O que é relativismo ético?

Relativismo Ético

O termo “relativismo ético” engloba diversas crenças, mas todas concordam que não existem critérios universais e permanentes para determinar o que pode ou não ser um ato ético. Deus não concedeu nenhum comando divino e a natureza humana não manifesta uma lei comum. As consequências não interferem, pois cada pessoa ou sociedade pode interpretar a “correção” de cada resultado de maneira distinta.

O relativismo ético ensina que a ética de uma sociedade evolui com o tempo e muda para se adequar às circunstâncias. Ética refere-se à determinação coletiva do que é considerado certo ou apropriado em contraposição ao que é errado ou inapropriado, enquanto moral diz respeito à determinação individual do certo e do errado. Essa distinção mostra que moralidade e ética nem sempre estão alinhadas; por exemplo, uma pessoa pode considerar moralmente errado comer carne, mas também acreditar que é antiético que o governo obrigue os outros a serem vegetarianos. Da mesma forma, um pai pode concordar com a lei que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas por menores, mas permitir que seu filho experimente uma pequena quantidade de champanhe em uma reunião familiar.

Relativismo Cultural

O relativismo cultural, adotado por alguns antropólogos, propõe analisar uma cultura sem impor os próprios preconceitos. Segundo essa abordagem, o que é “certo” ou “errado” deve ser considerado somente dentro do contexto cultural e das influências ambientais de cada sociedade. Se uma determinada sociedade julga algo como bom, então isso é bom para ela. Essa perspectiva evita julgar um sistema ético diferente.

Alguns antropólogos criticam a atividade missionária entre povos indígenas com base nesse raciocínio, argumentando que uma cultura deve ser deixada em paz e que evangelizar uma tribo “perdida” equivale a destruir a cultura local. Práticas como o canibalismo ou a caça de cabeças podem, assim, ser defendidas em nome do relativismo cultural – afinal, de que direito teríamos para afirmar que outra cultura está errada? Enquanto nós não comemos pessoas, eles o fazem; tudo é relativo.

A Bíblia, porém, admite diferenças culturais. Em Atos 15:19-20, Tiago exorta os crentes judeus a não impor fardos desnecessários aos novos gentios convertidos. Os gentios não precisavam abandonar sua identidade cultural para se tornarem “judeus”. Em Cristo, todos eram um. Conforme Romanos 10:12, “não há distinção entre judeu e gentio – o mesmo Senhor é Senhor de todos e abençoa generosamente todos os que O invocam”. Ao mesmo tempo, a Bíblia apresenta um padrão de retidão que se estende a todas as culturas – o assassinato é sempre errado, mesmo que uma cultura particular afirme o contrário. Assim, alguns aspectos de uma cultura podem ser abraçados e até celebrados por um crente, enquanto outros devem ser abandonados, se a Bíblia os considerá-los pecaminosos. A cultura não dita a verdade; é Deus quem a determina.

Ética Pragmática

O pragmatismo defende que o “certo” de uma ação é determinado pelas consequências práticas dessa ação – a pergunta fundamental é: “Isso funciona?”. Segundo essa visão, se algo “funciona” para a sociedade, então é bom, e a ética deve mudar conforme novas descobertas são feitas e teorias lógicas são aplicadas. A Lei Seca é um exemplo clássico: a sociedade americana passou de aceitar o consumo de álcool para torná-lo ilegal, e, posteriormente, voltou a aceitá-lo quando a proibição se mostrou impraticável. Hoje, mudanças na legislação, como a legalização da maconha e do casamento entre pessoas do mesmo sexo, refletem tanto uma mudança na percepção do que é melhor para a sociedade quanto o que é viável na prática.

A autoajustabilidade da ética de uma sociedade é natural – por exemplo, os estilos de vestimenta, que refletem valores éticos, mudaram inúmeras vezes nos últimos cem anos. Essa capacidade de corrigir os padrões éticos também foi demonstrada pelo Ocidente ao abolir a escravidão. A Bíblia registra como os padrões éticos dos cristãos judeus mudaram quando Pedro percebeu que a igreja estava livre das leis alimentares judaicas (Atos 10:9-15).

No entanto, uma ética sem uma base sólida torna-se inútil, pois acaba refletindo apenas as crenças de um grupo específico em um determinado período. Deus nos chama para conhecer a verdade (João 8:32) e adorá-Lo em espírito de verdade (João 4:24). Basear nossas escolhas entre o certo e o errado apenas no pragmatismo é tolice. O caminho mais fácil pode ser eficiente e, por isso, considerado pragmático, mas nem sempre é o melhor caminho. Ademais, tentar determinar a moralidade apenas com base nas consequências é arriscado, pois não conseguimos prever todos os resultados de uma ação – apenas estimá-los. Somente Deus conhece o fim desde o princípio (Isaías 46:10). Além disso, uma boa ação pode ter um resultado negativo e vice-versa. Por exemplo, como julgar um assaltante de banco que nunca é pego? Seu crime seria “certo” por ter levado à “boa consequência” de enriquecer? Ou o caso de um bombeiro que morre enquanto resgata uma criança – seu sacrifício seria “errado” por ter a consequência impraticável de sua própria morte? As consequências não definem a verdade; é a Escritura que o faz.

Relativismo Moral

O relativismo moral defende que a moralidade de um ato depende inteiramente da opinião daquele que o pratica – assim, cada indivíduo tem o direito de determinar para si o que é moral. Contudo, com bilhões de opiniões sobre o que seria “moral”, o conceito de moralidade rapidamente perde seu significado.

Como diz Provérbios 16:25, “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim desse caminho é o da morte.” Ou seja, seguir aquilo que parece certo para cada um pode levar à ruína. O período dos juízes, descrito no Antigo Testamento, foi uma época de extrema desordem em Israel – “naqueles dias Israel não tinha rei; cada um fazia o que bem entendia” (Juízes 17:6; Juízes 21:25). Em outras palavras, foi uma era dominada pelo relativismo moral, onde, sem uma autoridade estabelecida, cada um seguia suas próprias regras. No entanto, os indivíduos não decidem a verdade; é Deus quem a estabelece.

Mesmo assim, os crentes são chamados a fazer julgamentos, para os quais necessitam de sabedoria (Provérbios 3:13). Em Hebreus 5:12-14 está escrito que a maturidade espiritual nos capacita a “discernir o bem do mal”. Isso não significa que a moralidade seja julgada apenas com base na opinião pessoal, mas sim fundamentada na Palavra de Deus que habita em nós (Hebreus 4:12).

Fundamentar a ética na Palavra de Deus garante que ela permaneça relevante para além do tempo de vida da cultura que a originou. A ética deve ser mais do que um indicativo da personalidade atual de uma sociedade; ela deve refletir a sabedoria eterna de Deus em guiar como devemos viver juntos em Sua honra. Uma ética baseada na sabedoria humana é tola, volúvel e passageira (Provérbios 14:12). Quando a humanidade caiu, os padrões pelos quais vivemos também se abalaram – “trocamos a verdade de Deus por uma mentira” (Romanos 1:25). Contudo, a Palavra de Deus permanece inalterada (1 Pedro 1:24-25).

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