O que é a Carta de Jeremias?
A Carta de Jeremias, também conhecida como Epístola de Jeremias, é um dos livros dos Apócrifos. Frequentemente, ela é incluída como o capítulo 6 do livro de Baruc, embora em algumas versões ela apareça de forma independente. Os livros apócrifos são aqueles que não são geralmente considerados inspirados. A palavra “apócrifos” significa “coisas escondidas”, e esses livros jamais foram incluídos no cânon hebraico, nem aceitos como canônicos por Jesus, pelos apóstolos ou pelos primeiros escritores judeus. Muitos desses textos também apresentam erros históricos, geográficos ou cronológicos, sendo classificados por algumas denominações como “deuterocanônicos”, ou integrantes de um cânon “secundário”.
Os manuscritos mais antigos da Carta de Jeremias estão em grego, inclusive um encontrado entre os rolos de Qumran. No entanto, a maioria dos estudiosos acredita que o original pode ter sido composto em hebraico ou aramaico. Geralmente, estima-se que o texto tenha sido escrito entre 307 e 317 a.C.; o fato de grande parte do material parecer depender de passagens bíblicas do livro de Isaías corrobora essa datação mais tardia.
Embora o documento seja denominado Carta de Jeremias, ele não é, propriamente, uma carta, tampouco provém do profeta Jeremias. A data de sua escrita situa-se quase 300 anos após o chamado de Jeremias para profetizar. O texto é marcado principalmente por denúncias contra a idolatria, iniciando com um aviso aos exilados sobre a idolatria que encontrariam na Babilônia, seguido por descrições vívidas que enfatizam a ineficácia e a impotência dos ídolos. A obra conclui com um último alerta e uma exortação para evitar a idolatria.
Como todos os livros apócrifos, a Carta de Jeremias não pode ser considerada a Palavra inspirada de Deus. Isso, porém, não significa que se trate de um mau livro; grande parte do seu conteúdo é verdadeira e útil, oferecendo conselhos que, embora não inerrantes, podem ser valiosos e até mesmo inspiradores.






