Qual é a história do Cristianismo?

O que é a história do Cristianismo?

A história do Cristianismo é, na verdade, a história da civilização ocidental. O Cristianismo teve uma influência abrangente na sociedade — a arte, o idioma, a política, a lei, a vida familiar, as datas do calendário, a música e até mesmo nossa forma de pensar foram marcadas pela influência cristã por quase dois milênios. Assim, a história da igreja é fundamental de se conhecer.

História do Cristianismo – O Início da Igreja

A igreja começou 50 dias após a ressurreição de Jesus. Jesus havia prometido que edificaria Sua igreja e, com a vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes, a eklésia (a “assembleia convocada”) teve seu início oficial. Naquele dia, três mil pessoas ouviram o sermão de Pedro e optaram por seguir Cristo.

Os primeiros convertidos ao Cristianismo eram judeus ou prosélitos do Judaísmo, e a igreja estava centrada em Jerusalém. Por esse motivo, o Cristianismo foi inicialmente visto como uma seita judaica, semelhante aos fariseus, saduceus ou essênios. Entretanto, a mensagem dos apóstolos era radicalmente diferente dos ensinamentos de outros grupos judaicos. Jesus era o Messias judeu, o rei ungido que veio cumprir a Lei e instituir uma nova aliança baseada em Sua morte. Essa mensagem, somada à acusação de terem matado o próprio Messias, enfureceu muitos líderes judeus, e alguns, como Saulo de Tarso, agiram para suprimir “o Caminho”.

História do Cristianismo – O Crescimento da Igreja Primitiva

Pouco tempo após Pentecostes, as portas da igreja foram abertas para os não judeus. O evangelista Filipe pregou aos samaritanos e muitos creram em Cristo. O apóstolo Pedro chegou a pregar para uma família gentia, que também recebeu o Espírito Santo, enquanto o apóstolo Paulo, que havia perseguido a igreja, espalhou o evangelho por todo o mundo greco-romano, alcançando até Roma e possivelmente a Espanha.

Por volta do ano em que Jerusalém foi destruída, a maioria dos livros do Novo Testamento já havia sido concluída e circulava entre as igrejas. Nos 240 anos seguintes, os cristãos enfrentaram perseguições por parte de Roma, ora de forma aleatória, ora por decretos oficiais.

Nos séculos II e III, à medida que o número de fiéis crescia, a liderança da igreja se tornou cada vez mais hierárquica. Durante esse período, várias heresias foram desmascaradas e refutadas, e o cânon do Novo Testamento foi estabelecido, enquanto as perseguições se intensificavam.

História do Cristianismo – A Ascensão da Igreja Romana

Em 312, o imperador romano Constantino afirmava ter tido uma experiência de conversão. Cerca de 70 anos depois, no reinado de Teodósio, o Cristianismo foi declarado a religião oficial do Império Romano. Os bispos passaram a ocupar posições de destaque no governo e, por volta de 400, os termos “Romano” e “Cristão” tornaram-se praticamente sinônimos.

Após Constantino, os cristãos deixaram de ser perseguidos; eventualmente, foram os pagãos que sofreram perseguições, a menos que se convertessem ao Cristianismo. Essas conversões forçadas levaram muitas pessoas a ingressar na igreja sem uma verdadeira transformação interior. Os pagãos introduziram seus ídolos e práticas, e a igreja passou por mudanças: surgiram ícones, arquitetura elaborada, peregrinações e a veneração de santos, alterando a simplicidade do culto da igreja primitiva. Nesse mesmo período, alguns cristãos optaram pela vida monástica, isolando-se em busca de espiritualidade, e o batismo infantil foi introduzido como forma de lavar o pecado original.

Nas décadas seguintes, diversos concílios tentaram definir a doutrina oficial da igreja, censurar abusos clericais e promover a reconciliação entre facções conflitantes. Com o enfraquecimento do Império Romano, a igreja se tornou mais poderosa, o que gerou divergências entre as comunidades ocidentais e orientais. A igreja do Ocidente, sediada em Roma, reivindicava autoridade apostólica sobre todas as demais, sendo que o bispo de Roma chegou a se autodenominar “Papa”. Essa postura não agradou à igreja do Oriente, baseada em Constantinopla, e as divisões teológicas, políticas, processuais e linguísticas culminaram no Grande Cisma de 1054, quando a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Oriental excomungaram-se mutuamente e romperam os laços.

História do Cristianismo – A Idade Média

Durante a Idade Média na Europa, a Igreja Católica Romana manteve seu poder, com os papas exerciendo autoridade em todos os âmbitos da vida e vivendo como se fossem reis. Corrupção e ganância eram comuns na liderança eclesiástica. Entre 1095 e 1204, os papas apoiaram uma série de cruzadas sangrentas e custosas em um esforço para conter os avanços muçulmanos e libertar Jerusalém.

História do Cristianismo – A Reforma

Ao longo dos anos, algumas pessoas tentaram denunciar os abusos teológicos, políticos e de direitos humanos cometidos pela Igreja Romana, mas foram silenciadas. Em 1517, um monge alemão, Martinho Lutero, posicionou-se publicamente contra a igreja, fazendo com que sua mensagem ecoasse amplamente. Com a iniciativa de Lutero, iniciou-se a Reforma Protestante, marcando o fim da Idade Média.

Os reformadores, como Lutero, Calvino e Zwingli, diferiam em pontos teológicos mais específicos, mas eram unânimes ao afirmar a autoridade suprema da Bíblia sobre a tradição da igreja e que os pecadores são salvos pela graça, mediante a fé, independentemente das obras.

Embora o Catolicismo tenha ressurgido na Europa e conflitos entre protestantes e católicos se tenham desenrolado, a Reforma foi decisiva para reduzir o poder da Igreja Católica Romana e abrir caminho para a era moderna.

História do Cristianismo – A Era das Missões

De 1790 a 1900, a igreja demonstrou um interesse sem precedentes pela missão. A expansão da colonização expôs a necessidade de missões, e a revolução industrial proporcionou os recursos financeiros necessários para apoiar os missionários. Assim, missionários percorreram o mundo pregando o evangelho, estabelecendo igrejas em diversos países.

História do Cristianismo – A Igreja Moderna

Hoje, tanto a Igreja Católica Romana quanto a Igreja Ortodoxa Oriental têm tomado medidas para reparar relações rompidas, assim como católicos e luteranos. Por sua vez, a igreja evangélica se mantém fortemente independente, alicerçada na teologia reformada. Além disso, testemunhamos o surgimento do pentecostalismo, do movimento carismático, do ecumenismo e de diversos cultos.

História do Cristianismo – O Que Aprendemos com Nossa História

Se não aprendermos mais nada com a história da igreja, ao menos devemos compreender a importância de deixar que “a palavra de Cristo habite ricamente em nós”. Cada um de nós tem a responsabilidade de conhecer o que as Escrituras ensinam e viver de acordo com esses ensinamentos. Quando a igreja se esquece dos ensinamentos bíblicos e ignora as palavras de Jesus, o caos se instala.

Hoje existem muitas igrejas, mas apenas um evangelho, que é “a fé que já foi entregue de uma vez por todas aos santos”. Que possamos preservar essa fé e transmiti-la sem alterações, confiando que o Senhor continuará a cumprir Sua promessa de edificar Sua igreja.

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