O que a Bíblia diz sobre o valor da solidão?
A solidão, o estado de estar só, é frequentemente considerada uma das disciplinas espirituais tradicionais. Muitas vezes ela é associada ao silêncio, pois a ideia é estar a sós com Deus, orar, meditar em Sua Palavra e simplesmente desfrutar de Sua presença. Para alguns, a solidão é uma forma de se distanciar das distrações do mundo, reconhecer o interior de seus corações e ouvir Deus falar. Estar só também pode servir como um tempo de descanso e renovação.
A Bíblia certamente apoia o valor da solidão. O Salmo 46:10 diz: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.” É muito mais fácil “ficar quieto” quando estamos sozinhos. Lamentações 3:25-28 afirma que “o Senhor é bom para os que nele esperam, para a alma que o busca; é bom esperar em silêncio pela salvação do Senhor. É bom ao homem suportar o jugo quando é jovem. Deixe-o sentar-se sozinho em silêncio, pois o Senhor o impôs.”
Vemos exemplos do povo de Deus praticando a solidão na Bíblia. Por exemplo, Moisés se encontrava regularmente com o Senhor no tabernáculo. Deus falou com Elias e com Jacó enquanto esses homens estavam sós. O melhor exemplo é Jesus, que “frequentemente se retirava a lugares solitários para orar”. Jesus, Deus Encarnado, passava tempo sozinho com Seu Pai. Observamos que Ele buscava a solidão após realizar milagres, em momentos de luto, antes de escolher os doze apóstolos, em Sua agonia no Getsêmani e em outras ocasiões. A solidão era uma prática constante na vida de Jesus.
Jesus também convidava Seus discípulos a compartilharem momentos de solidão em grupo com Ele. Certa vez, como muitas pessoas iam e vinham sem nem mesmo terem tempo para comer, Ele os chamou: “Venham comigo a um lugar tranquilo e descansem um pouco.” Assim, eles se retiraram sozinhos em um barco até um local ermo.
Do ponto de vista bíblico, a solidão é uma prática valiosa. Ter um tempo sozinho com Deus permite que Ele nos examine, propiciando um conhecimento mais profundo d’Ele, fortalecendo a nossa fé, renovando nossas energias, possibilitando que compartilhemos nossas preocupações mais íntimas com Deus e simplesmente desfrutemos da companhia daquele que nos formou e nos ama de forma incompreensível.
Outro benefício de ter períodos periódicos de solidão é que esses momentos nos permitem reorientar nosso foco para o que realmente é importante. É saudável, de vez em quando, “se afastar”; precisamos de momentos longe dos outros, dos celulares, da televisão e da rotina diária. Dessa forma, evitamos que as “preocupações desta vida” abafem a Palavra. Ao invés disso, queremos passar tempo com Jesus e, assim como Maria de Betânia, sentar aos Seus pés e ouvir Sua palavra.
A prática da solidão, assim como outras práticas religiosas, pode ser levada a um extremo prejudicial. A solidão não é um lugar para se viver; não devemos nos tornar eremitas ou nos isolar completamente da sociedade. Contudo, para desfrutarmos plenamente de nosso relacionamento com Deus e para participarmos ativamente de uma comunidade piedosa, precisamos ter momentos em que nos relacionamos com Deus de forma individual.
Um antigo hino expressa bem essa ideia: “Fixa teus olhos em Jesus, olha bem em Seu rosto maravilhoso, e as coisas da terra se tornarão estranhamente pequenas, à luz de Sua glória e graça.”






