É possível ser um cristão gay?
“Você não sabe que os ímpios não herdarão o reino de Deus? Não se enganem; nem fornicadores, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem homossexuais, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem injuriosos, nem trapaceiros herdarão o reino de Deus”. Há uma tendência de declarar a homossexualidade como o pior de todos os pecados. Embora seja inegável, sob a perspectiva bíblica, que a homossexualidade é imoral e antinatural, a Bíblia de modo algum a descreve como um pecado imperdoável – tampouco ensina que os cristãos jamais enfrentarão essa tentação.
Talvez esse seja o aspecto crucial da questão: “lutar contra”. É possível que um cristão enfrente as tentações homossexuais. Muitos homossexuais que se tornam cristãos continuam a lutar com sentimentos e desejos que os desafiam. Inclusive, alguns homens e mulheres inicialmente fortemente heterossexuais podem, em determinada fase da vida, experimentar um interesse momentâneo por tais sentimentos. A existência desses desejos e tentações, por si só, não determina se uma pessoa é cristã, pois a Bíblia deixa claro que nenhum cristão é isento do pecado. Cada cristão enfrenta lutas específicas contra seus pecados e, de tempos em tempos, acaba cedendo a essas tentações.
O que diferencia a vida de um cristão da de um não cristão é justamente essa batalha contra o pecado. A caminhada cristã é um processo contínuo de superação dos “atos da carne” e de permitir que o Espírito de Deus produza o “fruto do Espírito”. Sim, os cristãos pecam – às vezes de maneira grave – e, infelizmente, podem se tornar indistinguíveis de não cristãos. Contudo, um verdadeiro cristão sempre se arrependerá, retornará a Deus e retomará a luta contra o pecado. A Bíblia, entretanto, não sustenta a ideia de que alguém, que vive de forma contínua e sem arrependimento no pecado, pode ser considerado realmente cristão.
Observa-se que há listas de pecados que, se cometidos continuamente, identificam uma pessoa como não redimida. Frequentemente, a homossexualidade é destacada nesse contexto. Se a pessoa apenas luta contra essas tentações, ela pode ter momentos de fraqueza, o que não a desqualifica como cristã – ela é simplesmente um cristão em combate, assim como há aqueles que também lutam contra a fornicação, a mentira ou o roubo. Por outro lado, se a expressão “cristão gay” for entendida como alguém que adota um estilo de vida homossexual de forma ativa, contínua e sem arrependimento, essa pessoa não pode ser considerada verdadeiramente cristã.






