Existe apenas um grupo de pessoas a quem a Bíblia instrui explicitamente a nunca beber vinho/álcool: os nazireus (Numbers 6:1–4). Jesus não foi nazireu; Ele era um “nazareno”, natural da cidade de Nazaré (Lucas 18:37). Jesus nunca fez o voto nazireu.

O primeiro milagre de Cristo, ao transformar água em vinho no casamento em Caná, quase certamente envolveu uma bebida fermentada. Segundo a tradição judaica dos casamentos, o vinho fermentado sempre era servido; se Jesus tivesse oferecido apenas suco de uva, o mestre da festa teria reclamado. Pelo contrário, ele declarou que o vinho era melhor do que o servido anteriormente, indicando que se tratava de um vinho “excelente” (João 2:10–11).
A palavra grega para “embriagado” em João 2:10 é methuo, que significa “estar bêbado” ou intoxicado. Trata-se da mesma palavra usada em Atos 2:15, quando Pedro defende os apóstolos contra acusações de embriaguez. O testemunho do mestre da festa indica que o vinho produzido por Cristo tinha a capacidade de intoxicar.
Embora o fato de Jesus ter transformado água em vinho não prove que Ele próprio o tenha consumido no casamento, seria natural que o fizesse. O que se confirma é que Jesus não condena o consumo de vinho assim como não condena o consumo de pão. Pessoas pecadoras abusam do que não é intrinsecamente pecaminoso. Pão e vinho, por si só, não são pecaminosos, mas a gula e a embriaguez são (Provérbios 23:2; Efésios 5:18).
Em Lucas 7:33–34, Jesus disse: “Pois João Batista veio, comendo nenhum pão e bebendo nenhum vinho, e vocês dizem: ‘Ele tem um demônio’. O Filho do Homem veio, comendo e bebendo, e vocês dizem: ‘Vejam! Um glutão e um bebado, amigo dos cobradores de impostos e dos pecadores!’” Nesse trecho, Jesus contrasta o fato de João Batista não ter bebido vinho com a Sua própria prática. Ele observa que os líderes religiosos O acusavam, de forma falsa, de ser um bebado. Jesus nunca foi um bebado, assim como também não foi um glutão, vivendo uma vida completamente sem pecado (1 Pedro 2:22). Ainda assim, o relato em Lucas 7 sugere fortemente que Ele, de fato, consumiu vinho alcoólico.
A celebração da Páscoa também incluía, de modo comum, o vinho fermentado. As Escrituras utilizam o termo “fruto da videira” (Mateus 26:27–29; Marcos 14:23–25; Lucas 22:17–18). Naturalmente, Cristo participou do ritual ao beber do cálice da Páscoa (Marcos 14:23).
Embora todos os cristãos concordem que a embriaguez é pecaminosa – como o próprio Cristo adverte em Lucas 12:45 –, a visão bíblica do vinho é a de um presente para o deleite (Salmos 104:14–15). Há diversas advertências sobre o abuso do álcool, como em Provérbios 20:1, pois homens pecadores estão mais inclinados a abusar do vinho do que a consumi-lo moderadamente. Portanto, aqueles que tentam usar o provável consumo de vinho por parte de Jesus para justificar a própria embriaguez devem refletir sobre o que adverte Lucas 12:45. Para manter uma perspectiva bíblica, os cristãos devem beber com moderação, evitando a embriaguez, ou optar pela abstinência total.






