O que significa que as boas obras são o resultado da salvação?

O que significa que as boas obras são o resultado da salvação?

Está claro que a salvação não é resultado de boas obras. Antes de sermos salvos, nossas ações são feitas segundo a nossa natureza carnal e não podem agradar a Deus; mesmo nossos feitos mais “justos” ficam aquém da glória divina. Só podemos ser salvos porque Deus é gracioso e misericordioso, tendo desenhado um caminho para que sejamos declarados justos quando, por nós mesmos, não o somos. Quando Jesus se fez pecado por nós, herdamos Sua justiça. A salvação representa uma troca divina: nossas tentativas falhas com o esforço próprio pelo perfeito exemplo de Cristo. Por meio da Sua morte e ressurreição, o preço pelos nossos pecados foi pago, podendo, assim, ser declarados perfeitos diante de Deus. Assim, somos exortados a “vestir o Senhor Jesus Cristo” como um magnífico manto.

No momento da salvação, o Espírito Santo passa a habitar o coração arrependido. O ego deixa de ser o senhor indiscutível de nossas vidas e Jesus passa a reinar. Essa mudança de direção transforma completamente a nossa perspectiva, fazendo-nos enxergar a vida a partir do ponto de vista de Deus e não mais segundo a nossa própria visão. Como certo renomado escritor já declarou, “eu era cego, mas agora vejo”.

Os pecados cometidos anteriormente, sem reflexão, agora nos causam profunda convicção. Conhecer a Deus é perceber o pecado da forma como Ele o vê: aquele que é nascido de Deus não persiste no pecado, pois a semente divina permanece nele. Em outras palavras, o crente verá uma diminuição progressiva dos seus hábitos pecaminosos. Embora os crentes possam ainda pecar, eles não manterão o pecado como estilo de vida. Haverá uma distinção nítida entre a antiga vida sem Cristo e a nova vida Nele. O cristão renascido produz “fruto condizente com o arrependimento”. A salvação nos capacita a viver “no Espírito” e, dessa forma, a praticar genuínas boas obras.

Deus nos formou para realizarmos boas obras—ações que Ele, de antemão, preparou para nós. Seu propósito ao nos salvar não foi apenas nos livrar do inferno, mas também nos transformar, fazendo com que reflitamos Seu caráter e bondade para o mundo. Deus se deleita ao ver-nos cada vez mais semelhantes ao Seu Filho, pois fomos criados à Sua imagem. O pecado havia distorcido essa imagem, mas, ao nos resgatar, Ele restaurou Sua semelhança em nós, libertando-nos para que nos tornássemos tudo aquilo para o que fomos criados. Quando o Espírito Santo passa a habitar em nosso íntimo, Ele nos incita a realizar ações que glorificam a Deus. Assim, o nosso desejo de agradar a Deus cresce à medida que nossa compreensão sobre Ele se aprofunda, e esse anseio naturalmente se manifesta por meio de boas obras.

É incongruente afirmar que alguém foi salvo sem ter sofrido qualquer mudança. Muitas pessoas manifestam externamente que entregaram suas vidas a Cristo, mas não apresentam nenhuma mudança de estilo de vida. Isso não representa salvação verdadeira, mas sim uma fé “mortificada”. Assim como ao acender um interruptor em um cômodo escuro esperamos que haja luz, quando um coração imerso em trevas recebe a luz da salvação, ele se transforma. Prioridades, desejos e perspectivas mudam, e a vida passa a ser vista com clareza. Se a escuridão do pecado persistir, é evidente que a luz não se manifestou.

Utilizando outra analogia bíblica, Deus deseja produzir fruto em nossas vidas. Ele é o agricultor que cuida da videira, Jesus é a própria videira, e nós somos os ramos. Os ramos, naturalmente, permanecem fixos na videira; deles dependem o nosso vigor, a nossa capacidade de produzir fruto e a própria vida. Jesus afirmou: “Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se permanecerem em mim e eu em vocês, darão muito fruto.” Esse é o propósito da vinha: produzir “muito fruto”. Dessa forma, as boas obras são a consequência natural da salvação.

Portanto, embora não possamos ser salvos por nossas boas obras, quando somos salvos, elas acontecem em nossas vidas. Assim como um bebê cresce após o nascimento, o crente também amadurece após o novo nascimento. O ritmo e a forma desse crescimento podem variar, mas a vida renovada inevitavelmente se transforma. Um bebê que jamais cresce demonstra que há algo de errado; ninguém espera que um bebê permaneça nessa condição para sempre. Conforme o crescimento avança, a criança passa a semelhar-se cada vez mais aos seus pais. De modo similar, após a salvação, nós amadurecemos e passamos a refletir cada vez mais a imagem de nosso Pai Celestial, isso ao permanecermos em comunhão com Ele e permitindo que Ele reproduza Seu caráter em nós.

As boas obras não geram a salvação; elas são o resultado da salvação. Jesus ensinou aos Seus seguidores que a luz que brilha em nossas vidas, manifestada por meio de nossas boas ações, é um reflexo da glória de nosso Pai celestial.

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