Pergunta
A Bíblia apoia a eugenia?
Resposta
A eugenia é um movimento social que defende a suposta melhora da população humana por meio de acasalamentos seletivos e outros métodos. Desenvolvida originalmente por Francis Galton, primo de Charles Darwin, e baseada na teoria da evolução de Darwin, a palavra eugenia significa literalmente “bom nascimento” e tem origem em um termo grego que quer dizer “bem nascido, de boa linhagem, de raça nobre.” Seu objetivo é tornar o mundo (ou pelo menos um país) um lugar melhor, orientando a reprodução humana e “purificando” o acervo genético.
Os defensores da eugenia advogam a triagem genética, controle de natalidade, segregação, transumanismo, eutanásia, esterilização compulsória, gravidezes forçadas e aborto. A eugenia foi praticada abertamente nas primeiras décadas do século XX em muitos países, inclusive nos Estados Unidos, onde diversas leis estaduais permitiram a esterilização forçada de pessoas institucionalizadas. Em um desses casos, uma lei na Virgínia resistiu a um desafio judicial, tendo o juiz da Suprema Corte, Oliver Wendell Holmes, Jr., afirmado que “seria melhor para todo o mundo, se, em vez de esperar para executar descendentes degenerados por seus crimes ou deixá-los morrer de inanidade, a sociedade impedisse que pessoas manifestamente incapazes continuassem sua espécie” (caso Buck v. Bell, 1927). Após a Segunda Guerra Mundial, o termo eugenia caiu em descrédito com o conhecimento das atrocidades cometidas pelos nazistas.
Margaret Sanger, fundadora da maior provedora de aborto dos Estados Unidos, também defendia a eugenia. Ela criticava o “acasalamento imprudente” dos “inaptos”. Em seu livro Woman and the New Race, Sanger chegou a afirmar que “a coisa mais misericordiosa que uma família numerosa pode fazer por um de seus membros é matá-lo” e expressou o desejo “de criar uma raça de verdadeiros pura-sangues; preferia que a sociedade produzisse mil pura-sangues a um milhão de maníacos.”
A Bíblia não menciona especificamente a eugenia, mas a ideia subjacente a ela – de que o homem pode se aperfeiçoar eliminando do mundo as pessoas “indesejáveis” – definitivamente não é bíblica. Além disso, os métodos defendidos pelos eugenistas, como aborto, eutanásia e segregação racial, são práticas perversas. Deus ordenou à humanidade que se multiplicasse e enchesse a terra (Gênesis 1:28; Gênesis 9:1, 9:7), e nenhuma exceção a esse mandamento é apresentada nas Escrituras, tampouco há qualquer indicação de alteração racial nesse comando. Para os engenheiros sociais, usurpar a autoridade de Deus sobre a vida e a morte a fim de criar uma “raça dominante” é uma atitude maligna. Segundo a visão bíblica, existe apenas uma raça – a raça humana –, pois todos descendem de Adão e Eva. A discriminação racial e a noção de superioridade étnica contrariam a própria natureza de Deus, que “não faz acepção de pessoas, mas aceita de todas as nações quem o teme e pratica a justiça” (Atos 10:34–35).
O teólogo inglês G. K. Chesterton escreveu, em seu livro de 1922 Eugenics and Other Evils, que “não há razão na eugenia, mas há muitos motivos. Seus defensores são extremamente vagos em relação à teoria, porém se mostram dolorosamente práticos quanto à sua prática.” Como essa prática envolve aborto e eutanásia, a eugenia equivale, em essência, a assassinato.
Embora o termo eugenia não seja comumente utilizado hoje em dia, sua filosofia subjacente ainda pode ser encontrada na genética médica. A triagem genética e a manipulação dos genes fetais são, em muitos aspectos, vestígios dessa prática. Quando é diagnosticado um possível defeito genético em um feto, alguns casais optam pelo aborto. Por exemplo, nos Estados Unidos, estima-se que 67% dos fetos diagnosticados com Síndrome de Down são interrompidos; na França, 77%; na Dinamarca, 98%; e na Islândia, praticamente 100%. Trata-se de eugenia sob outra nomenclatura, enquanto as pessoas continuam tentando identificar e eliminar o material genético que consideram “indesejável” ou “inapto”.
A eugenia é um experimento de engenharia social sem mérito e imoral, uma ladeira escorregadia na qual os “loucos científicos”, como dizia Chesterton, abdicam da autoridade de Deus para tentar criar uma utopia terrena. Séculos atrás, Jó lamentava o mal de seu tempo: “Quando chega o escuro, o assassino se levanta, mata os pobres e necessitados, e do modo sorrateiro, à noite, rouba como um ladrão” (Jó 24:14). Esse é o papel do eugenista: eliminar os pobres e necessitados, os que ele considera “indignos”, prevenindo, ao seu modo, uma “baixa qualidade de vida” por meio do homicídio, da negação da liberdade individual e da usurpação do papel que cabe somente a Deus.
Em certa ocasião, enquanto Jesus e seus discípulos caminhavam por Jerusalém, os discípulos perguntaram sobre um homem que havia nascido cego, querendo saber “quem pecou, este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?” (João 9:2). Jesus respondeu que “nem este homem nem seus pais pecaram, mas isso aconteceu para que as obras de Deus fossem manifestadas nele” (João 9:3). Quem somos nós para decidir quem demonstra ou não as obras de Deus?
Em contraste direto com a eugenia, a Bíblia nos instrui a defender os fracos e os desfavorecidos: “Defenda o direito dos fracos e necessitados… Socorra os pobres e o desamparado” (Salmo 82:4); “Bem-aventurados são os que se compadecem dos pobres” (Salmo 41:1, e veja também Mateus 25:35–36 e Atos 20:35). Matar os desfavorecidos, eliminar aqueles que os mais afortunados determinam ser “inapto” para a vida ou eliminar os fracos é, na essência, uma ação profundamente contrária à vontade de Deus.






