Os escribas no antigo Israel eram homens instruídos cujo trabalho consistia em estudar a Lei, transcrevê-la e escrever comentários sobre ela. Eles também eram contratados em ocasiões em que era necessário um documento escrito ou uma interpretação de algum ponto legal. Esdras, “um mestre versado na Lei de Moisés”, era um dos escribas.
Os escribas levavam muito a sério a preservação das Escrituras; copiavam e recopiavam a Bíblia meticulosamente, chegando ao ponto de contar letras e espaços para garantir que cada cópia estivesse correta. Podemos agradecer aos escribas judeus por terem preservado a parte do Antigo Testamento de nossas Bíblias.
Com o tempo, os judeus passaram a ser conhecidos como “o povo do Livro” por seu estudo fiel da Escritura, especialmente da Lei e de como ela deveria ser seguida. Na era do Novo Testamento, os escribas eram frequentemente associados à seita dos fariseus, embora nem todos os fariseus fossem escribas. Eles atuavam como professores do povo e intérpretes da Lei, gozando de grande respeito na comunidade devido ao seu conhecimento, dedicação e à aparência de rigor no cumprimento da Lei.
No entanto, os escribas foram além da simples interpretação das Escrituras e passaram a acrescentar diversas tradições humanas ao que Deus havia determinado. Tornaram-se especialistas em enfatizar a letra da Lei, ignorando o espírito que a inspirava. A situação chegou ao ponto em que os regulamentos e tradições adicionados pelos escribas passaram a ser considerados mais importantes do que a própria Lei. Isso desencadeou inúmeros confrontos entre Jesus, os fariseus e os escribas. No início do Sermão da Montanha, Jesus surpreendeu os presentes ao declarar que a justiça dos escribas não era suficiente para levar alguém ao céu. Grande parte do Sermão da Montanha tratou justamente do que o povo havia aprendido através dos escribas, em contraste com o que Deus realmente desejava.
Perto do fim de Seu ministério, Jesus condenou veementemente os escribas por sua hipocrisia. Eles conheciam a Lei e a ensinavam a outros, mas não a obedeciam. O propósito original dos escribas era sincero: conhecer e preservar a Lei, encorajando outros a cumpri-la. Contudo, as tradições humanas passaram a ofuscar a Palavra de Deus, e uma falsa aparência de santidade substituiu uma vida de verdadeira piedade. Assim, os escribas, cujo objetivo declarado era preservar a Palavra, na realidade a anulavam com as tradições que transmitiam.
Como essa distorção chegou a esse ponto? Provavelmente, porque os judeus, após séculos de perseguição e escravidão, agarraram-se com orgulho à observância da Lei, que os identificava como o povo escolhido de Deus. Os judeus da época de Jesus adotavam uma postura de superioridade, posição que Jesus rejeitava. O problema maior, entretanto, residia no fato de que os escribas eram hipócritas por natureza, preocupados mais em aparentar bondade diante dos homens do que em agradar a Deus. Eventualmente, foram esses mesmos escribas que contribuíram para a prisão e crucificação de Jesus.
A lição que todo cristão pode extrair da hipocrisia dos escribas é que Deus deseja mais do que meros atos externos de justiça. Ele quer uma transformação interna do coração, constantemente rendida em amor e obediência a Cristo.






