Pergunta
O que a Bíblia diz sobre cobras? As cobras são más?
Resposta
As cobras (ou serpentes) recebem bastante destaque na Bíblia, que as menciona em mais de 80 ocasiões. Elas aparecem na corte de Faraó, no deserto, na ilha de Malta e, claro, no Jardim do Éden. Embora geralmente sejam retratadas como criaturas repugnantes, associadas ao veneno e à astúcia, as cobras não são “más” por si só – elas servem como uma metáfora útil para o mal em muitas passagens.
Tudo começou no Jardim do Éden. “A serpente era mais astuta do que todos os animais selvagens que o Senhor Deus havia feito”. De certa forma, a serpente foi utilizada por Satanás para enganar Eva, levando-a à desobediência, e, posteriormente, Adão também seguiu o mesmo caminho. Quando Deus começou a aplicar os castigos, Ele amaldiçoou a serpente: “Você será amaldiçoada entre todos os animais selvagens e rebanhos! Você rastejará sobre o seu ventre e comerá pó todos os dias da sua vida”. Cada vez que vemos uma cobra deslizando, sem membros, pelo chão, somos lembrados da Queda do homem e dos efeitos do pecado.
Desde que Satanás proferiu suas mentiras por intermédio da serpente para enganar Eva, a cobra passou a ser associada ao pecado. Os profetas a comparam aos que “chocam ovos de víbora”, à “serpente que nos engoliu… e depois nos vomitou”, e àqueles que “lamberão pó como uma serpente”. Os livros poéticos falam dos homens maus fazendo “suas línguas tão afiadas quanto a da serpente; o veneno das víboras está sobre seus lábios”, dos mentirosos possuindo um “veneno… como o veneno de uma cobra, como o de uma naja que parou de escutar, mesmo com a perícia do encantador”, e mencionam o álcool mordendo “como uma cobra e envenenando como uma víbora”. Tanto Jesus quanto João Batista condenaram a hipocrisia dos fariseus, chamando-os de “prole de víboras” e “serpentes”.
A serpente, como símbolo de Satanás, enroscou-se no coração humano e o encheu com seu veneno. Por mais que nos esforcemos, não conseguimos nos livrar de sua influência. Como descobriu o perverso rei Macbeth, as serpentes são difíceis de eliminar: “Nós despedaçamos a cobra, mas não a matamos”. De fato, quando chegamos ao livro do Apocalipse, a serpente do Jardim se transformou em um dragão furioso, determinado à dominação mundial. Após uma batalha no céu, “o grande dragão foi lançado, a antiga serpente, que se chama o diabo ou Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele foi lançado na terra, e os seus anjos com ele”.
Precisamos de ajuda nessa batalha contra a “antiga serpente”. Felizmente, desde o princípio, Deus nos prometeu um Salvador. Ao declarar no Jardim, Deus diz à serpente: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”. Essa é a protoevangelho, ou o “primeiro evangelho”. Deus prometeu que a Semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente – uma profecia de que o Filho de Deus, nascido de uma virgem, venceria de forma decisiva o poder do diabo.
Jesus afirmou que veio para nos salvar de toda a mordida da serpente: “Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que nele crer possa ter a vida eterna”.
O Senhor Jesus é aquele que derrota a serpente. Ele é o matador de dragões. E um dia, quando Ele estabelecer o Seu reino nesta terra, toda a criação será restaurada ao seu estado original e inofensivo – inclusive as cobras. “O bebê brincará perto da toca da naja, e a criança colocará a mão na cova da víbora. Nenhum mal ou dano será feito em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, assim como as águas cobrem o mar”.






