O que a Bíblia tem a dizer sobre mulheres missionárias?
Pergunta
Resposta
1 Timóteo 2:11–12 declara: “A mulher deve aprender em silêncio, com toda sujeição. Não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre o homem; esteja, porém, em silêncio.” Isso exclui claramente mulheres de atuarem como pastoras que ensinam sobre os homens. Mas como essa passagem impacta as mulheres que atuam como missionárias e/ou evangelistas? Será que isso significa que as mulheres não deveriam estar envolvidas em nenhum tipo de evangelismo e/ou trabalho missionário direcionado aos homens?
É importante observar que a Bíblia em nenhum momento restringe as mulheres de compartilharem o evangelho. De fato, as Escrituras apresentam as mulheres como as primeiras missionárias – foram as mulheres junto ao túmulo que correram para contar aos apóstolos a notícia da ressurreição de Jesus (Lucas 24:9–10). A exortação para evangelizar é direcionada a todos os seguidores de Jesus Cristo (Mateus 28:18–20; Atos 1:8; 1 Pedro 3:15). A restrição em 1 Timóteo 2:11–12 diz respeito aos papéis de pastor e liderança na igreja (ensino e exercício de autoridade) sobre os homens. Ela não se aplica ao evangelismo. Nenhuma mulher deve se sentir, biblicamente, restringida de compartilhar o evangelho com um homem.
Além disso, a Bíblia descreve as mulheres desempenhando muitos papéis cruciais no trabalho missionário. Elas são incentivadas a ensinar outras mulheres (Tito 2:3–5). As mulheres também devem ser dedicadas à oração (1 Coríntios 11:5), exercitando os frutos do Espírito (Gálatas 5:22–23) e os dons do Espírito (1 Coríntios 12). A grande maioria do trabalho missionário é, indiscutivelmente, aberta às mulheres. A questão que surge, então, é se existe algum papel missionário no qual as mulheres não devam servir.
Se for possível, as mulheres missionárias não devem atuar como pastoras/guia para os homens. Em uma situação em que não haja nenhum homem disposto ou habilitado a assumir a liderança, talvez se aplique o “princípio de Débora”. Em Juízes 4, Débora incentivou Baraque a assumir a liderança dos exércitos de Israel, mas ele relutou. Portanto, Débora assumiu o papel de liderança. Se, em um campo missionário, não houver um homem qualificado para guiar os novos crentes, não parece que Deus desejaria que esses crentes permanecessem sem discipulado até que um homem surgisse. No entanto, uma mulher desempenhando um papel de liderança nesse contexto deve fazer todo o possível para desenvolver rapidamente uma liderança masculina que assuma o cuidado dos homens na igreja.
É importante lembrar que essa seria uma exceção extremamente rara. Ademais, ela não é explicitamente bíblica, mas sim especulativa. De maneira alguma essa exceção, mesmo que se tornasse definitivamente bíblica, anularia a clara mensagem de 1 Timóteo 2:11–12.
Devido aos perigos inerentes do trabalho missionário e ao sexismo predominante em muitas culturas, geralmente é mais seguro que as mulheres não atuem como missionárias sozinhas. Equipes formadas por casais e/ou equipes de mulheres em parceria com homens e/ou outras mulheres parecem ser a melhor configuração para o trabalho missionário. Mas, de forma nenhuma, isso deve desestimular as mulheres a se envolverem na missão. Deus chama as mulheres, solteiras e casadas, para servirem a Ele no campo missionário. E frequentemente Deus utiliza mulheres missionárias de maneira poderosa e surpreendente.






