Por que Jesus disse que Ele foi enviado apenas para as ovelhas perdidas de Israel (Mateus 15:24)?

Pergunta

Por que Jesus disse que foi enviado apenas às ovelhas perdidas de Israel (Mateus 15:24)?

Resposta

Jesus estava na área de Tiro e Sidom, uma região costeira no extremo noroeste da Galileia (Mateus 15:21), quando uma mulher cananeia se aproximou Dele com um pedido de cura para sua filha possuída por demônios. Por um tempo, Jesus não respondeu aos pedidos da mulher, que O seguiu e continuou a implorar por misericórdia. Por fim, os discípulos, achando a mulher um incômodo, pediram que Jesus a mandasse embora. Então, Ele disse: “Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas de Israel” (Mateus 15:24).

Devemos entender as palavras de Jesus aqui não como uma rejeição absoluta aos gentios — momentos depois, Ele cura a filha da mulher (Mateus 15:28) —, mas como o cumprimento de uma profecia, uma definição de prioridades e um teste da fé da mulher.

Em Jeremias 50:6, Deus chama Israel de “Seu povo” e “ovelhas perdidas”. O Messias, mencionado ao longo do Antigo Testamento, era visto como aquele que reuniria essas “ovelhas perdidas” (Ezequiel 34:23-24; Miquéias 5:4-5). Quando Jesus se apresentou como pastor de Israel, Ele afirmava ser o cumprimento da profecia messiânica (Marcos 6:34, 14:27; João 10:11-16; veja também Hebreus 13:20; 1 Pedro 5:4; Apocalipse 7:17).

As palavras de Jesus à mulher cananeia também demonstram a consciência do papel de Israel no plano de salvação de Deus. Através de Moisés, Deus revelou que os filhos de Israel eram “um povo santo, o Senhor … escolhido … um tesouro especial acima de todos os povos sobre a face da terra” (Deuteronômio 7:6). Foi através dos judeus que Deus estabeleceu Sua Lei, preservou Sua Palavra e enviou Seu Filho. Por isso, em outra ocasião, Jesus disse a um samaritano que “a salvação procede dos judeus” (João 4:22). Em Mateus 15, quando o Messias judeu afirma ter sido enviado “à casa de Israel”, Ele liga Sua presença ao propósito divino expresso na história do Antigo Testamento. Cristo nasceu “sob a lei, para redimir os que estavam sob a lei” (Gálatas 4:4-5).

Todo ministério deve ter prioridades, e o ministério de Cristo não foi exceção. Ao enviar Seus discípulos para pregar as boas novas do reino, Jesus os instruiu explicitamente: “Não entrem no caminho dos gentios, nem entrem em uma cidade dos samaritanos. Mas vão, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mateus 10:5-6). Jesus não proibiu a pregação aos gentios; Ele apenas focou naqueles que conheciam a Lei e aguardavam o Messias. Paulo, em suas jornadas missionárias, seguiu essa mesma prioridade de pregar primeiramente aos judeus (Romanos 1:16).

Por fim, as palavras de Jesus à mulher cananeia serviram como um teste de sua fé. Ela O procurou crendo que Ele era o “Senhor”, o “Filho de Davi” e o doador de misericórdia (Mateus 15:22). A resposta tardia e a declaração aparentemente excludente levaram-na a manifestar, de forma ainda mais apaixonada e pública, sua fé no poder ilimitado de Jesus (Mateus 15:27).

Esse ato de compaixão e a cura de um gentio ilustram o ministério de Cristo para o mundo inteiro — o Messias judeu é também o Salvador de todos os que crerem (Mateus 28:19; João 10:16; Atos 10:34-36; Apocalipse 5:9).

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