O que significa que os cristãos não são deste mundo?
A expressão não deste mundo aparece em João 18:36, onde Jesus diz que Seu reino “não é deste mundo”.

O contexto da declaração de Jesus se dá durante Sua interrogação por Pôncio Pilatos, em um de Seus julgamentos. Pilatos havia convocado Jesus ao palácio e, ao tentar apurar as acusações contra Ele, basicamente pediu que Jesus se incriminasse. A conversa ocorreu da seguinte forma:
Pilatos perguntou: “Você é o rei dos judeus?”
Jesus respondeu com uma pergunta: “Essa é uma ideia sua ou foram outros que lhe falaram de mim?”
Pilatos replicou: “Eu sou judeu? Foram seus próprios compatriotas e os chefes dos sacerdotes que o entregaram para mim. O que você fez?”
Jesus afirmou: “Meu reino não é deste mundo. Se fosse, meus servos lutariam para impedir que os líderes judeus me prendessem. Mas, agora, meu reino vem de outro lugar.”
Pilatos comentou: “Então você é um rei!”
Jesus respondeu: “Você diz que sou um rei. Na verdade, o motivo pelo qual nasci e vim ao mundo é para dar testemunho da verdade. Todos os que pertencem à verdade me ouvem.”
Quando Pilatos perguntou se Jesus era um rei, ele pensava num cargo político e considerava que Jesus poderia estar envolvido em sedição contra César. Ao afirmar que Seu reino “não é deste mundo”, Jesus negava ser um rei nesse sentido — algo comprovado pela ausência de seguidores que lutassem por Sua libertação.
No entanto, Jesus não nega Sua realeza por completo; Ele tem um reino, mas que vem “de outro lugar”. Ao dizer que “veio ao mundo”, Ele deixa clara a implicação de ser originário de algum lugar que não este (conforme João 3:3). Seu reino é celestial e se estende aos corações e mentes dos Seus súditos. Ele não se origina neste mundo: “Seu poder e autoridade reais não são proporcionados por forças terrenas, ordenanças carnais, energias físicas, riquezas materiais ou exércitos imperiais”.
Como seguidores de Jesus, os cristãos fazem parte de Seu reino, que “não é deste mundo”. Sabemos que “nossa cidadania está nos céus” (Filipenses 3:20). Por isso, deixamos de lado as obras das trevas e nos revestimos da armadura da luz. Lutamos batalhas espirituais, mas “as armas com quais lutamos não são armas do mundo”. Buscamos primeiramente o reino e a justiça de Deus, e repousamos no conhecimento de que nosso Rei nos concede a vida eterna: “O mundo e os seus desejos passam, mas quem faz a vontade de Deus vive para sempre” (1 João 2:17).
Embora estejamos na Terra por agora, nossa existência terrena é nada mais do que um sopro se comparada à eternidade (Tiago 4:14). “Este mundo, em sua forma atual, está passando.” As tribulações e provações fazem parte da vida, mas, ao lembrarmos que não somos deste mundo, sabemos que tais coisas são passageiras. A consciência de que não pertencemos a este mundo oferece aos cristãos esperança mesmo nos momentos mais difíceis, pois este lugar transitório não é onde, de fato, pertencemos nem onde permaneceremos, já que “estamos recebendo um reino que não pode ser abalado” (Hebreus 12:28).
Como parte do reino de Jesus, os cristãos não são deste mundo. Fomos adotados como herdeiros do céu pelo próprio Deus, e é nele que nossa verdadeira cidadania reside. Até que nosso Rei retorne, vivemos na expectativa e nos empenhamos em levar outros a estabelecer um relacionamento com Jesus que transcenda este mundo.






