Pergunta
Todos os pecados representam uma falha em alcançar a glória de Deus (Romanos 3:23). Assim, há retidão ou injustiça, e a retidão – a perfeição – é um absoluto. De maneira geral, todos os pecados são iguais para Deus, na medida em que, por definição, são “injustos” e “imperfeitos”. Tudo o que é inferior ao santo compartilha essa característica de impureza.
Resposta
Podemos imaginar os esforços do homem para alcançar a retidão como um grupo de pessoas tentando saltar um abismo. Algumas ganham impulso, outras tentam o salto com vara e mais algumas batem as asas enquanto atravessam, mas nenhuma delas consegue chegar ao outro lado. Não importa se a queda é de dois centímetros, dois metros ou dois quilômetros – todas mergulham no abismo. Da mesma forma, todos os pecados são iguais para Deus; não importa como falhemos: todos falhamos.
Jesus indicou que, por sua natureza, todos os pecados são iguais diante d’Ele. No Sermão da Montanha, o Senhor mencionou dois pecados “graves” – assassinato e adultério – e os equiparou à raiva injustificada e aos pensamentos lascivos. A raiva injustificada, a luxúria e o adultério são todos pecados que devem ser levados a sério.
Agora que foi estabelecida a regra geral de que todos os pecados são iguais para Deus por natureza, surgem refinamentos. Embora a luxúria e o adultério sejam ambos pecaminosos, isso não significa que sejam iguais em todos os aspectos. Ter luxúria no coração trará consequências neste mundo, mas essas consequências não serão tão severas quanto as decorrentes do ato físico do adultério. O mesmo ocorre ao guardar rancor, em comparação com cometer um assassinato. A cobiça tem um efeito menor se comparada ao roubo. O pecado é pecado, mas nem todo pecado acarreta as mesmas penalidades nesta vida; nesse sentido, alguns pecados são piores do que outros.
A Escritura destaca o pecado sexual como tendo consequências mais graves do que outros tipos de pecado: “Fuja da imoralidade sexual. Todos os outros pecados cometidos pelo homem são exteriores ao corpo, mas aquele que peca sexualmente, peca contra o seu próprio corpo” (1 Coríntios 6:18). Nessa passagem, a imoralidade é distinguida de outros pecados, como a desonestidade, o orgulho e a inveja. Enquanto todo pecado afeta negativamente a mente e a alma, a imoralidade sexual afeta imediatamente e de maneira direta o corpo. A destruição provocada pela imoralidade terá um impacto físico. A advertência contra o pecado sexual em Provérbios 6 reforça essa ideia ao afirmar que “quem comete adultério não tem entendimento; quem o pratica, destrói a si mesmo” (verso 32).
Todos os pecados são iguais para Deus no sentido de que qualquer pecado impede o acesso ao céu. No estado eterno, a Nova Jerusalém será habitada pelos justos – os redimidos do Senhor. Mesmo que no juízo final possam existir graus na punição, conforme indicado quando se afirma que “aquele que desconhece a vontade do mestre e, depois, age de forma errada, será punido de maneira mais leve”, nem todos os pecados carregam o mesmo peso de condenação.
Por fim, há ainda outra forma de entender a igualdade dos pecados perante Deus: todos, sejam “grandes” ou “pequenos”, podem ser perdoados em Cristo. A Escritura enfatiza que “onde o pecado abundou, a graça superabundou”. Ninguém pode exceder a graça de Deus – somos todos igualmente pecadores diante d’Ele. Contudo, por meio de Cristo, somos justificados e transformados em justos. Pela fé, nascemos de novo e nos tornamos vitoriosos sobre o pecado, vencendo as forças do mundo com a fé.





