Se um homem tem várias esposas e se torna cristão, o que ele deve fazer?

Se um homem tem várias esposas e se torna cristão, o que ele deve fazer?

Como a poligamia é malvista na maioria das sociedades, essa não é uma pergunta com a qual muitas pessoas se detenham. Contudo, ainda há diversos lugares no mundo onde a poligamia é aceita. Muitos países muçulmanos permitem essa prática, e, em várias nações africanas, é relativamente comum que um homem possua múltiplas esposas. Inclusive nos Estados Unidos, algumas comunidades apoiam a poligamia. No entanto, a maioria dos estudiosos da Bíblia concorda que a poligamia não é para os cristãos.

Muitos acreditam que o caminho seria “divorciar-se de todas, exceto uma esposa”. Embora essa possa parecer uma solução ética à primeira vista, a situação geralmente não é tão simples. Por exemplo, qual esposa deve ser escolhida? A primeira, a última, a preferida ou aquela que gerou mais filhos? E o que dizer das esposas das quais ele se divorciaria? Em muitas culturas que permitem a poligamia, uma mulher já casada possui poucas oportunidades para se sustentar e ainda menos chances de encontrar um novo companheiro. Além disso, os desafios se estendem aos filhos dessas uniões, tornando a situação bastante complicada e sem uma resposta única.

Não acreditamos que a poligamia seja algo aprovado por Deus na atualidade. Contudo, a Bíblia em nenhum momento apresenta explicitamente o mandamento “não se deve casar com múltiplas esposas”. No Novo Testamento, um poligamista não é elegível para posições de liderança na igreja (1 Timóteo 3:2, 3:12; Tito 1:6), mas o ato em si não é condenado de forma explícita. A prática da poligamia nunca foi a intenção original de Deus (conforme Gênesis 2:24 e Efésios 5:22-33), embora Ele a tenha permitido em certas circunstâncias, como nos exemplos de Jacó, Davi e Salomão. A passagem mais próxima de uma proibição direta é encontrada em Deuteronômio 17:17, a qual deve ser entendida como uma advertência ao rei de Israel para que não se case com muitas esposas, e não como uma regra geral para todos os homens.

Portanto, se um homem com múltiplas esposas se converte ao cristianismo, quais são as suas opções? Se a poligamia for ilegal em seu país, ele deve cumprir a lei, continuando a cuidar de suas esposas e filhos. Se a poligamia for legal, mas ele sentir que a prática é errada, o ideal seria se divorciar de todas, exceto uma, sem, contudo, negligenciar o suporte financeiro e emocional de todas elas e de seus filhos. Por outro lado, se a prática é legal e ele não tem convicções contrárias, poderá permanecer casado com todas as suas esposas, tratando cada uma com amor, dignidade e respeito. Nesse último caso, embora ele fique impedido de assumir funções de liderança na igreja, não se pode afirmar que esteja em violação de algum comando explícito das Escrituras.

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