O que a Bíblia diz sobre burnout?

O que a Bíblia diz sobre burnout?

Pergunta

Qual é a orientação bíblica sobre o burnout?

Resposta

Quem já passou por burnout sabe que não é algo que se deseja vivenciar novamente. Geralmente, o burnout é descrito como um estado de exaustão em que a pessoa perde o interesse em uma atividade específica e até mesmo na vida como um todo. Trata-se de um esgotamento emocional, físico, social e espiritual que pode levar a uma piora na saúde, ao isolamento social, à depressão e a uma sensação de desânimo espiritual. Muitas vezes, o burnout resulta de um período prolongado de esforço em determinada tarefa – geralmente sem nenhum resultado aparente ou fim à vista – ou de carregar responsabilidades em excesso, como acontece com aqueles que trabalham em profissões de ajuda ou em posições de autoridade. Esse estado pode ser comum entre pessoas que atuam em trabalhos de alta pressão, obrigadas a agradar um “mestre terreno” para manter seus empregos e sustentar suas famílias. Na cultura ocidental, o “deus do dinheiro” reina e suas exigências podem frequentemente levar ao burnout. Cristãos também não estão imunes às pressões das realidades econômicas ou ao medo de não conseguir suprir essas demandas. Infelizmente, o burnout é comum também entre aqueles que atuam no ministério cristão ou que se dedicam muito à igreja, quando se sentem compelidos a servir um “deus da produtividade e das obras”. O burnout pode ocorrer em qualquer lugar, quando as exigências ou responsabilidades – impostas por outros ou por nós mesmos – se tornam insuportáveis. Então, o que a Bíblia diz sobre o burnout?

Jesus disse: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”. A solução definitiva para quem está passando por burnout é encontrar renovação em Cristo. Para aqueles com níveis particularmente elevados de burnout, essa renovação pode incluir buscar apoio médico e alterar drasticamente suas atividades diárias. Outros podem encontrar alívio ao procurar um conselheiro. A leitura de passagens bíblicas encorajadoras pode ser muito revigorante. Mesmo atividades simples, como cozinhar, caminhar, brincar com os filhos ou assistir a um programa de humor, podem ser restauradoras.

O plano de prevenção do burnout é descansar em Jesus e seguir a Sua direção para a vida.

O burnout é frequentemente resultado da autoconfiança excessiva. Quem se apoia demais em si mesmo assume o papel de salvador, em vez de confiar que Deus realizará a Sua vontade. Essas pessoas passam a ver cada necessidade como um chamado pessoal, em vez de buscar a sabedoria e orientação divinas. Isso pode se manifestar, por exemplo, em um ministério, quando um pastor tenta fazer o trabalho de todo o Corpo de Cristo; em um ambiente empresarial, quando alguém impõe um plano ou projeto; ou na família, quando um pai assume sozinho a responsabilidade pelo sucesso e pela felicidade de um filho.

Outra causa do burnout é a falta de autocuidado. Quem não cuida de si mesmo não compreende o quanto Deus os valoriza, deixando de aceitar o descanso e o amor que Ele oferece e, em vez disso, martirizando-se no altar de agradar aos outros. Pode-se sacrificar o sono, oferecer uma alimentação inadequada, sobrecarregar a agenda ou negligenciar outras necessidades. Seja por falta de autocuidado ou pela insistência na autossuficiência, o burnout tem como origem a incompreensão do caráter de Deus e das Suas expectativas para nossas vidas.

O trabalho faz parte do chamado humano e está relacionado à nossa necessidade de encontrar sentido e propósito. Cristãos também são chamados a ser abnegados, chegando a dar além de si mesmos. Contudo, em nenhum lugar a Bíblia equaciona a nossa identidade ou aceitabilidade ao nosso trabalho. Nem Deus ordena ou aprova que trabalhemos a ponto de nos esgotarmos. Nosso trabalho deve ser energizado por Ele. Deus demonstrou a importância do descanso no sétimo dia da criação e por meio do mandamento do sábado. Após um período especialmente agitado, Jesus convidou Seus discípulos a se retirarem das multidões para um tempo de descanso. Jesus nos convida a levar nossas cargas a Ele e a aceitar o Seu jugo, e ainda nos concedeu o Espírito Santo, que nos orienta a discernir em quais tarefas devemos dizer “sim”.

Moisés poderia ter chegado ao burnout, se não fosse pelo sábio conselho de seu sogro, Jetro. Moisés acreditava que estava fazendo a vontade de Deus ao julgar e ouvir os casos do povo. Porém, Jetro reconheceu corretamente que essa não era uma tarefa para uma única pessoa. Eventualmente, Moisés se esgotaria, deixando o povo insatisfeito. Para evitar o burnout, Moisés precisou aceitar que nem toda necessidade era sua responsabilidade. Deus o designou para a liderança, e não para desempenhar todas as funções. Jetro aconselhou Moisés a delegar a tarefa de julgar a outros homens de confiança. Assim, a justiça era assegurada, mais pessoas podiam participar do plano de Deus e as necessidades pessoais de Moisés também eram atendidas.

Da mesma forma, os apóstolos da igreja primitiva delegaram algumas tarefas ao nomear diáconos para ajudar a suportar as responsabilidades do ministério. Jesus oferece descanso para as nossas almas, estabelece limites para nossas agendas e nos fornece uma comunidade que compartilha o trabalho que Ele preparou para nós. O Corpo de Cristo deve funcionar como um todo, com cada membro auxiliando o outro, todos descansando em Cristo.

O autor de Hebreus exorta: “Corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, tendo os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Pela alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Pensem naquele que, suportando tal oposição dos pecadores, não se deixou abater, para que vocês não se cansem nem desanimem.” Para perseverar – continuar no chamado sem esgotar-se – é fundamental manter o foco em Jesus. Em outras palavras, precisamos permanecer conectados à videira. Esse é um conselho bíblico e também psicológico. Estudos indicam que evitar o burnout está relacionado ao bem-estar espiritual. Quanto melhor nos sentimos espiritualmente, menos propensos estaremos a ultrapassar os limites estabelecidos por Deus ou a trabalhar além do que Ele deseja. Passamos a reconhecer com mais clareza o que Deus nos chama a fazer – e o que não nos chama. Deus nos equipa para realizar o que Ele designa, e quando Ele enche continuamente o nosso espírito, é impossível que nos esgotemos.

Mas como colocar em prática esse confiar em Jesus? Isso variará de pessoa para pessoa. Para alguns, significará examinar o próprio coração e eliminar os ídolos da autossuficiência. Para outros, será um desafio à sua confiança em Deus ao aprender a dizer “não”. Alguns buscarão consultar Deus antes de aceitar o “sim”, enquanto outros passarão a ser mais intencionais com o autocuidado. Cuidar de si mesmo não significa apenas tratar o corpo como templo do Espírito – praticando exercícios, dormindo bem e se alimentando adequadamente – mas também reservar tempo para rir, se dedicar a hobbies, estar com amigos, ficar a sós, fazer uma caminhada, tomar um banho relaxante, ler um livro, escrever num diário… enfim, desfrutar das coisas que Deus criou para nos dar vida.

Optar por depender de Jesus pode ter consequências reais. Muitas vezes, ao começarmos a estabelecer limites para evitar o burnout, aqueles ao nosso redor não reagem bem. Quando uma pessoa está acostumada com o seu “sim” constante, pode ter dificuldade em aceitar um “não”. Empregadores, familiares e membros da igreja podem não compreender suas atitudes. Talvez você acabe perdendo algumas relações, mas também poderá experimentar vínculos ainda mais profundos e apreciar verdadeiramente as atividades da vida.

Quando seguimos a Deus, podemos confiar que Ele é fiel para prover nossas necessidades. Deus nos criou e sabe o que é melhor para nós; por isso, ao confiarmos n’Ele, temos a segurança de que Ele endireitará os nossos caminhos. É preciso sabedoria, discernimento e fé para viver dentro dos parâmetros de Deus, mas é aí que encontramos a verdadeira vida.

Recuperamo-nos do burnout ao entrar no descanso de Deus. Evitamos o burnout futuro mantendo-nos alinhados com a direção específica de Deus para as nossas vidas – consultando-O sobre nossas agendas, cuidando de nós mesmos e dependemos de Sua força para cumprir nossos deveres. Nossa identidade não vem das tarefas que realizamos, mas do nosso relacionamento com Jesus. Fazemos o trabalho que Ele nos convoca e o realizamos com todo o nosso coração, sem ultrapassar os limites que Ele estabeleceu. Aceitamos a ajuda dos outros, pois fomos chamados à comunidade, e aceitamos o descanso que Ele nos oferece como um dom gracioso de um Pai sábio e amoroso. Deus se preocupa mais com o nosso relacionamento com Ele do que com o nosso desempenho no trabalho. Não há nada de espiritual em “se esgotar por Jesus”.

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