O terceiro livro da série “As Crônicas de Nárnia”, The Voyage of the Dawn Treader, reúne os leitores com os dois mais jovens filhos Pevensie, Lúcia e Edmundo, que são transportados de volta à terra de Nárnia através de uma pintura de um navio em um quarto. Enquanto observam a pintura, o navio começa a se mover, as ondas do mar os respingam com espuma salgada e eles são sugados para dentro da obra, retornando a Nárnia. A bordo do navio estão o rei Caspian, personagem do segundo livro, Príncipe Caspian, e sua comitiva, em uma busca pelo destino dos sete lordes de Nárnia que zarparam rumo ao oeste e nunca mais retornaram. Essa jornada e as aventuras subsequentes estruturam a narrativa do livro.
Junto com Lúcia e Edmundo, seu primo Eustace Clarence Scrubb também é trazido para Nárnia. Se alguém merece um nome tão peculiar, esse é Eustace – um garoto insuportável, briguento, arrogante, ganancioso e invejoso – personagem perfeito para a brilhante representação de Lewis sobre pecado e redenção. Após desembarcar em uma das Ilhas Solitárias, Eustace se afasta para evitar ajudar na reforma do navio e se refugia, durante uma tempestade, na caverna de um dragão. Lá, ele descobre um vasto tesouro de ouro e joias e se deita sobre uma montanha de moedas para dormir. Ao despertar, percebe que, devido à sua ganância e egoísmo, transformou-se em um dragão – o aspecto externo refletindo seu interior. Ele tenta se livrar da pele e, juntamente com sua natureza dracônica, banhando-se em uma piscina, porém sem sucesso, evidenciando o esforço humano de se purificar do pecado por meio de suas próprias obras. Quando, finalmente, é confrontado por Aslan, o grande leão de Nárnia que simboliza Cristo na série, é ele quem retira, com suas garras, a áspera e escamosa pele de dragão. “A primeira lágrima que ele derramou foi tão profunda que pensei ter atingido meu coração”, explica Eustace. Em seguida, Aslan o reveste com roupas novas, simbolizando a transformação do cristão em uma nova criação em Cristo. A partir desse momento, Eustace começa a se tornar uma pessoa melhor, demonstrando, mesmo com algumas falhas, que sua transformação já havia se iniciado – uma verdadeira ilustração da vida cristã.
Em vários momentos, Aslan reaparece ao longo do livro, remetendo à presença do Espírito Santo, que guia e orienta os crentes. Em uma passagem, Caspian e Edmundo quase se enfrentam quando, cegados temporariamente pela ganância e luxúria, descobrem uma piscina que transforma tudo em ouro. Apenas a aparição de Aslan, caminhando lentamente sobre uma colina próxima, os faz recobrar o juízo, convencendo-os de que aquele era um lugar amaldiçoado – eles o batizam de “Água da Morte” e decidem jamais retornar.
Mais adiante, ao abrir o livro do Mágico na ilha dos Dufflepuds, Lúcia encontra um feitiço que lhe concederia uma beleza “além da capacidade dos mortais.” Em um vislumbre, ela se enxerga desfrutando do poder que tal beleza proporcionaria, exercendo domínio sobre sua irmã, embora sua consciência lhe advertisse. “Eu direi o feitiço. Não me importa. Eu o farei.” Contudo, ao voltar seu olhar para o livro, ela encontra o rosto do “grande Leão, o próprio Aslan… Ele estava rosnando e era possível ver a maior parte de seus dentes”. Tomada de pavor, Lúcia vira imediatamente a página. Com essa cena, Lewis retrata Aslan como o Espírito Santo que habita, santifica, instrui os crentes, os convence do pecado e os adverte para que não permitam que o pecado reine em suas vidas.
Em outro momento, quando o navio é engolido por uma escuridão aterrorizante da qual não há aparente escape, Lúcia, em seu desespero, sussurra: “Aslan, se você algum dia nos amou, envie ajuda agora.” De repente, ao longe, uma luz surge em forma de cruz e, em seguida, assume a forma de um pássaro que circula o mastro, conduzindo o navio para fora da escuridão. Lúcia ouve a “pequena e suave voz” de Aslan, que lhe diz: “Coragem, querido coração”, enquanto sente seu quente sopro no rosto – uma representação de Cristo (simbolizado pelo pássaro) conduzindo Seu povo (o navio) das trevas do maligno para a luz do Seu evangelho.
No capítulo final, Aslan aparece pela última vez, agora sob a forma de um Cordeiro que lhes serve a refeição mais deliciosa que já tiveram, prenunciando o banquete de casamento do Cordeiro. Essa cena é uma representação poderosa tanto de Jesus, o Leão da tribo de Judá, quanto do Cordeiro de Deus.
Esses são apenas alguns dos temas cristãos presentes em The Voyage of the Dawn Treader, oferecendo amplas oportunidades para que pais ensinem verdades bíblicas aos seus filhos em um cenário encantador de fantasia e aventura.






