O monasticismo é um sistema religioso ou modo de vida em que os adeptos se retiram voluntariamente do mundo e vivem com austeridade, sob obrigações piedosas. Os monges, freiras e eremitas da Idade Média foram o epítome dessa dedicação.
O Novo Monasticismo é um movimento relativamente recente — o “novo” — no qual os devotos abandonam seus modos habituais de viver para conviver em comunidade, em condições mais simples e menos abastadas. Em vez de buscarem “progredir”, os envolvidos nesse movimento procuram se identificar com os desfavorecidos.
Hoje, no Ocidente, a maioria dos monges tradicionais (e freiras) é católica. O Novo Monasticismo se destina principalmente a protestantes e evangélicos, convocando-os a rejeitar o materialismo e a viver os “mandamentos do evangelho”, entendidos como o cuidado com os pobres e o compartilhamento do amor de Cristo. As comunidades monásticas modernas enfatizam a vida comunitária, a oração, a contemplação, a hospitalidade e o engajamento prático com os necessitados.
A origem desse movimento é difícil de precisar. Algumas comunidades existem desde as décadas de 1970 e 1980, enquanto outras, como a Simple Way, formada em Filadélfia, surgiram em meados dos anos 1990. O objetivo dessas comunidades não é estabelecer uma igreja, mas simplesmente “ser” a igreja em seu meio.
A terminologia “Novo Monasticismo” foi desenvolvida por Jonathan Wilson, em seu livro de 1998 Living Faithfully in a Fragmented World. Wilson baseou-se nas ideias de Dietrich Bonhoeffer, que afirmou em 1935: “A restauração da igreja certamente virá apenas de um novo tipo de monasticismo que não tem nada em comum com o antigo, exceto pela total ausência de compromisso em uma vida vivida de acordo com o Sermão da Montanha e no discipulado de Cristo.” O filósofo Alasdair MacIntyre, em seu livro After Virtue, expressou o anseio por “um outro… São Bento”, ou seja, alguém na atualidade que liderasse uma renovação da moralidade e da civilidade por meio da comunidade. Wilson se identificou com esse anseio e delineou uma visão para levá-lo adiante.
Os meses intermediários de 2004 marcaram um momento decisivo para o movimento, quando diversas comunidades e acadêmicos se reuniram em Durham, Carolina do Norte, para elaborar as doze marcas do Novo Monasticismo:
- Relocação para os “lugares abandonados do Império” [nas margens da sociedade, geralmente em áreas urbanas deprimidas];
- Compartilhamento de recursos econômicos com os membros da comunidade e com os necessitados;
- Hospitalidade ao estrangeiro;
- Lamento pelas divisões raciais dentro da igreja e de nossas comunidades, aliado à busca ativa por uma reconciliação justa;
- Submissão humilde ao corpo de Cristo, a Igreja;
- Formação intencional no caminho de Cristo e na regra da comunidade, de maneira similar ao antigo noviciado;
- Cultivo da vida em comum entre os membros de uma comunidade intencional;
- Apoio aos solteiros celibatários juntamente com casais monogâmicos e seus filhos;
- Proximidade geográfica entre membros da comunidade que compartilham uma regra comum de vida;
- Cuidado com o terreno da terra de Deus que nos foi concedido, juntamente com o apoio às economias locais;
- Promoção da paz em meio à violência e resolução de conflitos dentro das comunidades, conforme Mateus 18;
- Compromisso com uma vida disciplinada e contemplativa.
Muito do que o Novo Monasticismo defende é positivo e proveitoso — o cuidado com os pobres, a prática da hospitalidade e da promoção da paz são virtudes bíblicas importantes. No entanto, o caráter ecumênico do movimento e a relativização da doutrina podem ser motivo de preocupação, pois os grupos monásticos modernos se sentem igualmente à vontade em uma missa católica ou em encontros pentecostais.
Em essência, o Novo Monasticismo é, antes de tudo, monasticismo. Assim como o antigo monasticismo, ele propõe uma retirada geral do mundo e a observância de um conjunto de regras elaboradas pelo homem. Essa ênfase no rigor das regras pode conduzir a uma visão legalista e baseada em obras da salvação. A Grande Comissão nos convoca a “ir e fazer discípulos” de todas as nações, batizando e ensinando ao longo do caminho. Cabe aos mensageiros do evangelho terem cuidado com o que ensinam, para que não substituam a regra de Deus pela de Bento, de Francisco ou de qualquer outro. Não podemos, portanto, abrir mão de uma doutrina sólida em nome de uma unidade ilusória.






