O que a Bíblia diz sobre o altruísmo?
A característica de ser altruísta é uma das qualidades mais importantes que qualquer cristão pode ter. É tão relevante que Jesus afirmou ser o segundo mandamento mais importante de todos os mandamentos de Deus: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. Jesus não estava criando uma nova lei; ele apenas concordava com e explicava uma lei do Antigo Testamento (Levítico 19:18). Tiago chama essa lei de “real” para enfatizar seu valor supremo para Deus (Tiago 2:8).
Durante o seu ministério terreno, Jesus falou muito sobre o altruísmo. No Sermão da Montanha, ele vai além do que muitos consideram ser atos cotidianos de bondade, como ajudar um amigo, cuidar de um cônjuge ou de um filho doente. Ele amplia o conceito de altruísmo ao ensinar que devemos amar até mesmo nossos inimigos e orar por aqueles que nos perseguem (Mateus 5:44). Segundo Jesus, é fácil amar um amigo ou um cônjuge — mesmo aqueles que não creem são capazes de fazer isso (Mateus 5:47). O cristão é chamado a amar até os menos amáveis, pois é assim que nos tornamos mais semelhantes a Deus, que derrama bênçãos sobre todos (Mateus 5:45). Apesar de ser desafiador deixar de lado sentimentos feridos e corações machucados, esse é o cerne do verdadeiro altruísmo.
Assim como em tantas áreas, Jesus é o exemplo supremo de altruísmo. Ao vir a este mundo, “ele esvaziou a si mesmo” e assumiu “a natureza de servo” (Filipenses 2:7). Como seguidores de Cristo, devemos ter “a mesma atitude” (Filipenses 2:5). Jesus não veio para seu próprio benefício, mas para o nosso. Ele veio para nos servir e para morrer por nós: “Nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Marcos 10:45).
No âmbito humano, Jesus abdicou de sua própria vontade para se submeter à vontade de Deus (Lucas 22:42) — e esse é um ponto importante: o altruísmo envolve mais do que colocar as necessidades alheias antes das nossas; ele exige que coloquemos Deus em primeiro lugar. Conforme João Batista declarou sobre Jesus, “Ele deve aumentar, mas eu devo diminuir” (João 3:30). Mais do Senhor; menos de nós.
O altruísmo é bem ilustrado na parábola do Bom Samaritano, narrada em Lucas 10:29–37. Trata-se da história de um homem samaritano que, ao encontrar uma vítima de assalto — despida, espancada e à beira da morte —, se compadece dele. Sem pensar em seus próprios planos, o samaritano cuida das feridas do homem, oferecendo seu tempo, compaixão e até mesmo seus recursos. Ele coloca o ferido sobre seu próprio animal, leva-o a uma hospedaria e cuida dele, pagando ao hospedeiro o custo de uma estadia prolongada, com a promessa de quitar o restante da dívida posteriormente. Essa narrativa mostra a profundidade do altruísmo, pois o samaritano colocou as necessidades do outro à frente das suas, demonstrando benevolência a um desconhecido em situação de vulnerabilidade.
Ser altruísta vai contra a natureza humana, e por isso é muito mais difícil colocar os interesses dos outros à frente dos nossos do que agir de forma egoísta. É natural cuidarmos de nós mesmos, pois somos frequentemente incentivados a pensar em benefício próprio. No entanto, o cristão deve lembrar diariamente as palavras do apóstolo Paulo: “Já estou crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E a vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2:20). Nenhum crente, jovem ou idoso, pode viver de forma verdadeiramente altruísta sem uma comunhão constante com o Senhor Jesus Cristo, pois é somente por meio dele que nossas atitudes serão transformadas e moldadas para um comportamento desinteressado. Se Cristo realmente habita em nosso interior e seguimos seus passos, encontraremos em nós a identificação com o Bom Samaritano, em vez de apenas admirarmos sua atitude.






