Jesus foi crucificado em uma cruz, poste ou estaca?

Foi Jesus crucificado em uma cruz, poste ou estaca?

A cruz é, indiscutivelmente, o símbolo mais amado de todo o Cristianismo. Ela adorna nossas igrejas e catedrais, nossas joias, livros e músicas, e aparece em inúmeros logotipos de marketing. A cruz vazia simboliza a obra realizada pelo nosso Salvador, que se entregou à morte voluntariamente para pagar a penalidade dos nossos pecados. Entre as últimas palavras de Jesus, antes de morrer, estava “Está consumado”. A Lei havia sido cumprida, as profecias messiânicas acerca da Sua primeira vinda se realizaram e a redenção se fez completa. Não é de se admirar que a cruz venha a simbolizar a maior história já contada – a da morte sacrificial de Cristo.

Isso pode surpreender muitos, mas a forma exata do objeto em que Jesus foi crucificado não pode ser comprovada explicitamente pela Bíblia. A palavra grega traduzida como “cruz” é stauros, que significa “um poste ou uma cruz utilizada como instrumento de pena capital”. O verbo grego stauroó, traduzido como “crucificar”, significa “ser afixado a um poste ou cruz”. Fora do contexto bíblico, esse mesmo verbo era empregado para descrever a montagem de uma cerca com estacas. Embora stauros possa significar tanto “poste” quanto “estaca”, muitos estudiosos defendem que Jesus provavelmente morreu em uma cruz, onde a trave vertical se projeta acima da travessa horizontal. Contudo, não é possível afirmar de maneira irrefutável – com base na Bíblia – se foi em uma cruz, em um poste ou em uma estaca. Os romanos não eram exigentes quanto à forma de crucificação. Sabemos, historicamente, que eles crucificavam pessoas em cruzes, postes, estacas, cruzes invertidas, cruzes em forma de “X” (como se diz que ocorreu com o apóstolo André), em paredes, telhados etc. Jesus poderia ter sido crucificado em qualquer um desses suportes, sem que isso comprometesse a perfeição ou a suficiência de Seu sacrifício.

Alguns grupos, e notadamente as Testemunhas de Jeová, afirmam com veemência que Jesus não morreu em uma cruz, alegando que este seria, na verdade, um símbolo pagão. Essa objeção é curiosa, considerando a ambiguidade da palavra grega. A tradução adotada na Nova Versão Mundial foi formulada de maneira a afirmar que Jesus morreu em uma “estaca de tortura”, e não em uma cruz. Considerando que as Testemunhas de Jeová também negam a divindade de Cristo e Sua ressurreição corporal, faz sentido que elas se oponham a outros aspectos do cristianismo tradicional.

Várias pistas indiretas no Novo Testamento contestam a ideia de que Jesus morreu em uma “estaca de tortura”. Uma delas está registrada em João 21, onde Jesus oferece a Pedro uma antecipação de sua própria morte: “Quando você for mais velho, estenderá as mãos, e outro o vestirá e o conduzirá para onde não deseja ir.” Essas palavras indicam o modo de morte pelo qual Pedro glorificaria a Deus – e, segundo a tradição, Pedro também teria sido crucificado. O fato de ele “estender” as mãos sugere que a crucificação romana costumava envolver braços abertos, como os que se posicionariam na travessa de uma cruz.

Outra evidência de que Jesus foi crucificado em uma cruz encontra-se em João 20. No episódio em que Tomé manifesta sua dúvida, ele declara: “Se eu não vir as marcas dos pregos em suas mãos, e não colocar o meu dedo onde estiveram os pregos, e não colocar a minha mão no seu lado, eu não crerei”. A menção de Tomé aos pregos (no plural) que feriram as mãos de Jesus é significativa. Caso Ele tivesse sido crucificado em uma estaca ou poste, provavelmente teria sido usado apenas um prego. A presença de dois pregos nas mãos aponta para o método tradicional da crucificação em cruz.

Perdemos de vista, em meio a disputas sobre a forma da cruz, seu verdadeiro significado para nós. Jesus ensinou: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa, a encontrará.” A cruz – seja ela estaca, poste ou cruz – foi um instrumento de morte. Ao nos chamar para “tomar a nossa cruz e segui-lo”, Jesus nos convida a morrer para o nosso próprio ego, a renunciar a nós mesmos para sermos Seus verdadeiros seguidores. Se nos intitulamos “cristãos”, devemos negar nossos desejos pessoais e sacrificar nossas vidas por Ele. Esse sacrifício pode chegar à forma extrema do martírio, mas mesmo em situações menos dramáticas, é necessário estar disposto a renunciar à autopromoção, ao orgulho e às ambições egoístas para verdadeiramente segui-Lo. Aqueles que não se dispõem a fazer isso, segundo as palavras de Jesus, não são dignos d’Ele.

Portanto, Jesus morreu em uma cruz? Acreditamos que sim. Poderia ter sido em um poste ou estaca? Possivelmente, se desconsiderarmos o relato de Tomé. Contudo, mais importante do que a forma do objeto em que Jesus foi crucificado é o fato de que Ele derramou Seu sangue pelos nossos pecados, garantindo-nos a vida eterna.

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