Qual foi o significado do sacerdote ungido?

Qual foi o significado do sacerdote ungido?

Êxodo 29 descreve as instruções para consagrar os primeiros sacerdotes ungidos de Israel. No versículo 7, lemos: “Tome o óleo da unção e unja-o, derramando-o sobre a cabeça.” O ato de derramar o óleo sobre a cabeça do sacerdote estava repleto de significado.

A unção demonstra que o sacerdote foi apartado para o serviço sagrado a Deus. A consagração de Aarão e de seus filhos, na verdade, ocorreu mais tarde, em Levítico 8: “Então, Moisés tomou o óleo da unção, ungiu o tabernáculo e tudo o que nele havia, e assim os consagrou. Ele aspergiu o altar com parte do óleo sete vezes, ungiu o altar, todos os seus utensílios e a bacia com o seu suporte, para consagrá-los. Derramou também um pouco do óleo da unção sobre a cabeça de Aarão, ungindo-o para consagrá-lo” (versículos 10 a 12).

O propósito da unção – a consagração – é mencionado três vezes nesse trecho. Consagrar significa separar ou tornar santo. Após a unção, os sacerdotes foram considerados santos para Deus; eles estavam santificados, deixando de ser comuns.

Após essa unção, foram realizados sacrifícios e dadas instruções antes que Aarão e seus filhos iniciassem suas funções sacerdotais no tabernáculo. O Senhor confirmou de forma dramática a unção de Aarão no momento do seu primeiro sacrifício. Em Levítico 9:22–24 lemos: “Então Aarão levantou as mãos em direção ao povo e os abençoou. Tendo oferecido o sacrifício pelo pecado, o holocausto e a oferta da comunhão, ele desceu. Moisés e Aarão entraram na tenda da congregação. Ao saírem, abençoaram o povo; e a glória do Senhor se apareceu a todos. Do Seu próprio esplendor saiu fogo, que consumiu o holocausto e as partes gordurosas sobre o altar. Ao verem tudo isso, o povo exclamou de alegria e caiu com o rosto em terra.”

Deus havia separado Aarão e seus filhos, ungindo-os para o serviço. Ele confirmou essa separação por meio de eventos sobrenaturais: foi o próprio Deus que incendiou a oferta e manifestou Sua glória diante do povo, que respondeu com alegria, reverência e adoração.

A prática da unção é empregada em outras partes da Bíblia para separar pessoas para o serviço. Samuel ungiu Saul e, mais tarde, Davi como reis de Israel. Em Marcos 14:8, Jesus defendeu uma mulher que derramara óleo sobre Ele, dizendo: “Ela veio antecipadamente para ungir o Meu corpo em preparação para o sepultamento”. O próprio significado da palavra Cristo é “o Ungido”. Jesus foi apartado como Servo de Deus (veja Isaías 42:1).

No Novo Testamento, a unção de uma pessoa também está associada às orações por cura. Em Tiago 5:14–15 lemos: “Está alguém entre vocês doente? Então, chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. E a oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, serão perdoados.”

Em síntese, um sacerdote ungido é aquele apartado para o serviço a Deus. A unção fazia parte de uma cerimônia pública que demonstrava a todos que Deus havia escolhido aquela pessoa para uma missão especial. Esse conceito, de ser separado por meio da unção, também estava associado aos reis e a Jesus. Na igreja, a unção passa a simbolizar também as orações de cura para os enfermos, evocando as ideias de santidade e purificação, conceitos essenciais para os sacerdotes judeus e para os crentes em Cristo nos dias de hoje.

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