Pergunta
O batismo é o equivalente da nova aliança à circuncisão?
Resposta
A circuncisão era o sinal físico da aliança que Deus fez com Abraão. Embora a aliança inicial tenha sido estabelecida em Gênesis 15, a circuncisão não foi ordenada até Gênesis 17 – pelo menos 13 anos depois, após o nascimento de Ismael. Naquele tempo, Deus mudou o nome de Abrão para Abraão, um nome que antecipava o cumprimento da promessa divina. A aliança foi feita com Abraão e, posteriormente, com Isaque, Jacó e todos os seus descendentes.
O batismo é, de certa forma, o sinal da Nova Aliança que Deus estabelece com Sua Igreja. Jesus ordenou o batismo na Grande Comissão, determinando que seus seguidores fossem e fizessem discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O batismo representa o sinal externo de uma mudança interna, simbolizando o renascimento em Cristo.
Muitas tradições reformadas estabeleceram um paralelo muito próximo entre a circuncisão e o batismo, utilizando os ensinamentos do Antigo Testamento sobre a circuncisão para justificar o batismo de crianças. O argumento é o seguinte: assim como os bebês na comunidade judaica do Antigo Testamento eram circuncidados, os bebês nascidos na comunidade da igreja do Novo Testamento deveriam ser batizados.
Embora existam paralelos entre o batismo e a circuncisão, eles simbolizam alianças muito distintas. A Antiga Aliança possuía um meio de entrada físico: nascia-se de pais judeus ou era adquirido como servo em um lar judaico. A vida espiritual de uma pessoa não estava ligada ao sinal da circuncisão, pois todo homem era circuncidado, independentemente de demonstrar devoção a Deus ou não. Contudo, mesmo no Antigo Testamento, já se reconhecia que a circuncisão física não era suficiente. Moisés ordenou, em Deuteronômio 10:16, que os israelitas praticassem a circuncisão dos corações e ainda prometeu que Deus realizaria essa circuncisão. Jeremias também pregou sobre a necessidade de uma circuncisão do coração.
Em contraste, a Nova Aliança apresenta um meio de entrada espiritual: é preciso crer e ser salvo. Assim, a vida espiritual está diretamente ligada ao sinal do batismo. Se o batismo indica a entrada na Nova Aliança, somente aqueles que se dedicam a Deus e confiam em Jesus devem ser batizados.
A verdadeira circuncisão, como prega Paulo, ocorre no coração e é realizada pelo Espírito. Em outras palavras, o relacionamento de aliança com Deus não se estabelece através de um ato físico, mas pela atuação do Espírito no coração.
O texto de Colossenses 2:11-12 refere-se a essa circuncisão espiritual: nele, os crentes foram “circuncidados, mediante o despojamento do corpo da carne, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão operada por Cristo, tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também foram ressuscitados pela fé no poder de Deus”. Essa circuncisão não envolve o corte do corpo, mas a remoção da velha natureza. Trata-se de um ato espiritual e remete diretamente à salvação, operada pelo Espírito Santo. O batismo mencionado não substitui a circuncisão; ele a segue, configurando uma circuncisão espiritual, ou seja, um sinal de transformação interna.
Além disso, o trecho ressalta que essa nova vida, representada pelo batismo, é adquirida “mediante a fé”. Isso implica que aquele que é batizado deve ter a capacidade de exercer a fé. Como os bebês não possuem essa capacidade, eles não devem ser candidatos ao batismo.
Assim como quem nasce (fisicamente) sob a Antiga Aliança recebe o sinal dessa aliança (a circuncisão), quem nasce (espiritualmente) sob a Nova Aliança – ou seja, “nasce de novo” – recebe o sinal correspondente, que é o batismo.






