Se Deus odeia o sacrifício humano, como o sacrifício de Jesus poderia ser o pagamento pelos nossos pecados?

Se Deus odeia o sacrifício humano, como o sacrifício de Jesus pode ser o pagamento pelos nossos pecados?

Pergunta

A Bíblia deixa claro que Deus odeia o sacrifício humano. As nações pagãs que cercavam os israelitas praticavam sacrifícios humanos como parte da adoração de falsos deuses. Deus declarou que esse tipo de culto era repugnante para Ele. Além disso, o sacrifício humano está associado, no Antigo Testamento, a práticas perversas como a feitiçaria e a adivinhação, também detestáveis a Deus. Dessa forma, se Deus odeia o sacrifício humano, como pode ter sido necessário que Cristo se entregasse na cruz para pagar pelos nossos pecados?

Resposta

Não há dúvida de que um sacrifício pelos pecados era imprescindível para que as pessoas tivessem a esperança da vida eterna. Deus estabeleceu a necessidade do derramamento de sangue para a cobertura dos pecados. Inclusive, foi Ele mesmo quem realizou o primeiro sacrifício animal, usando o sangue de um animal para, provisoriamente, cobrir o pecado de Adão e Eva após impor-lhes as consequências da desobediência. Quando entregou a Lei a Moisés, Deus forneceu instruções detalhadas sobre como, quando e em que circunstâncias os sacrifícios animais deveriam ser oferecidos. Estes sacrifícios serviam apenas como um lembrete anual dos pecados, uma vez que o sangue de touros e cabras era incapaz de retirar os pecados de forma definitiva.

Existem várias razões que demonstram que o sacrifício de Cristo na cruz não contradiz a proibição do sacrifício humano. Em primeiro lugar, Jesus não era meramente humano. Se o Seu sacrifício dependesse apenas de Sua humanidade, ele seria apenas temporário, visto que uma vida humana finita não seria capaz de expiar os pecados de toda a humanidade, já que nenhum ser finito pode saldar uma dívida perante um Deus infinito. Assim, o único sacrifício que realmente bastaria seria o sacrifício infinito – e somente Deus, em Sua totalidade, poderia pagar a penalidade que a própria justiça exigia. Foi por esse motivo que Deus se fez homem e habitou entre os homens.

Em segundo lugar, não foi Deus quem sacrificou Jesus; foi o próprio Jesus, Deus encarnado, que se ofereceu voluntariamente. Ele não foi forçado; escolheu entregar Sua vida de livre e espontânea vontade, declarando: “Ninguém a tira de mim, mas eu a entrego por minha própria vontade. Tenho autoridade para entregá-la e autoridade para retomá-la.” Com isso, o Filho sacrificou-Se ao Pai, cumprindo plenamente os requisitos da Lei. Diferentemente dos sacrifícios temporários do passado, o sacrifício único e definitivo de Jesus foi seguido por Sua ressurreição, simbolizando a vitória sobre a morte e proporcionando a promessa de vida eterna a todos que creem e aceitam o Seu sacrifício pelos pecados.

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