O que significa que Deus enviou Jesus na “plenitude do tempo”? Por que Deus enviou Jesus quando o fez?
“Mas quando o tempo se completou, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei”. Esse versículo declara que Deus Pai enviou Seu Filho quando “o tempo se completou”. Havia muitos acontecimentos no contexto do primeiro século que, ao menos segundo o raciocínio humano, pareciam tornar esse período ideal para a vinda de Cristo.
Havia uma grande expectativa entre os judeus daquele tempo de que o Messias chegaria. O domínio romano sobre Israel alimentava a ânsia dos judeus pela chegada do Messias.
Roma havia unificado grande parte do mundo sob seu governo, proporcionando uma sensação de unidade entre diversas terras. Além disso, como o império vivia um período relativamente pacífico, a possibilidade de viajar facilitava a propagação do evangelho pelos primeiros cristãos. Essa liberdade de locomoção seria impossível em outras épocas.
Enquanto Roma conquistava pelo poder militar, a Grécia exercia sua influência culturalmente. Uma forma “comum” da língua grega (diferente do grego clássico) era utilizada como língua do comércio em todo o império, possibilitando que o evangelho fosse comunicado a diversos grupos de pessoas por meio de um idioma compartilhado.
O fato de que muitos falsos deuses não conseguiram dar vitória aos seus adoradores sobre os conquistadores romanos fez com que muitos abandonassem a adoração a esses ídolos. Ao mesmo tempo, nas cidades mais “cultas”, a filosofia e a ciência gregas da época deixavam outros espiritualmente vazios, de maneira semelhante ao vazio espiritual deixado pelo ateísmo dos governos comunistas nos dias de hoje.
As religiões mistéricas da época enfatizavam um salvador-divino e exigiam que os adoradores oferecem sacrifícios sangrentos, o que tornava o evangelho de Cristo — que envolvia um sacrifício único e definitivo — algo crível para eles. Os gregos também acreditavam na imortalidade da alma (mas não do corpo).
O exército romano recrutava soldados das províncias, apresentando esses homens à cultura romana e a ideias (como o evangelho) que ainda não haviam alcançado aquelas regiões periféricas. A introdução inicial do evangelho na Grã-Bretanha foi resultado dos esforços dos soldados cristãos estacionados na região.
Essas afirmações são baseadas na análise daqueles que viveram à época e especularam sobre o porquê de aquele momento particular na história ter sido oportuno para a vinda de Cristo. Contudo, sabemos que os caminhos de Deus não são os nossos, e essas razões podem ou não ter sido alguns dos motivos pelos quais Ele escolheu aquele exato momento para enviar Seu Filho. Analisando o contexto das cartas aos Gálatas, fica claro que Deus planejou estabelecer uma base por meio da Lei judaica que prepararia o caminho para a chegada do Messias. A Lei tinha o propósito de ajudar as pessoas a compreenderem a profundidade de sua condição pecaminosa (ao mostrar que eram incapazes de cumpri-la) para que pudessem, assim, aceitar com mais facilidade a cura para o pecado por meio de Jesus, o Messias. A Lei também foi “colocada sob” o propósito de conduzir as pessoas a Jesus, como evidenciado por diversas profecias relacionadas ao Messias que Ele veio cumprir. Além disso, o sistema sacrificial apontava para a necessidade de um sacrifício pelo pecado, evidenciando sua própria insuficiência (pois, a cada sacrifício, surgia a necessidade de outro posterior). A história do Antigo Testamento também pintava quadros da pessoa e da obra de Cristo por meio de eventos e festas religiosas — como a disposição de Abraão em oferecer Isaque ou os detalhes da Páscoa durante o êxodo do Egito.
Por fim, Cristo veio no momento em que veio, em cumprimento a uma profecia específica. O livro de Daniel fala das “setenta semanas” ou dos setenta “sietes”. Pelo contexto, essas “semanas” ou “sietes” referem-se a períodos de sete anos, e não a sete dias. Ao analisar a história e alinhar os detalhes das primeiras sessenta e nove semanas (sendo que a septuagésima ocorrerá em um futuro ainda por vir), observa-se que a contagem teve início com o comando de restaurar e edificar Jerusalém, comando esse proferido pelo rei Artaxerxes em 445 a.C. Após sete “sietes” mais 62 “sietes” — ou seja, 69 períodos de 7 anos — a profecia afirma que “o Ungido será cortado e não terá nada; o povo do governante que há de vir destruirá a cidade e o santuário” e que “o fim virá como um dilúvio” (indicando uma destruição em larga escala). Essa passagem é uma referência inequívoca à morte do Salvador na cruz. Há um século, o autor Sir Robert Anderson, em seu livro The Coming Prince, apresentou cálculos detalhados das sessenta e nove semanas, utilizando “anos proféticos” que consideravam anos bissextos, erros no calendário, a transição de A.C. para D.C. e outros fatores, concluindo que as sessenta e nove semanas terminaram exatamente no dia da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, cinco dias antes de Sua morte. Independentemente de se adotar ou não essa cronologia, o ponto principal é que o tempo da encarnação de Cristo se alinha perfeitamente com essa profecia detalhada, registrada por Daniel mais de quinhentos anos antes.
A temporalidade da encarnação de Cristo foi planejada de modo que as pessoas daquele tempo estivessem preparadas para Sua vinda. Os acontecimentos e evidências dos séculos que se seguiram comprovam que Jesus era, de fato, o Messias prometido, cumprindo as Escrituras que previam e detalhavam profundamente Sua chegada.






