Se a penalidade pelos nossos pecados é a eternidade no inferno, como a morte de Jesus pagou a nossa penalidade se Ele não passou a eternidade no inferno?

Pergunta

Se a penalidade pelos nossos pecados é a eternidade no inferno, como a morte de Jesus pagou a nossa penalidade se Ele não passou a eternidade no inferno?

Resposta

Se considerarmos Jesus apenas como um homem, essa pergunta surge naturalmente. Porém, a razão pela qual Jesus não precisou passar a eternidade no inferno é que Ele não é simplesmente um homem, mas o Deus-homem. A Segunda Pessoa da Divindade tomou carne e habitou entre nós na forma de homem. Contudo, Ele era um homem diferente de todos, pois a Sua natureza era a de Deus — santo, perfeito e infinito.

Diferentes passagens das Escrituras atestam essa realidade, como o trecho inicial do Evangelho de João, que declara que o Verbo eterno, coeterno com Deus e da mesma essência, tomou carne e passou a habitar entre nós. Da mesma forma, o apóstolo Paulo afirmou que “em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.

Com isso em mente, analisemos mais de perto a questão. É inegável que a penalidade pelos nossos pecados é a eternidade no inferno. As Escrituras ensinam que todos pecaram e que o salário do pecado é a morte. Além disso, o livro do Apocalipse revela que aqueles cujos nomes não estão inscritos no livro da vida do Cordeiro serão lançados no lago de fogo, onde serão atormentados para todo o sempre.

No entanto, como a morte de Jesus pode expiar os pecados de toda a humanidade? É aí que se insere a importância de Jesus ser o Deus-homem. Se Jesus fosse apenas um homem, carregando os seus próprios pecados, a Sua morte não teria sido capaz de expiar nem mesmo os Seus, muito menos os pecados dos outros. Mas Jesus não é um mero homem; Ele é Deus encarnado. Como homem, Ele pode se identificar com aqueles por quem se sacrificou. Como homem perfeitamente sem pecado, Ele podia expiar os pecados da humanidade sem precisar antes expiar os Seus próprios. E, por fim, como Deus, Ele foi capaz de satisfazer por completo a ira divina que os nossos pecados suscitam.

Pecar contra um Deus infinito requer um pagamento infinito. Portanto, a compensação pelos nossos pecados precisa ser igualmente infinita. Existem apenas duas possibilidades para esse pagamento infinito: ou uma criatura finita (o homem) deve pagar pelos seus pecados por um tempo infinito, ou um Ser infinito (Jesus) deve pagar, de uma vez por todas, pelos pecados de toda a humanidade para todo o sempre. Não há outra alternativa. Um pecado cometido contra um Deus infinitamente santo exige uma satisfação igualmente infinita, e nem mesmo a eternidade no inferno seria capaz de anular a ira infinita e justa de Deus contra o pecado. Somente um Ser divino poderia suportar essa ira infinita, sendo necessário um substituto igualmente infinito para a humanidade. Jesus, na Sua natureza de Deus-homem, é, assim, o único Salvador possível.

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