Pergunta
O que é o espírito de Jezabel?
Resposta
Há uma variedade de opiniões sobre o que constitui um espírito de Jezabel, que vão desde a liberalidade sexual de uma mulher até o ensino de doutrina falsa — seja por um homem ou por uma mulher. A Bíblia não menciona um espírito de Jezabel, embora fale muito sobre a própria Jezabel.

A história de Jezabel é encontrada em 1 e 2 Reis. Ela era filha de Etbaal, rei de Tiro/Sidom e sacerdote do culto a Baal, um falso deus cruel, sensual e repugnante, cujo culto envolvia degradação sexual e libertinagem. Acabe, rei de Israel, casou-se com Jezabel e conduziu a nação à adoração a Baal. O reinado de Acabe e Jezabel sobre Israel é um dos capítulos mais tristes da história do povo de Deus.
Dois incidentes na vida de Jezabel a caracterizam e podem definir o que se entende por “espírito de Jezabel”. Uma característica é sua obsessão em dominar e controlar os outros, especialmente no âmbito espiritual. Ao se tornar rainha, ela iniciou uma campanha implacável para eliminar de Israel quaisquer vestígios de adoração a Javé. Ordenou a extermínio de todos os profetas do Senhor e substituiu seus altares pelos altares de Baal. Seu maior inimigo foi Elias, que a desafiou a disputar no Monte Carmelo entre os poderes do Deus de Israel e os poderes de Jezabel e dos sacerdotes de Baal. Claro que Deus venceu, mas, apesar de ter conhecimento dos poderes miraculosos do Senhor, Jezabel se recusou a se arrepender e jurou por seus deuses que perseguiria Elias incessantemente para tirar-lhe a vida. Sua teimosa recusa em reconhecer e se submeter ao poder do Deus vivo a levaria a um fim horrível.
O segundo incidente envolve um homem justo chamado Nabot, que se recusou a vender a Acabe um terreno contíguo ao palácio, declarando corretamente que vender sua herança seria contra o mandamento do Senhor. Enquanto Acabe se lamentava e se irritava em seu leito, Jezabel zombava e ridicularizava-o por sua fraqueza e, em seguida, procedeu a incriminar o inocente Nabot, ordenando que ele fosse apedrejado até a morte. Os filhos de Nabot também foram apedrejados, para que não houvesse herdeiros, e a terra passasse a pertencer ao rei. Essa determinação obstinada de impor sua vontade, independentemente de quem seja destruído no processo, é uma característica do espírito de Jezabel.
A imoralidade sexual e a idolatria de Jezabel foram tão infames que o próprio Senhor Jesus a menciona, em um aviso à igreja de Tiatira. Provavelmente referindo-se a uma mulher da igreja que a influenciava da mesma maneira que Jezabel induziu Israel à idolatria e à imoralidade sexual, Jesus declara aos tatiaritas que essa atitude não deveria ser tolerada. Quem quer que essa mulher fosse, ela, assim como Jezabel, se recusou a se arrepender de sua imoralidade e de seus ensinos falsos, e seu destino ficou selado. O Senhor Jesus a lançou para um leito de enfermidade, juntamente com aqueles que praticaram idolatria com ela.
Não acreditamos que o espírito de Jezabel seja um demônio pessoal ou uma classe de demônios. Mas pode-se dizer que a mulher perversa em Tiatira estava agindo no “espírito” de Jezabel, isto é, possuía um caráter ou disposição semelhante ao dela e praticava os mesmos tipos de ações. Um conceito semelhante é o de João Batista agir “no espírito e poder de Elias”. Não se trata de Elias possuir João, mas de João exibir um caráter e uma disposição que lembram os de Elias.
A cultura moderna frequentemente utiliza o termo “espírito” de maneiras que não implicam em uma entidade pessoal possuindo alguém. Por exemplo, pode-se dizer que um político está “canalizando o espírito de Churchill”, o que significa que ele está modelando a maneira, a visão ou a política de Churchill. Um atleta pode atuar “no espírito” de Michael Jordan, o que provavelmente indica que ele teve uma excelente partida. Frequentemente ouvimos falar do “espírito de Natal”, do “espírito de boa vontade” e do “espírito de cooperação”, sem que se pense em uma entidade real ou em um espírito pessoal desincorporado.
Talvez a melhor forma de definir o espírito de Jezabel seja afirmar que ele caracteriza qualquer pessoa que age da mesma maneira que Jezabel, envolvendo-se na imoralidade, na idolatria, no ensino falso e no pecado sem arrependimento. Ir além disso – assumir que o espírito de Jezabel é um demônio específico (ou uma classe de demônios) – extrapola o que a Bíblia ensina. Essa conjectura pode levar a acusações infundadas na igreja e a divisões no corpo de Cristo.






