Os “anjos” das igrejas em Apocalipse 1-3 são anjos reais ou são mensageiros humanos?

No capítulo 1 de Apocalipse, o apóstolo João vê o Cristo glorificado em uma visão. Jesus está, entre sete candeeiros de ouro, e em Sua mão segura sete estrelas. No versículo 20, Jesus explica: “O mistério das sete estrelas que viste em minha mão direita e dos sete candeeiros de ouro é este: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros que viste são as sete igrejas.”

O significado dos candeeiros é claro: eles representam as sete igrejas da Ásia Menor. Sabemos que um candeeiro tem a função de iluminar, e o povo de Deus, tanto individualmente quanto enquanto congregação, deve ser portador de luz. Jesus disse a Seus seguidores que eles eram a “luz do mundo”, e Paulo destacou à igreja de Filipos que eles eram “vistos como luzes no mundo”. Considerando que Jesus é a “verdadeira luz” do mundo, faz sentido que Ele esteja entre os candeeiros, pois a luz que emana das igrejas vem d’Ele. Assim, as estrelas na mão de Jesus também representam portadores de luz.

Porém, o significado dos anjos é menos evidente. A palavra grega angelos significa simplesmente “mensageiro” e, geralmente, era usada para designar mensageiros sobrenaturais enviados por Deus. Contudo, por vezes, o termo também era aplicado a mensageiros humanos da Palavra de Deus, como ocorre com João Batista, que é denominado “angelos” em Mateus 11:10.

Alguns estudiosos interpretam os anjos de Apocalipse 1:20 como seres celestiais. Outros os entendem como os mensageiros humanos que levaram a carta de João. Há também os que os identificam com aqueles que efetivamente leram a mensagem às congregações, isto é, os líderes das igrejas, como pastores, anciãos ou bispos. Um pastor atua como mensageiro de Deus, transmitindo a Sua Palavra à comunidade.

Se os anjos das sete igrejas fossem seres celestiais, isso poderia significar que cada igreja teria um “anjo da guarda” ou algum tipo de ser celestial associado a ela. No entanto, essa interpretação apresenta dificuldades, pois João estava escrevendo as cartas para as congregações, e não faz sentido que ele escrevesse cartas a anjos para que fossem lidas posteriormente pelos seres celestiais.

Uma interpretação mais plausível é que os “anjos” sejam enviados a João. Durante o período em que o apóstolo esteve exilado na ilha de Patmos, é possível que as congregações locais tenham enviado delegados para saber de sua situação. Esses delegados poderiam ser os “anjos” ou “mensageiros” encarregados de portar as cartas durante o retorno.

Provavelmente, a melhor interpretação é que os sete anjos sejam os líderes humanos — bispos, anciãos ou pastores — das igrejas. Jesus utilizou o apóstolo João para redigir mensagens dirigidas a sete importantes líderes das igrejas, os quais, por sua vez, compartilhariam as mensagens com o restante da congregação. O fato de as “estrelas” estarem na mão direita de Jesus é significativo, pois revela que o próprio Senhor protege, sustenta e guia os líderes da igreja com Sua força e sabedoria.

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