É possível amar uma pessoa sem gostar dela?

Pergunta

É possível amar uma pessoa sem gostar dela?

Resposta

A Bíblia nos ensina que a vontade de Deus é que amemos as outras pessoas com um amor divino. Somos chamados a “amar o próximo como a si mesmo” e até mesmo a “amar os inimigos, fazer o bem aos que te odeiam, abençoar os que te amaldiçoam e orar por aqueles que te maltratam”. Na véspera de Sua crucificação, Jesus disse aos Seus discípulos: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros. Assim como Eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros”. Em todos esses exemplos, a palavra grega para amor é agapao, cujo principal atributo é o auto-sacrifício. Trata-se de um amor que não se baseia apenas no afeto fraterno ou em uma conexão emocional, mas que busca sempre o melhor para o outro.

Esse amor sacrificial não depende meramente de um sentimento, mas de uma determinação de vontade — uma resolução de colocar o bem-estar do próximo acima do nosso próprio. Claramente, esse tipo de amor é impossível de ser praticado apenas com nossas forças; somente pelo poder do Espírito Santo conseguimos obedecer aos mandamentos de Deus, inclusive o de amar.

Jesus nos instruiu a amar como Ele nos amou. Mas como foi esse amor? “Deus demonstra o seu próprio amor por nós: Cristo morreu por nós enquanto ainda éramos pecadores.” Certamente não gostaremos de todas as pessoas, nem somos chamados a isso. Contudo, ao passarmos a amar alguém com o amor de Deus, nossa atitude em relação a essa pessoa muda. Psicologicamente, não podemos ter atitudes e ações inconsistentes: quando passamos a demonstrar amor por meio de nossos atos, nossos sentimentos seguem essa mudança.

O amor continuará sendo uma escolha, mas gradualmente se tornará um compromisso mais natural para o coração. Ao observarmos as interações de Jesus, vemos que Ele se relacionava voluntariamente com todos os tipos de pessoas — pecadores, cobradores de impostos, fariseus, saduceus, romanos, samaritanos, pescadores, mulheres, crianças — sem se importar com o que a sociedade considerava respeitável. Jesus amava essas pessoas e as tratava com base nesse amor, mesmo quando isso não resultava em atitudes agradáveis.

Ele proferia palavras firmes àqueles que O contrariavam porque sabia que aquilo lhes faria bem. Sacrificando Seu tempo, energia emocional e sabedoria até mesmo com aqueles que O odiavam, Jesus sabia que Sua atitude podia conduzi-los a um conhecimento salvador ou, de outra forma, afastá-los para sempre. De qualquer modo, eles se beneficiavam de Sua orientação. Essa é a essência de amar os inimigos — transmitir a verdade com amor, independentemente do que isso possa nos custar.

Isso não significa que devemos gostar de todas as pessoas ou mesmo respeitá-las além de reconhecer que foram criadas à imagem de Deus. Somos dotados com a capacidade de discernir, até certo ponto, os corações alheios e também fomos criados à imagem de Deus, devendo ter cautela ao estender nossa confiança sem critério. Jesus, por exemplo, se afastava das multidões por conhecer os seus corações e por precisar se proteger. Entretanto, ao confiarmos plenamente em Cristo e ao buscarmos sabedoria e santidade por meio da oração e das Escrituras, desenvolveremos naturalmente um amor divino que se manifesta no sacrifício — sempre buscando o melhor para os outros, mesmo que esse amor não venha acompanhado de afeição imediata.

Deixe um comentário