É errado frequentar duas (ou mais) igrejas diferentes?

Pergunta

É errado frequentar duas (ou mais) igrejas diferentes?

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Resposta

O Novo Testamento não aborda diretamente o assunto de frequentar duas ou mais igrejas diferentes. A carta de Paulo aos Coríntios inicia-se indicando uma única igreja, enquanto o livro de Gálatas se dirige a várias igrejas na região. De qualquer forma, ou os crentes da época não se reuniam em mais de um grupo, ou a questão simplesmente não despertou a atenção do apóstolo. Hoje, porém, com a existência de múltiplas igrejas locais bem como congregações menores, surge a dúvida: é possível, ou mesmo aconselhável, frequentar duas ou mais igrejas regularmente?

Primeiramente, é importante compreender o propósito de se reunir em uma comunidade cristã. Quando os fiéis se unem em um corpo local de crentes, seguem o modelo observado no início da igreja, reunindo-se para o ensino dos apóstolos, comunhão, partilha do pão e oração. Os primeiros cristãos se encontravam tanto nos pátios dos templos quanto em suas próprias casas para continuar em louvor e adoração. Além disso, os crentes se juntavam para ministrar uns aos outros por meio dos dons do Espírito Santo, que são distribuídos para edificar a fé de cada membro.

A questão que se impõe é se conseguimos orar, conviver, aprender e exercer nossos dons espirituais de maneira efetiva quando divididos entre dois ou mais grupos de cristãos. Como a Bíblia permanece silenciosa sobre esse tema, não devemos adotar uma postura dogmática. O que se pode fazer é analisar a motivação por trás dessa escolha: o que leva alguns cristãos a buscarem experiências em diferentes igrejas e quais as implicações dessa prática.

Infelizmente, é comum que pessoas “pulem” de igreja em igreja com a intenção de selecionar apenas o que acham atrativo em cada congregação, sob a ideia de que nenhuma igreja seria capaz de suprir todas as suas necessidades. Assim, podem optar por uma igreja pela qualidade da música, por outra pelo sermão e por uma terceira pelas atividades sociais. O problema desse raciocínio é que o compromisso com uma comunidade cristã implica em oferecer, e não apenas receber. Devemos servir e ministrar uns aos outros com os dons espirituais que recebemos, o que se torna inviável quando o tempo dedicado a cada grupo é reduzido. Além disso, essa prática pode transmitir a impressão de falta de comprometimento com os demais crentes e com a liderança de uma única igreja, prejudicando o testemunho cristão.

Embora possam haver razões legítimas para alguém frequentar mais de uma igreja – e nada na Bíblia proíbe tal prática –, fica difícil enxergar como isso beneficiaria de maneira integral tanto o crente quanto as congregações que ele frequenta.

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