O que é regeneração decisional / teologia da decisão?
A regeneração decisional, às vezes referida como teologia da decisão, é a crença de que uma pessoa deve tomar uma decisão por Cristo, aceitando-O conscientemente como Salvador, para ser salva. De acordo com essa teologia, o novo nascimento ocorre quando alguém: 1) ouve o evangelho, 2) é convencido da verdade do evangelho, 3) entende a necessidade de salvação e 4) escolhe aceitar Cristo em vez de rejeitá-Lo. Frequentemente, a decisão de aceitar Cristo é marcada por uma ação, como caminhar pelo corredor, rezar uma “oração do pecador”, assinar uma ficha de decisão ou outra atividade semelhante.

Os críticos da teologia da decisão a consideram um ensinamento enganoso e perigoso, pois confere ao homem controle excessivo sobre a sua salvação. Alguns equiparam a regeneração decisional (em que a salvação depende de uma decisão) à regeneração batismal (em que a salvação depende do batismo) e a outros sistemas baseados em obras. Se a salvação é pela graça, então ela é uma obra interna do Espírito Santo, ocorrendo no tempo que Ele escolher. Por outro lado, a regeneração decisional postula que o momento da salvação acontece quando alguém decide “aceitar Cristo”. Seus oponentes afirmam que isso equivale a salvação por obras, pois o exercício da vontade é uma ação humana e, portanto, não pode fazer parte da salvação.
Alguns se opõem à teologia da decisão porque ela corre o risco de associar um acontecimento espiritual a uma ação física. Exigir que alguém “tome uma decisão por Cristo” e que “expresse” essa decisão de forma externa fomenta a ideia de que a salvação é sinônimo de caminhar por um corredor ou de recitar uma oração, em vez de ser a obra do Espírito Santo (João 3:8). Essa falsa associação pode levar a conversões equivocadas, pois alguém que caminha pelo corredor após um sermão pode pensar que está salvo (com base em uma experiência emocional), mesmo quando não houve obra de Deus em seu coração. Além disso, os críticos da teologia da decisão rapidamente apontam que em nenhum lugar da Bíblia são mencionadas “decisões por Cristo”, nem se ordena que alguém “aceite Cristo” ou “peça que Ele entre no seu coração”.
Ademais, a Escritura indica que o homem, em seu estado natural, é incapaz de escolher a Cristo. Ele está “morto” em pecado (Efésios 2:1), não pode agradar a Deus (Romanos 8:8) e é totalmente impotente para chegar a Deus por si mesmo (João 6:44-45). Não há “ninguém que busca a Deus” (Romanos 3:11); uma pessoa não salva é incapaz de “aceitar as coisas que vêm do Espírito de Deus” (1 Coríntios 2:14). Assim, pedir a um não-cristão para tomar uma decisão por Cristo é como pedir a um cadáver para dançar. Somente a intervenção divina é capaz de operar a salvação.
No cerne do debate sobre a teologia da decisão está a discussão entre monergismo vs. sinergismo. Essa discussão aborda se a salvação é obra exclusiva de Deus, do homem ou de ambos. O monergismo, estreitamente ligado ao calvinismo e ao conceito da graça irresistível, ensina que Deus é o único responsável por todos os aspectos da nossa salvação. Ele nos salva soberanamente, sem qualquer cooperação humana, chegando até mesmo a nos conceder a fé para crer (Efésios 2:8-9). Já o sinergismo defende que cooperamos, de certa forma, na nossa salvação. A regeneração decisional pode ser vista como sinergista, na medida em que exige que decidamos por aceitar Cristo – uma cooperação muito limitada, mas cooperação, de qualquer forma.
A Bíblia deixa claro que a salvação é inteiramente obra de Deus. Nós não podemos fazer nada para conquistar a salvação por nós mesmos (Romanos 3:20). O Senhor nos escolhe (João 15:16), nos atrai para Si (João 6:44), nos concede vida (João 14:6) e nos preserva (João 10:28). O novo nascimento não é resultado de uma “decisão humana” (João 1:13). Assim como o Senhor trouxe vida ao vale de ossos secos (Ezequiel 37), Jesus “dá vida a quem Lhe apraz” (João 5:21). Ao mesmo tempo, a Bíblia ordena que todos se arrependam (Atos 3:19, 17:30) e creiam em Cristo (Atos 16:31). Embora as palavras “tomar uma decisão por Cristo” não apareçam nas Escrituras, o fato de ser ordenado o arrependimento parece implicar um exercício da vontade.
Como alguém é salvo? Pela graça, por meio da fé – e até mesmo a fé é um dom que nasce ao ouvir a Palavra de Deus (Romanos 10:17). A salvação não ocorre ao caminhar por um corredor ou ao levantar uma mão. Dizer uma oração não salva ninguém. Ler e concordar com páginas sobre salvação não pode salvar. A salvação consiste em uma nova criação espiritual, algo que somente o Espírito Santo pode realizar.
Isso significa que não seja errado para um evangelista realizar um “chamado ao altar” após uma mensagem? De forma alguma. Contudo, é preciso ter cuidado para nunca atribuirmos a nossa paz espiritual com Deus a um ato físico realizado por nós. Aproximar-se da frente de uma igreja não equivale a chegar a Cristo. É importante lembrar que simplesmente “tomar uma decisão” não é o que nos salva; é a obra soberana e poderosa de Deus em Cristo que opera a salvação. Ao invés de exortar as pessoas a “convidar Jesus a entrar”, o ideal seria incentivá-las a arrepender-se de seus pecados e a se lançarem sobre a misericórdia de Deus em Cristo.






