Pergunta
O que a Bíblia diz sobre acordos pré-nupciais?
Resposta
Embora os acordos pré-nupciais não sejam mencionados explicitamente na Bíblia, Deus nos ensina como devemos enxergar o casamento e, a partir disso, podemos entender como esses acordos seriam interpretados. Primeiramente, Deus idealizou o casamento como uma união permanente, que deve perdurar enquanto ambos os cônjuges viverem. Quando dois cristãos decidem se unir em matrimônio, o ideal é ter a firme convicção de que o divórcio não é uma opção. Um acordo pré-nupcial pressupõe a possibilidade do divórcio, o que contrasta com o propósito original de uma união indissolúvel.
Quando Deus formou a primeira mulher a partir da costela do homem, Ele demonstrou o verdadeiro propósito da relação entre marido e mulher. A mulher é vista como a ajudadora do homem, tirada de seu ambiente íntimo e feita da mesma carne. Assim, como está escrito: “Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” Esse princípio evidencia que marido e mulher não devem sequer considerar a separação. Na realidade, a única ocasião em que a Lei permitiu o divórcio foi por insistência inflexível das pessoas em tratar o divórcio como um direito, mas Deus jamais muda e repudia o divórcio.
O amor descrito no capítulo 13 de 1 Coríntios torna desnecessários acordos pré-nupciais. O amor bíblico é uma decisão consciente de agir sempre em benefício do outro, da mesma forma que Deus sempre faz o que é melhor para nós. Conforme descrito, “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus próprios interesses, não se irrita facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” Como cristãos, esse é o tipo de amor que deve caracterizar, especialmente, o relacionamento dentro de um casamento. Se o amor é capaz de resistir a todas as circunstâncias, um acordo pré-nupcial se torna desnecessário.
No livro de Efésios, aprendemos sobre os papéis de marido e mulher no casamento. Os maridos são chamados a amar suas esposas com o mesmo amor que Cristo teve ao amar a igreja – um amor que não se esquiva do sacrifício. Já as esposas são orientadas a honrar seus maridos e se submeter à sua liderança. Assim como Cristo jamais nos abandona, um marido também não deve abandonar sua esposa. Enquanto os maridos devem amar suas esposas como amam a si mesmos, as esposas devem demonstrar respeito para com seus maridos. O modelo bíblico de casamento ensina a permanência desta união e a necessidade do altruísmo; por sua própria natureza, os acordos pré-nupciais sugerem dúvidas sobre essa permanência e incentivam o egoísmo.
Não há motivos para que dois cristãos, comprometidos com Deus e um com o outro, precisem de um acordo pré-nupcial. Sim, ambos podem cometer erros, mas “o amor cobre uma multidão de pecados”. Deus nos chama a perdoar uns aos outros, assim como fomos perdoados, mas um acordo pré-nupcial é, em essência, um plano para não perdoar. Se duas pessoas verdadeiramente se tornam uma só carne, a distinção entre “seu” e “meu” deveria ser eliminada – ou, pelo menos, bastante atenuada.
Muitos nos dias atuais defendem que os acordos pré-nupciais são necessários e que quem não os firma está se colocando em uma posição de vulnerabilidade. No entanto, os caminhos de Deus se opõem aos do mundo. Nada na Bíblia apoia a ideia de que um casal cristão prestes a se casar deva elaborar um acordo do tipo “caso nos divorciemos, você não poderá ficar com minhas coisas”.






