Em toda a América existem igrejas com “Community” em seus nomes. O que são igrejas comunitárias, de onde vêm e o que elas têm em comum? Essa pergunta não tem uma resposta simples, mas este artigo tentará apresentar uma resposta adequada.
À medida que os pioneiros se espalhavam pelo continente norte-americano, levavam consigo suas crenças religiosas pessoais. Em alguns casos, foram essas mesmas convicções que os motivaram a se mudar, como os peregrinos que se estabeleceram em Plymouth e os mórmons que fundaram comunidades em Utah. Na maioria das vezes, indivíduos e famílias buscavam um novo recomeço, seja motivados pela corrida do ouro, pela busca por terras ou por outros fatores. Essas pessoas resilientes formaram comunidades que, com o tempo, se tornaram lar para novas igrejas. Naquele período, como a maioria das pessoas participava ativamente dos cultos, era comum uma pequena cidade abrigar uma igreja metodista, uma batista, uma católica, uma luterana, uma presbiteriana, entre outras, cada uma com uma congregação de 30 a 50 pessoas.
Com o passar dos anos, à medida que as cidades cresciam ou encolhiam, as igrejas acompanhavam essas transformações. Muitas vezes, duas ou três igrejas se uniam quando se tornavam pequenas demais para se sustentarem de forma independente. Nessas fusões, surgia a inevitável questão de qual nome atribuir ao novo grupo. Considerando que os paroquianos vinham de tradições distintas e possuíam crenças diferenciadas, frequentemente emergia a sensação de que uma igreja seria a “vencedora” e a outra a “perdedora”. Para amenizar essa tensão, as congregações chegavam a um acordo em adotar um novo nome que não remetesse à história prévia de nenhuma das denominações. Sendo essa a única igreja remanescente na comunidade, tornava-se natural denominá-la de “Igreja Comunitária”.
Em diversos casos, essas igrejas comunitárias representavam uma verdadeira fusão de crenças. Em busca da unidade, cada grupo fazia concessões em pontos doutrinários ou práticos que, de outro modo, causariam atritos. Como resultado, muitas dessas igrejas passaram a ter crenças pouco definidas, permitindo amplas variações de fé entre os membros. O foco geralmente recaía sobre os princípios essenciais, como a fé pessoal em Cristo, evitando assim divisões provo-cadas por interpretações doutrinárias minuciosas. Em algumas situações, a nova igreja mantinha vínculos com uma organização denominacional para suprir necessidades pastorais e administrativas, mas, em outras, tornava-se totalmente independente, sustentada unicamente pela comunidade que atendia.
Outra forma de surgimento das igrejas comunitárias ocorreu por meio de mudanças tanto nas denominações quanto nas igrejas locais. A maioria das igrejas pioneiras foi fundada com o auxílio de diversas denominações, que enviavam pregadores itinerantes ou pastores missionários para estabelecer novas congregações. Com o tempo, algumas dessas denominações modificaram suas crenças ao se fundirem com outras ou ao serem influenciadas por novas tendências teológicas dos seminários. As igrejas de áreas rurais, por sua vez, não se adaptavam tão rapidamente aos modismos, dedicando-se mais ao estudo pessoal e coletivo da Bíblia. Dessa forma, essas igrejas frequentemente se mostravam mais conservadoras em seus ensinamentos do que as denominações que representavam. Quando essas diferenças passaram a impactar as igrejas locais, muitas optaram por se desvincular da denominação e se transformarem em igrejas comunitárias independentes, entendendo que assim obedeciam ao comando de 2 Tessalonicenses 2:15, de “se firmar e guardar as tradições” que lhes haviam sido ensinadas. Durante o surgimento do movimento fundamentalista na década de 1890, muitos seguiram esse mesmo padrão, sendo que, além das igrejas individuais, surgiram associações entre as novas congregações independentes em busca de comunhão e apoio mútuo.
Mais recentemente, o nome “Igreja Comunitária” passou a ser adotado também por novas igrejas que não desejavam se vincular a nenhuma denominação específica. Essas congregações independentes são tão diversas quanto as denominações que tentam evitar. Podem ser carismáticas ou tradicionais, ecumênicas ou isolacionistas, contemporâneas ou de perfil mais conservador. Algumas mantêm vínculos com denominações, mas optam por substituir o nome denominacional (como “Batista”) para atrair pessoas que não frequentam a igreja. Esse posicionamento está baseado em 1 Coríntios 9:22, onde Paulo declara: “tornei-me tudo para todos, a fim de por todos os meios salvar alguns.”
Não há nada de contraditório, do ponto de vista bíblico, nas igrejas comunitárias, embora algumas possam adotar doutrinas ou práticas que não estejam de acordo com as Escrituras. Quem estiver considerando frequentar uma dessas igrejas deve examinar pessoalmente suas crenças e práticas para determinar sua compatibilidade com a fé. Em geral, as igrejas disponibilizam suas declarações de fé em seus sites ou escritórios. Independentemente do nome que ostente na porta, toda igreja é definida por um conjunto de crenças e práticas. Assim como nos orienta 2 Coríntios 2:9, é importante averiguar se a igreja em consideração é “obediente em todas as coisas.”






