É possível ser cristão e ser a favor do direito à escolha ao mesmo tempo?
O aborto tem sido um tema acirrado na cultura americana há quarenta anos. Em ambos os lados do debate, defensores utilizam estatísticas e pontos de vista que muitos acreditam ser a única forma correta. Para fins de clareza, vamos definir os termos “pró-escolha” e “pró-vida”. Neste artigo, “pró-escolha” significa “a crença de que a mulher deve ter o direito legal de interromper a gravidez em qualquer estágio”, defendendo que o aborto é uma decisão pessoal que não deve ser limitada pelo governo ou por terceiros. Já “pró-vida” significa “a crença de que toda vida humana é sagrada e que ninguém, nem mesmo a mãe, tem o direito de pôr fim a uma vida inocente”, defendendo a proteção da vida desde o momento da concepção.
Então, um cristão deve ser pró-escolha ou pró-vida? Segundo a Bíblia, um cristão é alguém que aceitou a oferta de perdão de Deus por meio da morte e ressurreição de Jesus. A salvação é um dom de Deus, concedido pela fé no que Jesus realizou. O que acreditamos sobre outras questões está relacionado ao nosso crescimento, e não à salvação. Conforme 2 Coríntios 5:17, “Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram, eis que tudo se fez novo.” Ao entregarmos nossas vidas a Cristo, Ele começa a transformar nosso jeito de pensar e agir (como registrado em Isaías 55:7). Nossos corpos se tornam templos do Espírito Santo, e nossas mentes são renovadas pela Palavra de Deus, fazendo com que nossas atitudes e comportamentos gradualmente se tornem mais semelhantes aos de Cristo.
Essa transformação não ocorre da noite para o dia. Muitos cristãos ainda se enquadram no que o apóstolo Paulo chamou de “carnal”. Cristãos carnais confiam em Jesus para a salvação, mas continuam a pensar, agir e reagir como o mundo. Frequentemente, são novos na fé ou simplesmente não permitiram que o Espírito Santo transformasse todas as áreas de seus corações. Tentam viver a vida cristã com suas próprias forças, sendo fortemente influenciados pelo pensamento do mundo. A mente carnal, que não foi totalmente renovada pela Palavra de Deus, tende a ceder às opiniões persuasivas dos ímpios, inclusive no que diz respeito ao aborto. O crescimento espiritual exige o abandono de antigos modos de pensar para que possamos nos assemelhar mais a Cristo. Quanto mais nos aproximamos d’Ele, menos nos alinhamos com o sistema mundial. Se uma pessoa recusa, de forma contínua, permitir que a Palavra de Deus transforme sua mente, há grandes chances de que ela não seja verdadeiramente cristã.
Defensores do “pró-escolha” afirmam que a Bíblia não aborda explicitamente o aborto, e, por isso, a decisão deveria ser individual. Embora seja verdade que o termo “aborto” não apareça na Bíblia, os princípios que valorizam a vida estão presentes. Em Êxodo 21:22-23, Deus incluiu na Sua Lei proteção para os nascituros. Se uma mulher grávida sofresse um dano que resultasse na perda do feto, aquele que causou o prejuízo deveria ser punido com a pena de morte, aplicando o princípio “vida por uma vida”. Essa ideia enfatiza que Deus considera a vida do nascituo tão valiosa quanto a de um homem adulto.
Deus declarou a Jeremias: “Antes de eu te formar no ventre, eu te conheci, e, antes de saíres do ventre, te santifiquei” (Jeremias 1:5). Foi Deus quem o criou com um propósito específico. O Salmo 139:13-16 apresenta a visão mais clara do ponto de vista divino sobre a vida que ainda está para ser nascente. Davi escreveu: “Pois Tu formaste o meu interior; Tu me teceste no ventre de minha mãe. Eu Te louvarei, porque de um modo tão maravilhoso e tão admirável fui feito…”
A Bíblia é clara ao afirmar que toda vida humana é criada por Deus para cumprir Seus propósitos e desfrutar de Seu agrado (Colossenses 1:16). Por isso, um cristão que deseja conhecer verdadeiramente o coração de Deus deve alinhar suas convicções com a Palavra divina. Quando começamos a justificar o mal com base em nosso próprio entendimento, acabamos diluindo a verdade revelada por Deus. Ao renomear adultério como “caso” ou a homossexualidade como “alternativa”, ou, até mesmo, o homicídio do não-nascido como “escolha”, estamos caminhando para um sério desencontro com o que as Escrituras determinam.
A Bíblia ensina que, por ser o Criador da vida humana, apenas Deus pode determinar quem vive ou morre. Cada pessoa que proclama o nome de Cristo tem a responsabilidade de alinhar suas crenças com a Palavra de Deus. É possível que um cristão nascido de novo seja “pró-escolha”? Sim. Mas, se ele ou ela permitir que a Palavra de Deus transforme e renove a mente, é improvável que continue defendendo essa posição.






