Deveria uma igreja participar da arrecadação de fundos?
Primeiro, devemos definir o que entendemos por “arrecadação de fundos na igreja”. A Bíblia é clara ao afirmar que a oferta é ordenada e abençoada por Deus, que ama o doador alegre — aquele que entrega seus recursos abundantemente com um coração repleto de amor por Ele. Paulo fornece instruções e discute amplamente a prática de ofertar, e os registros da igreja primitiva também demonstram exemplos de ofertas generosas. Assim, a arrecadação de fundos na igreja difere do ato normal de dar que a congregação realiza para o avanço do Reino de Deus.
Caso uma igreja decida levantar recursos adicionais para uma necessidade específica por meio de campanhas, é importante observar as seguintes recomendações:
- Seja honesto sobre a finalidade do dinheiro;
- Evite lucros excessivos;
- Não transmita a impressão de que o povo de Deus está sendo desobediente, levando a igreja a recorrer a não-crentes em busca de recursos;
- Deixe claro que essa campanha é um complemento e não um substituto do ato regular de ofertar;
- Considere aqueles que têm convicções contrárias à arrecadação de fundos, já que não há uma prova bíblica inequívoca de sua aprovação, podendo ser vista como algo duvidoso para alguns.
Por outro lado, há benefícios em depender das ofertas espontâneas em vez de recorrer a campanhas de arrecadação de fundos:
- As pessoas aprendem a dar porque entendem que é uma bênção, e não em busca de algo em troca;
- O ministério se adapta a um ambiente de contentamento e obediência mediante os dons do povo de Deus;
- Oferece uma forma clara de glorificar a Deus, sem que a campanha acabe promovendo produtos ou personalidades humanas;
- Fortalece a fé ao incentivar a dependência das ofertas que vêm de um compromisso genuíno com Deus.
Algumas alternativas para complementar as ofertas regulares incluem:
- Estabelecer fundos especiais com objetivos determinados, permitindo que pessoas contribuam para projetos específicos além de suas ofertas habituais;
- Incentivar compromissos de fé por meio de eventos como um banquete – não pelo ato de vender refeições, mas para expressar necessidades e acolher contribuições – ou outros desafios criativos;
- Sugerir que os membros invistam uma quantia determinada durante um período de tempo: alguns podem optar por um investimento seguro, enquanto outros podem utilizar os recursos para produzir e comercializar um produto, trazendo assim seus dons pessoais como oferta. Essa abordagem evita o estigma de uma campanha formal de arrecadação e estimula a criatividade e o envolvimento da congregação.
Um relato das Escrituras que pode ser citado para desencorajar a prática de arrecadação de fundos é o episódio de Jesus e os cambistas no templo. Embora alguns possam concluir que Jesus, ao chamar o local de “covil de ladrões”, estivesse manifestando seu repúdio ao lucro obtido por meio do ministério, esse episódio pode ser entendido como uma crítica à prática desonesta e à ganância dos líderes religiosos corruptos e hipócritas. Vale ressaltar que, na atualidade, não existem templos com sacrifícios de animais, o que torna difícil compará-los ao modelo de igreja descrito nos textos do Novo Testamento.
Embora a intensa ação de Jesus ao expulsar os lucrosos não deva ser interpretada levianamente, esse episódio não fornece uma prova definitiva contra as práticas de arrecadação de fundos na igreja.






