Deus criou o universo?

Pergunta

Deus criou o universo?

Resposta

O ensinamento das escrituras sobre a origem do universo se encontra em Gênesis 1:1, que afirma que, no princípio, Deus criou os céus e a terra. Stephen Hawking tenta contornar essa verdade – ou, pelo menos, tornar o Criador logicamente supérfluo para a questão do início do universo –, mas suas ideias não são novas, sendo apenas versões atualizadas de antigas tentativas de explicar como algo (ou seja, o universo) poderia surgir do nada.

Hawking apoia seu trabalho na existência da lei da gravidade. É sabido entre os físicos que a energia associada à força gravitacional é negativa, enquanto a energia associada à maioria dos objetos cotidianos (como bolas, carros etc.) é positiva. É possível que essas energias positiva e negativa se anulem, resultando em energia líquida zero. Duas situações com a mesma energia (ou sem diferença energizada) são, em um sentido físico, igualmente prováveis. Um exemplo seria uma bola de futebol na cozinha: ela poderia repousar junto à geladeira, ao fogão ou à mesa, já que cada posição possui a mesma energia, sem que nenhuma delas seja energeticamente preferida.

Hawking imagina a origem do universo de forma semelhante. Como é possível conceber a criação do universo como um “processo de energia líquida zero”, ele sugere que não haveria necessidade de explicar como ele poderia ter sido criado. Contudo, essa conclusão se baseia não tanto na física, mas nos pressupostos filosóficos do próprio Hawking. No exemplo da bola na cozinha, é concebível imaginar a bola repousando em qualquer lugar sem uma explicação; porém, é outra coisa afirmar que tanto a bola quanto o chão da cozinha surgiram do nada.

Essa abordagem não é novidade para os filósofos; ela remete a um dos problemas mais antigos na filosofia epicurista: “ex nihilo nihil fit” (literalmente, “do nada, nada vem”). As ideias de Hawking podem demonstrar que duas situações físicas (a existência do universo ou sua ausência) são energeticamente equivalentes, mas nada esclarecem sobre a questão de causa e efeito. Não é necessária uma explicação para que a bola permaneça junto ao fogão em vez de perto da geladeira, mas se a bola se deslocar, uma explicação se faz indispensável. Na física, nenhuma mudança ocorre sem uma causa; na linguagem filosófica, nenhum efeito acontece sem uma causa antecedente.

Assim, as ideias de Hawking não solucionam o problema; a questão da origem do universo permanece intacta. Não é possível criar algo a partir do nada. Apenas a ideia de um Criador consegue explicar adequadamente de onde o universo teria surgido. Além disso, a afirmação de Hawking de que a ciência sempre prevalecerá sobre a religião “porque funciona” revela um mal-entendido fundamental da filosofia da ciência. A verdade não é determinada pelo “o que funciona”, mas sim pela sua correspondência com a realidade que nos cerca. Ao dizermos que uma declaração é “verdadeira”, estamos afirmando que o conteúdo dessa declaração de fato descreve a realidade, independentemente de opiniões pessoais.

No entanto, ao tentarmos verificar se uma determinada declaração é verdadeira ou falsa (como acontece na ciência e na religião), a única forma conhecida é testá-la para “ver se funciona”. Por exemplo, suponha que queiramos determinar se a afirmação “Todos os gatos são castanhos” é verdadeira. Poderíamos iniciar nossa investigação reunindo gatos e inspecionando cada um para encontrar evidências que contradissessem a afirmação – bastando encontrar um gato cinza para torná-la falsa. Mas e se todos os gatos encontrados fossem, de fato, castanhos? Ainda assim, sabemos que o mundo possui gatos de diversas cores. Assim, mesmo que a afirmação aparentemente “funcione” nos testes, ela se torna evidentemente falsa. Portanto, o fato de algo “funcionar” não implica, por si só, que seja verdade.

Em resumo, o raciocínio de Hawking falha em fundamentos filosóficos. Ele tenta substituir Deus por uma lei física específica (a gravidade), sem abordar a questão primordial: a origem da própria lei física. De onde surgiu a lei da gravidade e como o nada pode produzir algo? Uma lei física não é o nada. Ademais, a concepção de múltiplos universos para evitar a conclusão do ajuste fino se mostra filosoficamente insustentável, motivada por pressupostos metafísicos e menos parcimoniosa do que a explicação teísta.

Por que a humanidade busca eliminar qualquer papel de Deus na criação do universo? A resposta é simples. A humanidade rejeita a ideia de Deus e não deseja estar sujeita à Sua lei, nem ser responsabilizada por nossas ações. Conforme consta na carta aos Romanos, embora as pessoas conhecessem a Deus, não O glorificavam nem O agradeciam, preferindo trocar a glória do Deus imortal por imagens de homens, pássaros, animais e répteis.

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