtoreth envolvia práticas ligadas à sexualidade, como ritos de fertilidade e prostituição nos templos, essa associação acabou sendo interpretada por alguns como uma relação de natureza sexual. No entanto, é importante enfatizar que a ideia de que a “rainha dos céus” seria consorte ou amante do Rei dos Céus é, sem dúvida, idólatra e contrária aos ensinamentos bíblicos.

Não existe rainha dos céus e nunca existiu. Com efeito, há um único Rei dos Céus, o Senhor dos exércitos, que reina soberanamente e não compartilha Seu poder ou Sua autoridade com ninguém. A atribuição do título de rainha dos céus a Maria, mãe de Jesus, não possui fundamento nas Escrituras. Essa ideia surgiu através de proclamações de sacerdotes e papas da Igreja Católica. Embora Maria tenha sido uma jovem piedosa e abençoada por ter sido escolhida para dar à luz o Salvador do mundo, ela não é, de forma alguma, divina, não foi isenta de pecado e não deve ser objeto de culto, veneração ou oração. Tanto Pedro quanto os apóstolos, assim como os anjos, jamais aceitaram ser adorados, deixando claro que a adoração é reservada somente a Deus. Dar culto ou venerar qualquer ser que não seja o Senhor configura, sem dúvida, idolatria.

Além disso, o próprio Jesus repreendeu suavemente uma mulher que exclamara: “Bem-aventurada é a mãe que te deu à luz e que te amamentou”, respondendo: “Bem-aventurados, na verdade, são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a cumprem”. Com essa resposta, Ele evitou a elevação de Maria a objeto de adoração e reafirmou a verdade proclamada pela Bíblia: as únicas referências à “rainha dos céus” referem-se à deusa de uma religião idólatra e falsa.

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