O que Jesus quis dizer quando disse: “Eu sou o bom pastor?”
“Eu sou o bom pastor” é a quarta de sete declarações “Eu sou” de Jesus, registradas somente no evangelho de João. Essas proclamações apontam para Sua identidade divina e singular, bem como para o Seu propósito. Imediatamente após declarar que é “a porta” das ovelhas, Jesus afirma: “Eu sou o bom pastor”. Assim, Ele não se apresenta apenas como um bom pastor entre muitos, mas sim como o único e verdadeiro bom pastor. Mas o que exatamente isso significa?
É importante compreender que Jesus é “o” bom pastor, não simplesmente “um” bom pastor, como outros podem ser. A palavra grega kalos, traduzida como “bom”, descreve aquilo que é nobre, íntegro, belo e saudável, em contraste com o que é perverso ou desagradável. Esse adjetivo não apenas destaca a bondade interna – o caráter – mas também revela uma qualidade exterior atraente. Trata-se de uma bondade inerente. Assim, ao usar a expressão “o bom pastor”, Jesus está fazendo referência à Sua bondade própria, à Sua retidão e à Sua beleza. Como pastor das ovelhas, Ele é quem protege, guia e nutre o Seu rebanho.
Da mesma forma que, ao declarar ser “a porta das ovelhas”, Jesus estabeleceu um contraste entre Si mesmo e os líderes religiosos da época, comparando-os a “contratados” que realmente não se preocupam com as ovelhas, Ele ressalta a diferença entre o pastor verdadeiro e o mercenário. Enquanto o contratado trabalha apenas em busca de remuneração, sem se importar verdadeiramente com o bem-estar do rebanho, os verdadeiros pastores demonstram um cuidado genuíno. No tempo de Jesus, os pastores frequentemente não eram os proprietários do rebanho, mas eram esperados a agir com o mesmo zelo dos donos. Diferentemente de alguns mercenários, que pensavam somente em si, o verdadeiro pastor se dispõe a enfrentar perigos extremos – como a presença de lobos, que representavam a maior ameaça às ovelhas – permanecendo ao lado do rebanho mesmo quando sua própria segurança estava em risco.
Para entender melhor o propósito de um pastor nos tempos de Jesus, é necessário lembrar que as ovelhas são criaturas completamente indefesas e totalmente dependentes daquele que as guia. Elas estão sempre sujeitas a perigos: enchentes repentinas, ladrões e ataques de predadores. Os pastores, muitas vezes enfrentando condições adversas como ventos fortes, nevascas e intempéries, dedicavam longas horas a proteger e cuidar do rebanho, mesmo correndo riscos que, em alguns casos, lhes custavam a própria vida.
Da mesma forma, Jesus entregou Sua vida na cruz como “o Bom Pastor” por aqueles que Lhe são confiados. Mesmo tendo o poder de salvar a Si mesmo, Ele escolheu sacrificar-Se para a salvação dos outros. Por meio desse sacrifício voluntário, o Senhor tornou possível a redenção de todos os que n’Ele crêem. Ao afirmar que é o Bom Pastor, Jesus enfatiza que está disposto a “dar Sua vida” pelas ovelhas.
A morte de Jesus foi divinamente determinada. Somente por meio Dele a salvação é concedida. Além disso, Jesus deixa claro que Seu sacrifício não se limitou aos judeus, mas também abrangia “as outras ovelhas” que não pertenciam ao rebanho inicial, referindo-se, assim, aos gentios. Dessa forma, Jesus é o Bom Pastor de todos aqueles que, seja judeus ou gentios, creem Nele.






