O que é providência divina?
Pergunta
A providência divina é o governo de Deus pelo qual Ele, com sabedoria e amor, cuida de e dirige todas as coisas no universo. A doutrina da providência divina afirma que Deus tem controle absoluto sobre tudo: sobre o universo como um todo, sobre o mundo físico, sobre os assuntos das nações, sobre o destino dos seres humanos, sobre seus sucessos e fracassos, e sobre a proteção do Seu povo. Essa doutrina se contrapõe diretamente à ideia de que o universo é governado pelo acaso ou pelo destino.
Resposta
Através da providência divina, Deus realiza a Sua vontade. Para garantir que Seus propósitos se cumpram, Deus governa os assuntos dos homens e trabalha por meio da ordem natural das coisas. As leis da natureza não são nada mais do que a obra de Deus no universo. Elas não possuem poder inerente; são os princípios que Deus estabeleceu para regular como as coisas funcionam normalmente. São “leis” somente porque foram decretadas por Deus.
Como a providência divina se relaciona com a vontade humana? Sabemos que os seres humanos possuem livre-arbítrio, mas também sabemos que Deus é soberano. Embora seja difícil entender como essas duas verdades se relacionam, encontramos exemplos de ambas nas Escrituras. Por exemplo, Saul de Tarso, que perseguia intencionalmente a igreja, ao mesmo tempo “ressistia à condução” da providência divina.
Deus odeia o pecado e julgará os pecadores. Ele não é o autor do pecado, não tenta ninguém a pecar e não compactua com o pecado. Ao mesmo tempo, é evidente que Deus permite uma certa quantidade de pecado. Ele deve ter um motivo para permitir isso, mesmo que por um período temporário, embora Odespreze o pecado.
Um exemplo da providência divina nas Escrituras é encontrado na história de José. Deus permitiu que os irmãos de José o sequestrassem, o vendessem como escravo e mentissem por anos para seu pai sobre o seu destino. Apesar de ser uma grande maldade e da desaprovação divina, todo o pecado deles contribuiu para um bem maior: José acabou no Egito, onde se tornou o primeiro-ministro. Em sua posição, ele sustentou uma vasta região durante sete anos de fome – inclusive sua própria família. Se José não tivesse sido levado ao Egito antes do início da fome, milhões de pessoas, incluindo os israelitas, teriam morrido. Como Deus conduziu José ao Egito? Providencialmente, Ele permitiu que os irmãos tivessem a liberdade de pecar. Essa ação é claramente reconhecida nas Escrituras.
Outro caso evidente de providência divina sobrepujando o pecado é a história de Judas Iscariotes. Deus permitiu que Judas mentisse, enganasse, trapaceasse, furtasse e, finalmente, traísse o Senhor Jesus, entregando-O aos Seus inimigos. Toda essa maldade extrema desagradou a Deus, mas ao mesmo tempo os planos e conspirações de Judas levaram a um bem maior: a salvação da humanidade. Jesus precisava morrer nas mãos dos romanos para se tornar o sacrifício pelos pecados. Se Ele não tivesse sido crucificado, ainda estaríamos presos em nossos pecados. Assim, ao permitir que Judas agisse de forma pérfida, Deus conduziu os eventos para um fim redentor. Jesus deixou claro que “o Filho do Homem procederá de acordo com o que foi determinado; mas ai daquele que O trair!”
Note que Jesus ensina tanto a soberania de Deus (“o Filho do Homem procederá de acordo com o que foi determinado”) quanto a responsabilidade humana (“ai daquele que O trair!”). Há, portanto, um equilíbrio.
A providência divina é ensinada quando se afirma que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados segundo o Seu propósito.” A expressão “todas as coisas” é literal. Deus jamais está fora de controle. Mesmo que Satanás faça de tudo para causar o mal, até mesmo o mal que parece estar despedaçando o mundo está, no final, trabalhando para um propósito maior e definitivo. Embora não possamos ver esse propósito agora, sabemos que Deus permite as coisas por uma razão e que o Seu plano é bom. Isso deve ser frustrante para Satanás, pois, independentemente do que ele faça, seus planos sempre são frustrados, culminando em algo bom.
A doutrina da providência divina pode ser resumida assim: “Deus, na eternidade passada, no conselho da Sua própria vontade, ordenou tudo o que acontecerá; contudo, isso não significa que Ele seja o autor do pecado, nem que a responsabilidade humana seja anulada.” O meio principal pelo qual Deus realiza a Sua vontade é por meio de causas secundárias (por exemplo, as leis da natureza e a escolha humana). Em outras palavras, Deus geralmente atua de forma indireta para cumprir Seus propósitos.
No entanto, há momentos em que Deus atua diretamente para realizar Sua vontade. Essas obras são o que chamamos de milagres. Um milagre ocorre quando Deus, por um curto período, contorna a ordem natural das coisas para cumprir Sua vontade. A intensa luz que iluminou Saul a caminho de Damasco foi um exemplo da intervenção direta de Deus. Por outro lado, o fato de os planos de Paulo de irem para a Bitínia terem sido frustrados exemplifica a orientação indireta de Deus. Ambos os casos são exemplos da atuação da providência divina.
Alguns afirmam que o conceito de um Deus que orquestra todas as coisas, seja de maneira direta ou indireta, anula qualquer possibilidade de livre-arbítrio. Se Deus tem controle absoluto, como podemos ser verdadeiramente livres em nossas decisões? Em outras palavras, para que o livre-arbítrio tenha significado, deve haver algo que esteja fora do controle soberano de Deus – como a contingência das escolhas humanas. Mas então, se Deus não controla todas as contingências, como Ele poderia garantir nossa salvação? Segundo as Escrituras, “aquele que começou boa obra em vocês a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus.” Se Deus não controlasse todas as coisas, essa promessa e todas as demais promessas divinas estariam em dúvida. Se o futuro não pertence completamente a Deus, não temos segurança plena de que nossa salvação se completará.
Além disso, se Deus não controlasse todas as coisas, Ele não seria soberano; e se não fosse soberano, então não seria Deus. Portanto, admitir contingências fora do controle de Deus implica acreditar que Deus não é verdadeiramente Deus. Se o nosso livre-arbítrio pudesse sobrepor-se à providência divina, então seríamos nós, enfim, aqueles que são Deus. Essa conclusão é inaceitável para qualquer pessoa que tenha uma visão bíblica do mundo. A providência divina não anula nossa liberdade; ao contrário, ela leva em conta nossa liberdade e, na infinita sabedoria de Deus, traça um caminho para cumprir a Sua vontade.






