O Armstrongismo refere-se aos ensinamentos de Herbert W. Armstrong, que se tornaram a doutrina da Worldwide Church of God. Tais ensinamentos frequentemente iam de encontro às crenças cristãs tradicionais e, por vezes, eram explicitamente contrários à Bíblia. O mais conhecido dos ensinamentos de Armstrong é o do Anglo-Israelismo, crença segundo a qual os judeus modernos não são os verdadeiros descendentes físicos de Israel. Armstrong acreditava que as tribos perdidas de Israel migraram para a Europa Ocidental e que os britânicos e americanos contemporâneos eram, na realidade, os herdeiros da aliança de Deus com Abraão, Isaque e Jacó. Para ele, esse conhecimento era fundamental para compreender as passagens proféticas das Escrituras, sendo sua missão proclamar essa mensagem em preparação para os últimos tempos.
Essas crenças da Worldwide Church of God não eram novas e tinham raízes em uma má interpretação das Escrituras. A Bíblia deixa claro que Deus não substituiu Israel por nenhuma outra nação e que os planos para Israel se concretizarão no tempo determinado, após “a plenitude dos gentios” entrarem no Reino. Podemos ter certeza de que tudo o que Deus declarou é verdadeiro e se realizará, devido ao Seu caráter e consistência. Revisar os planos de Deus tanto para Israel quanto para a Igreja é questionar Sua natureza, soberania, onisciência e fidelidade.
Além disso, Armstrong ensinava que, após a morte, a pessoa entra em um estado semelhante ao sono até o retorno de Jesus à terra. Em seguida, haveria três ressurreições: a primeira para os cristãos fiéis; a segunda para a maioria da população, que teria uma nova chance de aceitar o evangelho e ser salva, mesmo havendo o claro ensinamento das Escrituras de que não há “segunda chance” para a salvação após a morte; e a terceira para aqueles que, por seus atos, não seriam elegíveis para essa segunda oportunidade. Esses, juntamente com os da segunda ressurreição que rejeitaram o evangelho, seriam então punidos. A Worldwide Church of God não defendia a punição eterna no inferno, mas sim uma destruição completa pelo fogo, ou seja, o aniquilacionismo. Entretanto, a Bíblia é clara ao afirmar que existem duas ressurreições: uma para a vida eterna no céu para os crentes e outra para a condenação eterna dos descrentes. Dessa forma, as teorias do Armstrongismo e da Worldwide Church of God confrontavam diretamente a Palavra de Deus.
Armstrong também ensinava que os seguidores de Cristo deveriam permanecer fiéis a todos os ensinamentos do Antigo Testamento. Assim, ele considerava o sábado como sagrado, observando-o do pôr do sol de sexta-feira ao pôr do sol de sábado, conforme a tradição judaica. Ademais, acreditava que festivais do Antigo Testamento, como a Páscoa e a Festa dos Tabernáculos, deveriam ser celebrados. A Worldwide Church of God defendia que os cristãos modernos deveriam seguir as leis alimentares e praticar o dízimo (até 30%). O Armstrongismo se configura como uma das muitas filosofias de salvação pelas obras, que buscam a observância das leis do Antigo Testamento como meio de obter a salvação. No entanto, a Bíblia deixa claro que a salvação é alcançada somente pela fé em Cristo, pois a Lei, por si só, não salva ninguém. “Um homem não é justificado pela observância da lei, mas pela fé em Jesus Cristo. Assim, depositamos nossa fé em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé, e não pela observância da lei, uma vez que ninguém será justificado por meio dela” (Gálatas 2:16). Dessa forma, as filosofias do Armstrongismo e da Worldwide Church of God podem ser entendidas como doutrinas mundanas que buscam negar a única forma de salvação – a troca de nossos pecados pela justiça de Cristo na cruz – em favor da observância da Lei do Antigo Testamento, que Jesus veio cumprir por nós.
Após a morte de Herbert W. Armstrong, a Worldwide Church of God passou a adotar uma compreensão mais ortodoxa da fé cristã. Seus sucessores, Joseph Tkach, Sr. e Joseph Tkach, Jr., conduziram a organização em uma direção mais alinhada à doutrina bíblica, rejeitando o israelismo britânico e aceitando a Trindade, entre outras mudanças. Atualmente, a denominação se autodenomina Grace Communion International. Embora essa transição tenha aproximado a igreja da doutrina bíblica, ainda persistem alguns erros teológicos, como o ensino de que Deus oferece “a oportunidade para descrentes se tornarem crentes, mesmo que sejam descrentes após a morte.”
Nem todas as congregações da Worldwide Church of God integraram a Grace Communion International. Aqueles que optaram por permanecer fiéis aos ensinamentos de Armstrong formaram a United Church of God (UCG). Em 2010, outro grupo, a Church of God, a Worldwide Association (COGWA), se desmembrou da UCG, mantendo a rejeição original da Trindade conforme os ensinamentos de Armstrong.






