Parece estranho que um pregador se irritasse com o arrependimento dos seus ouvintes, mas essa foi exatamente a reação de Jonas diante do arrependimento dos ninivitas. Em Jonas 4:2 lemos: “Ó Senhor, não foi isso mesmo o que eu disse quando ainda estava na minha terra? Por isso me apressei para fugir a Társis; pois sabia que tu és um Deus misericordioso, compassivo, tardio em irar-se, abundante em amor e que te arrependes do desastre.” Jonas sabia desde o início que Deus era misericordioso e, por isso, se o povo de Nínive se arrependesse, Ele os poupava. O profeta ficou irado com o arrependimento deles porque preferia vê-los destruídos.
Podemos identificar várias razões para o desejo de Jonas ver Nínive destruída. Primeiramente, Nínive era a capital da Assíria, um povo cruel e belicoso, inimigo de Israel, cuja destruição representaria uma vitória para o seu povo. Em segundo lugar, é provável que Jonas quisesse ver a queda da cidade para satisfazer sua própria noção de justiça, acreditando que Nínive merecia o rigor do julgamento divino. Em terceiro lugar, ao reter o julgamento de Nínive, Deus desmentia as previsões de Jonas, tornando suas palavras sem fundamento, já que ele havia anunciado a destruição da cidade.
Dessa experiência, aprendemos que devemos louvar a Deus por Sua bondade. Antes de tudo, nosso Deus é misericordioso e está disposto a perdoar todos aqueles que se arrependem (veja 2 Pedro 3:9). Mesmo os ninivitas, sendo gentios, receberam a salvação divina; em Sua bondade, Deus advertiu os assírios antes de trazer o juízo, dando-lhes a oportunidade de se arrepender.
Além disso, Deus se importa com as pessoas de todas as nações, sendo, por essência, um Salvador. Conforme revela o capítulo 15 de Lucas, por meio das parábolas da ovelha perdida, da moeda perdida e do filho pródigo, o coração de Deus se volta para a redenção de todos os que se voltam a Ele. Da mesma forma, a Grande Comissão registrada em Mateus 28:18-20 enfatiza o chamado divino de levar a mensagem das boas novas a todas as nações, e Romanos 1:16 ressalta a importância de compartilhar o evangelho tanto com judeus quanto com gentios.
Por fim, Deus demonstra preocupação com aqueles que nunca tiveram o privilégio de ouvir sobre Sua salvação. A menção de “mais de 120.000 pessoas que não diferenciam a mão direita da esquerda” (Jonas 4:11) provavelmente se refere àquelas que desconhecem a verdade espiritual, sendo incapazes de distinguir o certo do errado no assunto de Deus. Assim, Deus se compadece da cegueira espiritual dos pagãos e deseja estender Sua salvação a todos que se arrependem e se voltam para Ele.






