O que significa que o Senhor é o meu Pastor (Salmo 23)?

Pergunta

O que significa que o Senhor é o meu Pastor (Salmo 23)?

Resposta

A expressão “o Senhor é o meu Pastor” vem de uma das passagens mais apreciadas das Escrituras, o Salmo 23. Nesta passagem, e ao longo do Novo Testamento, aprendemos que o Senhor é nosso Pastor de duas maneiras. Primeiro, como o Bom Pastor, que entregou Sua vida por Suas ovelhas; e, segundo, Suas ovelhas conhecem Sua voz e O seguem.

No Salmo 23, Deus utiliza a analogia das ovelhas e sua natureza para nos descrever. As ovelhas têm uma tendência natural de se desviar e se perder. Da mesma forma, nós, como crentes, tendemos a fazer o mesmo. Conforme o profeta Isaías afirma: “Todos nós, como ovelhas, nos desviamos; cada um se voltou para o seu próprio caminho”. Quando as ovelhas se dispersam, elas correm o risco de se perder, de serem atacadas ou até mesmo de se ferirem gravemente, seja por afogamento ou por quedas de penhascos.

Da mesma maneira, nossa própria natureza tem uma forte tendência a se desviar, seguindo os desejos da carne, os anseios do olhar e buscando a vaidade da vida. Assim, somos como ovelhas que se afastam do Pastor por meio de nossos próprios remédios inúteis e tentativas de se autjustificar. Faz parte da nossa natureza nos desviarmos, rejeitarmos a Deus e violarmos Seus mandamentos. Quando agimos assim, corremos o risco de nos perder e até mesmo de esquecer o caminho de volta para Deus. Além disso, ao nos afastarmos do Senhor, logo nos deparamos com inimigos que nos atacam de diversas maneiras.

As ovelhas são criaturas basicamente indefesas, que não conseguem sobreviver por muito tempo sem um pastor, de cuja proteção dependem totalmente. Assim como elas, dependemos completamente do Senhor para nos pastorear, proteger e cuidar de nós. As ovelhas são animais simples, difíceis de ensinar, com visão e audição fracas. São lentas e incapazes de escapar dos predadores, não possuem camuflagem ou armas naturais, como garras ou mandíbulas poderosas.

Além disso, as ovelhas se assustam facilmente e podem se confundir num piscar de olhos, muitas vezes precipitando-se de penhascos ao seguirem umas às outras. Os pastores, na época bíblica, enfrentavam inúmeros perigos ao cuidar de suas ovelhas, arriscando suas próprias vidas para protegê-las de animais selvagens, como lobos e leões. Davi, por exemplo, foi um desses pastores que se dispôs a arriscar a própria vida.

Jesus declarou ser nosso Pastor e demonstrou isso ao entregar Sua vida por nós. Ele não veio para ser servido, mas para servir e dar Sua vida em resgate por muitos. Por meio do Seu sacrifício voluntário, o Senhor viabilizou a salvação para todos os que O recebem com fé. Ao afirmar que é o Bom Pastor, Jesus fala de “entregar” Sua vida por Suas ovelhas.

Assim como as ovelhas, nós também precisamos de um pastor, pois estamos espiritualmente cegos e perdidos no pecado. É por isso que Jesus contou a parábola da ovelha perdida. Ele é o Bom Pastor que se dispõe a buscar aqueles que se desviaram, salvá-los e mostrar o caminho para a vida eterna. Tendemos, como ovelhas, a agir com preocupação e medo, seguindo uns aos outros. Ao não escutarmos a voz do Pastor, corremos o risco de ser facilmente conduzidos pela influência de outros, o que pode levar à nossa própria ruína. Jesus, o Bom Pastor, alerta aqueles que não creem e não O ouvem, explicando que Suas ovelhas ouvem Sua voz, O conhecem e O seguem; a Ele, confia a vida eterna, que jamais poderá ser tirada de Sua mão.

O Salmo 23 nos ensina que o Pastor supre todas as necessidades das ovelhas: alimento, água, descanso, segurança e direção. Quando seguimos o nosso Pastor, sabemos que teremos tudo o que precisamos, pois Ele sabe exatamente o que nos falta.

As ovelhas não se deitam quando estão com fome, nem bebem de riachos de forte correnteza. Às vezes, o pastor represaria uma corrente temporariamente para que as ovelhas saciem a sede. O verso que fala sobre conduzir as ovelhas “ao lado das águas sossegadas” ilustra essa ideia. O pastor deve conduzir suas ovelhas porque elas não sabem se orientar sozinhas. Assim, as ovelhas escutam a voz do seu pastor e O seguem – da mesma forma que nós ouvimos e seguimos a Jesus Cristo, nosso verdadeiro Pastor. E se uma ovelha se desviar, o pastor deixa temporariamente o rebanho, confia aos seus ajudantes e sai em busca do animal perdido.

No Salmo 23, quando se fala em “caminhos”, a palavra hebraica remete a “trilhas já percorridas”. Ou seja, quando as ovelhas se aventuram por um caminho novo, acabam se metendo em encrenca. Essa passagem nos adverte, de forma semelhante ao que se encontra em outras Escrituras, para que não sejamos levados por ensinos estranhos. O apóstolo Paulo também faz referência a essa ideia em suas cartas.

Por fim, o pastor cuida das ovelhas por amor e para manter sua reputação de fiel cuidador. Como visto no Salmo 23, a analogia do Senhor como o Bom Pastor é retomada por Jesus no capítulo 10 do Evangelho de João, em que Ele confirma Sua divindade ao se referir a Si mesmo como o Pastor das ovelhas. O Deus Eterno é o nosso Pastor, e nada poderia ser diferente.

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