O que são Codex Sinaiticus e Codex Vaticanus?
Pergunta
Nossa compreensão do texto original da Bíblia vem de antigos manuscritos escritos à mão. O Antigo Testamento foi escrito em hebraico, enquanto o Novo Testamento foi redigido em grego. Nenhuma cópia original foi preservada, mas milhares de cópias antigas foram descobertas. Como essas cópias são manuscritas, há variações na grafia, na ordem das palavras e na estrutura das frases entre elas. Embora essas variações possam causar alguma confusão quanto ao texto bíblico, a maioria das leituras dos manuscritos está em concordância. Das cerca de 500 páginas do Novo Testamento em grego, as variações representam somente aproximadamente metade de uma página.
Resposta
A maioria dos manuscritos antigos contém apenas pequenas porções do texto bíblico, como um livro ou parte de um livro. Entre esses manuscritos, há fragmentos de papiro, que são os remanescentes dos pergaminhos mais antigos, geralmente representando apenas algumas páginas. Esses fragmentos de papiro foram todos descobertos em escavações arqueológicas modernas. Outro grupo de manuscritos é o das letras inicias, os Unciais, que utilizam apenas letras maiúsculas e são escritos em pergaminho ou velino – uma superfície de escrita mais lisa que o papiro, permitindo letras mais arredondadas. Os manuscritos unciais foram produzidos entre os séculos III e VIII e frequentemente foram encadernados como páginas de um livro, ou códice, em vez de rolos. Alguns desses códices antigos sobreviveram de forma intacta, oferecendo uma visão sólida da Bíblia utilizada pela igreja primitiva.
Dois dos manuscritos completos (ou quase completos) mais antigos são o Codex Sinaiticus e o Codex Vaticanus. Ambos são escritos em pergaminho, e apresentam um grande número de correções sobre o texto original.
O Codex Sinaiticus, também conhecido como “Aleph” (a letra hebraica א), foi encontrado pelo Conde Tischendorf em 1859 no Mosteiro de Santa Catarina, no Monte Sinai. Partes do manuscrito foram encontradas no depósito do mosteiro, e uma porção maior foi apresentada a Tischendorf por um dos monges. É um códice extenso, com 400 páginas (ou folhas) que compõem cerca de metade do Antigo Testamento na versão da Septuaginta e o Novo Testamento completo. Data-se a segunda metade do século IV e é altamente valorizado por estudiosos da Bíblia em seus esforços para reconstruir o texto bíblico original. O Sinaiticus influenciou fortemente o trabalho de tradução das versões modernas da Bíblia. Embora alguns estudiosos o considerem como uma forma original do texto, também é reconhecido como o manuscrito do Novo Testamento primitivo com mais correções.
O Codex Vaticanus, também conhecido como “B”, foi encontrado na biblioteca do Vaticano. Ele é composto por 759 folhas e contém quase a totalidade do Antigo e do Novo Testamentos. Não se sabe exatamente quando chegou ao Vaticano, mas consta em um catálogo de 1475, e sua datação é do meio do século IV. O Vaticanus foi usado pela primeira vez como fonte pelo Erasmus em seu trabalho sobre o “Textus Receptus”. Como ele via o texto do Vaticanus como errático, raramente o seguia quando havia divergências em relação a outros textos gregos.
Existem diversas teorias sobre como esses textos antigos devem ser interpretados pelos estudiosos modernos. De um lado, há quem defenda que a leitura mais antiga deve prevalecer, por estar mais próxima do original. De outro, alguns acreditam que o que é majoritário deve ser considerado, dando prioridade à leitura representada pelo maior número de documentos. Uma crítica a essa segunda visão é que muitos desses documentos foram produzidos muito tardiamente (séculos IX a XV). A resposta reside no fato de que muitos dos fragmentos iniciais em papiro apoiam a leitura majoritária. Além disso, questiona-se: “Se o Vaticanus e o Sinaiticus representarem a leitura original do texto, por que há tão poucos manuscritos seguindo seus modelos?” Se eles fossem valorizados pela igreja primitiva, seria de se esperar encontrar muitas cópias derivadas deles ao longo da história. O que se observa, na realidade, é a existência de alguns manuscritos antigos que concordam com eles, mas depois há um desaparecimento desse tipo textual conforme avançamos cronologicamente.
Há muito a se aprender com o estudo desses e de outros textos antigos, e eles devem continuar sendo altamente valorizados pelos estudiosos. Embora possa haver divergências quanto à forma de usá-los, uma coisa é certa – mesmo com as variações textuais, eles demonstram que Deus preservou Sua Palavra através dos tempos. Podemos debater a redação exata de alguns trechos, mas o fato permanece de que mais de 90% do texto do Novo Testamento é unânime entre os manuscritos antigos. Nos trechos em que a leitura apropriada é disputada, não há mudança doutrinária significativa, e podemos ter a segurança de que temos as palavras reveladas e precisas de Deus, transmitidas até nós.






