Até que ponto a mídia deve ter um papel nos cultos?

Pergunta

Qual o papel que a mídia deve ter nos cultos religiosos?

Resposta

Vivemos em uma era cada vez mais tecnológica, e as mídias de todos os tipos estão desempenhando um papel crescente nos cultos da igreja. Qual a dimensão que a mídia moderna deveria ter na igreja? Se você questionar cem pessoas, obterá cem respostas diferentes. Os millennials provavelmente terão uma opinião distinta dos baby boomers, e os pentecostais enxergarão as coisas de forma diferente dos batistas alemães. Obviamente, a Bíblia não menciona o uso de mídias, como PowerPoint e vídeos, durante o culto. Precisamos considerar diversos fatores antes de tomar uma decisão sábia quanto ao lugar que a mídia ocupará na adoração.

O formato do culto

Em Deuteronômio 12:1–5, Deus instruiu os israelitas para que não adorassem em locais pagãos nem incorporassem práticas pagãs à sua adoração. Ele também estabeleceu o templo com instruções muito específicas quanto a tamanho, dimensões, cor e conteúdo — tudo foi determinado. O acesso ao Santo dos Santos (a câmara interna que abrigava a Arca da Aliança) era profundamente restrito e regido por regras rigorosas.

Entretanto, era impossível cumprir todos os requisitos necessários para adorar a Deus em santidade. Nenhum sacrifício de animais poderia remover o nosso pecado (Hebreus 10:4). Por isso, Deus enviou Seu Filho para ser o sacrifício perfeito. Quando Jesus morreu, o véu que separava o Santo dos Santos do restante do templo se rasgou de cima para baixo (Mateus 27:51). Dessa forma, Deus nos concedeu acesso direto a Ele, libertando-nos da lei cerimonial, e nos presenteou com o Espírito Santo para que “adorássemos o Pai em espírito e em verdade” (João 4:23).

O propósito do culto

Para decidirmos se devemos ou não utilizar mídias no culto, é fundamental entendermos qual é o propósito da adoração. A Bíblia apresenta diretrizes em Hebreus 10:19–25:

Portanto, irmãos e irmãs, tendo confiança para nos aproximarmos do Lugar Santíssimo pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho aberto para nós através do véu, isto é, o seu corpo, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos de Deus com coração sincero e com total segurança de fé, tendo nossos corações salpicados para nos purificar de uma consciência culpada e nossos corpos lavados com água limpa. Mantenhamos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel. E consideremo-nos uns aos outros para estimular o amor e as boas obras, não deixando de nos reunir, como é o costume de alguns, mas encorajando-nos mutuamente — e tanto mais quanto vocês vejam que o Dia se aproxima.

Em um culto, somos chamados a:

  1. Aproximar-nos de Deus com um coração sincero, confiantes na fé;
  2. Manter firme a confissão da nossa esperança;
  3. Considerar uns aos outros, promovendo “amor e boas obras”;
  4. Encorajar uns aos outros.

Esses são os pilares que devem orientar o uso de mídias no culto. Se a mídia consegue aproximar a igreja de Deus, reforçar a esperança, incentivar o serviço ao próximo e exortar os fiéis, então seu uso se mostra apropriado.

Mídia no Novo Testamento

Naturalmente, nem Jesus nem a igreja primitiva dispunham de sistemas de som modernos ou de apresentações em vídeo. Contudo, Jesus frequentemente ensinava por meio de parábolas — histórias que ilustravam Seus ensinamentos (Marcos 4:34). Seguindo esse exemplo, uma mensagem que inclua histórias ilustrativas das verdades bíblicas é perfeitamente adequada para o culto. Da mesma forma, o uso de um trecho de filme apropriado pode enriquecer a mensagem. As histórias de Jesus revelavam as verdades do Reino e o caráter de Deus de forma que as pessoas pudessem se identificar, e o mesmo deve valer para qualquer recurso audiovisual ou gráfico que acompanhe o sermão.

Mídia nos cultos modernos

Ao mesmo tempo, é necessário considerar as necessidades e convicções dos membros da igreja. Não é amor exagerar no uso da mídia se ela não atender aos anseios da congregação.

A mídia é divisiva? Não há nada de errado com a tecnologia moderna. Projetar letras de músicas em uma tela com o auxílio de dispositivos não é algo pecaminoso. Entretanto, algumas congregações — e até indivíduos em outras — preferem o uso de hinários impressos. Nenhuma dessas preferências é equivocada. Aqueles que defendem a projeção não devem proibir os hinários, assim como os que preferem os hinários não devem desligar o projetor. A paz no corpo de Cristo é essencial, e somos chamados a “fazer todo o esforço para manter a unidade do Espírito no vínculo da paz” (Efésios 4:3). Por isso, o diálogo, a sabedoria e o compromisso são fundamentais para que essa questão seja resolvida de maneira harmoniosa.

A mídia favorece a adoração? Toda adoração deve ter como foco Deus, e, por isso, tudo que compõe o culto deve direcionar a atenção para o Senhor. Embora um vídeo moderno e sofisticado possa cativar a congregação, muitas vezes uma abordagem mais simples é o melhor caminho. Afinal, o uso de mídias no culto deve promover uma adoração autêntica, e não apenas despertar emoções ou criar uma impressão superficial.

A mídia é edificante? O apóstolo Paulo disse: “‘Tudo me é permitido’ – você pode pensar –, mas nem tudo convém. ‘Tudo me é permitido’ – mas nem tudo edifica. Ninguém deve buscar o seu próprio bem, e sim o bem dos outros” (1 Coríntios 10:23–24). Um trecho de filme pode ilustrar perfeitamente um ponto do sermão, mas se o conteúdo for vulgar ou profano, não é prudente expor toda a congregação a ele. Se a mídia for utilizada apenas para entreter ou para dar à igreja uma aparência “descolada”, seu uso não traz benefícios. Agora, se ela glorifica Deus, edifica os fiéis e incentiva boas ações, então seu emprego se justifica plenamente.

A mídia é utilizada de forma apropriada para o público? Como diz Romanos 12:10: “Sejam dedicados uns aos outros com amor fraternal; prefiram uns aos outros a honra.” Esse princípio deve guiar todas as decisões relativas ao uso de mídias. É o áudio adequado? As letras das músicas ou os apontamentos do sermão estão disponíveis para aqueles que necessitam de apoio? A congregação compreenderá o contexto de um trecho de filme? Existem crianças pequenas que podem se distrair durante um sermão mais longo? Demonstrar amor e maturidade significa, muitas vezes, abrir mão de preferências pessoais em prol do bem e da comunhão entre os irmãos.

Conclusão

É impossível estabelecer diretrizes universais e específicas quanto ao uso de mídias nos cultos. As ideias apresentadas servem como fundamentos para reflexão. O propósito do culto é conhecer Deus, adorá-Lo e edificar a igreja, e não simplesmente entreter uma audiência passiva ou buscar ser “descolado” por si só. Ao escolhermos o uso de um recurso midiático, é essencial considerar as necessidades e expectativas da congregação, servindo uns aos outros com amor. Se trechos de filmes ou músicas especiais contribuem para esse objetivo, estamos livres para utilizá-los. Caso contrário, devemos, em oração, buscar a alternativa que mais glorifique a Deus e beneficie os membros da igreja.

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