É errado que um casal casado tenha relações sexuais apenas pelo prazer?

A Bíblia é clara sobre a origem do sexo: foi uma ideia de Deus. Ele criou os dois gêneros, e a sexualidade humana – com todas as suas nuances físicas, emocionais e espirituais – é uma invenção divina. Claro que o ato sexual serve para perpetuar a raça humana, mas o sexo tem um propósito que vai além do utilitário. Por design divino, o sexo é algo prazeroso e um ato íntimo que fortalece o vínculo entre marido e esposa. Algumas pessoas lutam contra a ideia de que o sexo pode ser fonte de prazer, acreditando que procurar o prazer físico é pecaminoso. Seria errado, portanto, que um casal casado tivesse relações sexuais apenas pelo prazer? Ou o sexo deveria ser reservado somente para os momentos de tentativa de concepção?

Devido à onipresença da pornografia e à distorção da sexualidade em nossa cultura, alguns, inclusive cristãos sinceros, podem acreditar que o sexo para o prazer é errado. Eles se sentem culpados por desfrutar do ato e preferem reservar o sexo apenas para a procriação, como se fosse algo a ser suportado apenas como meio de fazer filhos. No entanto, essa perspectiva não é bíblica. O sexo não equivale ao pecado – nem mesmo o sexo pelo prazer. Enquanto a imoralidade (como o sexo fora do casamento, segundo a definição divina) é condenada, as relações sexuais dentro do casamento são honradas nas Escrituras.

Um casal casado fazendo sexo apenas pelo prazer não comete um pecado diferente do que desfruta de uma sobremesa de chocolate juntos. Assim como a sobremesa não é consumida por sua função nutricional, mas pelo prazer que proporciona, o sexo pode ser uma fonte de deleite quando praticado com equilíbrio. Se o desejo se transformar em excessos ou em práticas inadequadas, aí sim haverá um problema. Mas apreciar o prazer do ato sexual, por si só, não é algo reprovável.

Um exemplo interessante vem do Antigo Testamento: o Cântico dos Cânticos descreve com riqueza a noite de núpcias, utilizando metáforas que enfatizam a paixão e o prazer mútuo. Tradicionalmente, os jovens hebreus só liam este livro a partir dos 12 anos, quando já eram considerados homens, o que ressalta a importância de perceber o amor e o deleite compartilhado entre os cônjuges. Esse texto demonstra que o sexo dentro do casamento pode ser simplesmente uma expressão de entrega e prazer mútuo, e não apenas um meio para a concepção.

A biologia do corpo humano também apoia a ideia de que o sexo é algo prazeroso. Deus moldou o corpo para responder de forma positiva e prazerosa ao toque em determinadas áreas. Ele poderia ter nos criado sem o desejo sexual e sem as sensações de prazer, mas escolheu nos presentear com ambos. Assim, o sexo não é apenas um meio de propagar a espécie, mas também um presente destinado a ser desfrutado com alegria.

Nas Escrituras, espera-se que o casal casado mantenha relações sexuais regulares, conforme indicado em passagens como 1 Coríntios 7:3–5, que enfatizam a importância de que marido e esposa satisfaçam as necessidades conjugais um do outro. A privação do ato, mencionada nesses versículos, não se refere à procriação, mas à retenção da intimidade, o que pode indicar que a plena vivência do prazer é parte integrante de um casamento saudável.

Seja para a procriação ou para o prazer, o sexo é um dom de Deus para a união matrimonial. Os desejos e as sensações de prazer foram criados pelo próprio Deus, que idealizou o casamento para que esses sentimentos fossem plenamente experimentados. O prazer verdadeiro, aquele que vem de Deus, é real e satisfatório, enquanto os prazeres enganosos que o mundo oferece fora do contexto conjugal se revelam vazios e destrutivos.

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