Qual é a diferença entre uma seita e um culto?

Qual a diferença entre uma seita e um culto?

Pergunta

Resposta

A palavra seita vem do latim secta, que significa “escola de pensamento”. Trata-se de um termo subjetivo que pode ser aplicado a uma fé ou denominação religiosa ou referir-se a um grupo dissidente herético. Às vezes, a conotação é de desaprovação, semelhante às “heresias destrutivas” mencionadas em passagens bíblicas, embora não haja exemplos consistentes ou aceitos para identificar uma seita.

Seitas são encontradas em todas as religiões. O Islã possui sunitas e xiitas, o Judaísmo conta com ortodoxos e caraitas, o Hinduísmo apresenta diferentes vertentes, e o Cristianismo tem batistas e luteranos. Estes são exemplos de seitas religiosas, e podem ser entendidas como “ramificações” de diferentes religiões. Existem também seitas não-religiosas, como os capitalistas e os socialistas entre os economistas, ou os freudianos e os junguianos entre os psiquiatras.

Em contrapartida, a palavra culto sempre carrega uma conotação negativa. Existem critérios específicos para identificar um culto. Em Combate ao Controle Mental de Cultos, o desprogramador Steven Hassan destaca o que ele chama de “cultos destrutivos”, definindo-os como “um regime autoritário em forma de pirâmide, comandado por uma pessoa ou um grupo que exerce controle ditatorial. Utiliza engano no recrutamento de novos membros – por exemplo, as pessoas NÃO são informadas, desde o início, sobre a verdadeira natureza do grupo, suas crenças e o que será exigido delas ao se tornarem membros.” Hassan também ressalta que os cultos não se restringem ao âmbito religioso; eles podem ser de natureza comercial ou secular.

Hassan desenvolveu o acrônimo BITE para descrever os componentes empregados por cultos destrutivos através do controle mental. BITE abrange as seguintes áreas de controle:

  • Controle de Comportamento: As associações, os arranjos de moradia, a alimentação, o vestuário, os hábitos de sono, as finanças, entre outros aspectos da vida de um indivíduo, são rigorosamente controlados.
  • Controle de Informação: Os líderes cultuais deliberadamente retêm ou distorcem informações, mentem, propagandam e limitam o acesso a outras fontes de informação.
  • Controle do Pensamento: São utilizadas palavras carregadas e linguagens específicas para desencorajar o pensamento crítico, proibindo qualquer comentário negativo sobre os líderes ou as políticas do grupo, além de promover uma doutrina de “nós contra eles”.
  • Controle Emocional: Os líderes manipulam seus seguidores por meio do medo – inclusive o medo de perder a salvação e de ser excluído –, da culpa e da doutrinação.

Do ponto de vista cristão, um culto é qualquer grupo que segue ensinamentos que contradizem a doutrina cristã ortodoxa e promovem a heresia. Segundo essa definição, tanto a Sociedade Torre de Vigia quanto os Santos dos Últimos Dias (Mórmons) são considerados cultos.

Como nem todos os cultos são imediatamente reconhecidos como tais, e algumas pessoas podem facilmente confundir cultos com seitas ou denominações, é fundamental seguir o exemplo dos bereanos em Atos 17:11: “Os bereanos receberam a mensagem com grande entusiasmo e examinavam as Escrituras diariamente para ver se o que era dito era verdade.” Pesquise sempre as crenças de um grupo antes de se comprometer com ele, examine seus comportamentos e doutrinas à luz da Bíblia e esteja atento aos métodos descritos no modelo BITE. Converse com os membros, mas recuse qualquer tipo de coerção. Se algo não parecer certo, evite se envolver.

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