Por que as pessoas mantinham ídolos familiares na Bíblia?

Por que as pessoas mantinham ídolos familiares na Bíblia?

A Bíblia menciona várias pessoas que possuíam terafins ou ídolos domésticos. Essas imagens eram utilizadas como talismãs para atrair bênçãos para o lar. Duas mulheres casadas com homens de Deus mantinham ídolos familiares — Raquel e Mical.

Raquel era esposa de Jacó e filha de Labão. Quando Jacó tentou levar sua família discretamente embora de Labão, rumo à sua terra natal, Labão o perseguiu com um grupo de homens. Ao alcançá-lo, Labão o acusou de ter roubado seus ídolos domésticos. Jacó, sem saber que Raquel havia furtado os ídolos, declarou: “Aquele com quem você encontrar seus deuses não viverá. Na presença dos nossos parentes, aponte o que tenho de seu e leve-o” (Gênesis 31:32).

O livro de Gênesis não explica o motivo pelo qual Raquel roubou os ídolos domésticos. Talvez ela sentisse uma nostalgia por manter algum objeto de sua antiga casa, e os terafins eram os mais notórios. Outra possibilidade é que os ídolos fossem feitos de materiais valiosos; nesse caso, Raquel pode tê-los levado para obter ganhos financeiros. Ou ainda, pode ser que ela acreditasse no poder dessas imagens, furtando-as por um medo supersticioso de se mudar de casa, já que passou toda a sua vida convivendo com ou perto de seu pai e provavelmente sentia ansiedade com a mudança. Assim, os ídolos domésticos funcionavam como um amuleto de boa sorte para ela.

Basicamente, parece que Raquel continuou a aderir a superstições e práticas espirituais pagãs, herdadas da família de seu pai. Ainda hoje, muitos cristãos têm dificuldade em abandonar práticas não cristãs que fazem parte das tradições familiares.

Mical, esposa do rei Davi, também possuía terafins. Em determinado momento, seu pai, Saul, enviou homens para matar Davi. Mical ajudou Davi a escapar por uma janela e, em seguida, pegou um grande ídolo doméstico e o colocou em sua cama. Ela disfarçou a imagem sob um cobertor para se passar por Davi, ganhando assim tempo para facilitar a fuga de seu marido. Evidentemente, esse grande ídolo já estava presente em sua casa. O texto não explica sua presença, embora alguns comentaristas supõem que Saul já havia abandonado o Senhor e se voltado para os ídolos nessa época. Mical pode ter contrabandeado o ídolo da casa de seu pai para a de Davi, quando passou a morar com ele.

Curiosamente, em ambos os casos, a esposa de um homem piedoso continuou a ser influenciada por práticas espirituais pagãs herdadas de sua família. Isso demonstra que os pais exercem uma forte influência espiritual sobre seus filhos, influência essa que frequentemente perdura na vida adulta. No caso de Raquel, essa influência levou a uma situação de risco.

Ídolos não devem fazer parte da vida de um cristão de nenhuma forma. As Escrituras deixam claro que existe apenas um Deus, e somente a Ele se deve servir. Qualquer imagem ou estátua utilizada hoje como amuleto de boa sorte é um exemplo dos terafins modernos. Uma imagem de São José empregada para vender uma casa, uma imagem de São Cristóvão para proteger viajantes ou uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe para transmitir graça – todos esses são ídolos domésticos que remetem ao paganismo e não deveriam fazer parte do lar cristão.

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