Por que Deus também destruiu os animais no Dilúvio (Gênesis 6-8)?

Deus enviou o Dilúvio como um julgamento sobre a maldade da humanidade. Mas não foram apenas os seres humanos que pereceram – grande parte dos animais também foi eliminada. Conforme descrito, Deus declarou: “Vou eliminar o homem que criei da face da terra, tanto o homem quanto os animais, os seres que rastejam e as aves do céu, pois me arrependo de tê-los feito.” Surge, então, a dúvida: por que Deus destruiu a vida animal, já que os animais não eram culpados de pecado?

Em primeiro lugar, é importante notar que Deus não destruiu toda a vida animal. Dois de cada tipo de animal impuro e sete de cada animal puro foram preservados, e a vida marinha não sofreu danos. A destruição concentrou-se nos animais terrestres e nas aves.

Deus tinha um plano de recriação. Assim como criou a vida humana e animal no princípio, Ele agora pretendia recriá-la. Ao final do episódio, os animais deixam a arca para iniciar um novo mundo, obedecendo à ordem de se multiplicarem.

Podemos supor que, de alguma forma, a vida animal também havia se corrompido juntamente com a humana. A narrativa utiliza a expressão “toda a carne” para incluir tanto humanos quanto animais. Embora não seja explicado como os animais se corromperam, algumas interpretações sugerem o uso dos animais em sacrifícios pagãos ou que a violência que permeava a terra teve, em parte, a veracidade desse envolvimento. Independentemente da origem dessa corrupção, Deus os considerava parte da criação que precisava ser recriada.

Outra consideração refere-se ao bem-estar de Noé e sua família. É possível que os animais terrestres tenham sido eliminados para garantir uma convivência mais segura, visto que a sobrevivência de oito pessoas em meio a uma fauna descontrolada seria extremamente difícil. Assim, ao equilibrar a quantidade de seres vivos a bordo da arca, Deus assegurou um ambiente mais propício para o recomeço da vida na Terra.

Em outros trechos do Antigo Testamento, observa-se que o pecado de uma pessoa pode, às vezes, contaminar outros seres vivos. Em um sentido cerimonial, os animais que pereceram no Dilúvio podem ser vistos como moralmente contaminados devido à sua associação com uma humanidade imersa em pecado, caracterizando aquele mundo antediluviano.

Em resumo, embora Deus tenha eliminado muitos animais no Dilúvio, Ele poupou um número considerável deles. Ao escolher recriar a vida na Terra, Deus preservou somente os animais terrestres que foram conduzidos à arca, possibilitando, após o Dilúvio, uma convivência segura entre a vida humana e a animal.

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