Qual é a interpretação futurista do livro de Apocalipse?

Qual é a interpretação futurista do livro do Apocalipse?

A interpretação futurista do livro do Apocalipse é uma das quatro abordagens para compreender as profecias deste livro. As outras três abordagens são a historicista, a preterista e a espiritual (ou idealista).

A premissa básica do ponto de vista futurista é que a maioria das profecias do Apocalipse ainda aguarda um cumprimento literal no futuro. Essa forma de interpretar o Apocalipse é bastante popular atualmente, especialmente entre os dispensacionalistas. É o método utilizado pelos autores da célebre série de livros Deixados para Trás. Quem defende essa visão geralmente acredita que tudo o que ocorre após o capítulo 3 do Apocalipse será cumprido futuramente.

A visão futurista costuma dividir o Apocalipse em três seções, conforme indicado em Apocalipse 1:19, onde o apóstolo João é instruído a “escrever o que viu, o que existe agora e o que se há de realizar no futuro”. Seguindo esse esquema, o primeiro capítulo apresenta a visão de Cristo ressuscitado, representando o passado (“o que você viu”). Os capítulos 2 e 3, que contêm as cartas às sete igrejas, descrevem o presente (“o que existe agora”). Por fim, os capítulos 4 a 22 descrevem eventos futuros (“o que se há de realizar mais adiante”).

Os dispensacionalistas geralmente acreditam que o arrebatamento da igreja ocorre no momento descrito em Apocalipse 4:1, momento a partir do qual se inicia o período futurista. Esse versículo marca o começo da tribulação, um período de sete anos em que Deus finaliza a disciplina sobre Israel e inicia o Seu julgamento sobre o mundo incrédulo, conforme descrito em Apocalipse 4–19. Alguns futuristas situam o arrebatamento da igreja em Apocalipse 19, ao tempo da segunda vinda de Jesus.

A abordagem futurista enxerga basicamente a visão de João como uma série de eventos cronológicos, embora alguns futuristas considerem a existência de padrões paralelos ou cíclicos nas visões de Apocalipse 4–19. Essa interpretação tende a ser mais literal do que as outras abordagens interpretativas, que costumam adotar uma visão alegórica dos eventos descritos no Apocalipse. Por exemplo, em Apocalipse 19:20, lê-se que “a besta foi capturada, juntamente com o falso profeta que havia realizado milagres em seu favor… e os dois foram lançados vivos em um lago de fogo ardente”. A interpretação futurista entende essa passagem como uma profecia na qual duas pessoas malignas enfrentarão um julgamento pessoal de Deus. Em contrapartida, a interpretação espiritual a vê meramente como uma narrativa moral que expressa um dos aspectos da eterna luta entre o bem e o mal, enquanto a visão preterista defende que esse evento já ocorreu, em algum momento do primeiro século.

Críticos da visão futurista às vezes a acusam de ser excessivamente literal e de não reconhecer significados simbólicos. No entanto, os futuristas reconhecem que alguns aspectos do Apocalipse são simbólicos. A descrição de Jesus retornando com uma “espada afiada” que sai de sua boca é obviamente simbólica, mas também possui uma interpretação literal – Jesus voltará, e vencerá a batalha pelo poder de Sua palavra.

Um erro a ser evitado na interpretação futurista do Apocalipse é o de se tornar um “teólogo de jornal”, que tenta sobrepor eventos atuais à cronologia do Apocalipse. Essa abordagem pode levar à fixação de datas, caso não se tenha cautela. Infelizmente, muitas pessoas já foram influenciadas por especialistas em profecias cujas previsões não se concretizaram.

Existem diferentes pontos de vista sobre os tempos finais entre os cristãos que acreditam na Bíblia. Muitos consideram que a visão futurista do Apocalipse é a que mais se alinha com uma interpretação literal da Bíblia como um todo e a que melhor reconhece a própria reivindicação do livro de ser uma profecia. Independentemente da interpretação adotada, todos os cristãos devem se preparar para encontrar Jesus Cristo e aguardar Seu retorno.

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